Quando comparamos linhas, os nossos olhos apontam para o diâmetro, e logo a seguir, para a resistência dessa linha.
E escolhemos e compramos em função disso.
Tudo estaria bem se aquilo que é “reportado” fosse verdade.
Acontece que as coisas são bem mais cinzentas do que aquilo que gostaríamos....estamos continuamente a ser enganados, e....não sabemos em quem acreditar.
Vamos ver algo sobre este tema, aqui, hoje, no blog.
![]() |
| Tudo fosse tão verdadeiro quanto os nossos peixes... |
O Padrão JFGA: A Contribuição do Japão para a Transparência nas Especificações de Linhas
O padrão de espessura de linhas de PE da Japan Fishing Goods Association (JFGA) é um sistema de controle de qualidade.
Aborda diretamente uma das causas mais persistentes de confusão para o consumidor na compra de linhas de pesca: a diferença que existe entre o que é “apregoado” sobre a resistência nominal e o diâmetro nominal.
Linhas de PE não japonesas são tipicamente classificadas e vendidas com base na sua suposta alta resistência à tração (por exemplo, "multifilamento de 20 lb").
Como é mais fácil e rentável inflacionar a resistência à tracção por meio de estratégias de marketing - por exemplo fazendo crer no rótulo que a resistência é “super-espantosa”-, do que alterar apenas o diâmetro para uma secção acima, os fabricantes menos escrupulosos começam por aí.
O resultado é imediato: se uma pressuposta linha PE1 nos diz que a sua resistência é de 17 libras, e ao lado aparece uma linha chinesa PE1 a mencionar na embalagem uma resistência de 35 libras....a primeira já ardeu, não vende.
Neste caso, o fabricante, que hoje apresenta linhas de pesca e amanhã se irá dedicar a produzir pneus, fez o seu negócio.
Quem vem atrás fecha a porta porque ele ao fim de uns meses já não está lá....
Outra forma, mais morosa de obter resultados de vendas é anunciar uma linha como sendo um PE1 com uma resistência de 17 libras, e produzir uma linha que afinal é um PE2...
O incauto comprador testa a linha, não tem muita prática logo não acha que essa linha é fisicamente mais espessa do que uma linha concorrente, acha-a resistente à luz daquilo que espera de um PE1, e indica-a a um amigo. Publicita-a.
E o vendedor ...vende.
![]() |
| Há nuvens negras a pairar sobre a fabricação de linhas... |
Quando a produção não obedece a critérios rigorosos e padronizados, quando não existe uma convenção prévia sobre tudo o que é informação técnica, tudo falha.
O sistema é nebuloso, e não permite uma comparação significativa entre produtos.
Um pescador que troca uma linha japonesa por um multifilamento chinês de não tem como saber se o diâmetro — e, consequentemente, as propriedades de lançamento, o atrito nos passadores e a ação da amostra — serão equivalentes.
Dentro do Japão há regras! O padrão da JFGA especifica o diâmetro real do feixe de fibras e torna previsível um determinado fabrico.
Uma linha japonesa de PE #1.0 possui um diâmetro especificado de 0,165 mm.
Uma linha japonesa de PE #2.0 possui um diâmetro especificado de 0,235 mm.
Estas especificações representam valores medidos, e não alegações de marketing, sendo consistentes entre todos os fabricantes japoneses certificados pela JFGA.
As linhas japonesas, ao serem certificadas por esta organização, estão em conformidade com os padrões de espessura de linhas PE da Japan Fishing Goods Association.
Shimano, Daiwa, Varivas e outras marcas japonesas premium — tornam-se assim linhas para as quais uma comparação entre marcas baseada no diâmetro é significativa.
Entre pares, podemos comparar, podemos entender se esta linha deste diâmetro é ou não mais forte que aquela outra, com o mesmo diâmetro...
Vitor Ganchinho
😀 A sua opinião conta! Clique abaixo se gostou (ou não) deste artigo e deixe o seu comentário.



