E essa coisa dos...drags dos carretos...???

O ensaio de hoje aparece a pedido do meu amigo Carlos Campos.

Estou convicto de que será um tema para muito mais gente, que fala de embraiagem, de drag, mas a verdade sob este tema tem apenas uma ideia vaga.
Se há interesse, mesmo que seja para apenas uma pessoa, escreve-se sobre o assunto. Vamos a isso.


Neste carreto Saltiga de última geração, apliquei um PE 3 da Daiwa, específico para pesca em zonas com rocha áspera. Tenho linha para muito tempo, sem roturas…


Comecemos por generalidades e conceitos simples.
Quando pescamos peixe miúdo, ter ou não ter embraiagem é absolutamente indiferente. E essa é uma das razões pela qual a maior parte das pessoas não presta atenção ao assunto: raramente lhes aparece um peixe a sério.
Mas quando aparece, é bom saber o que fazer, antes, durante e depois da captura.
O que é isso de embraiagem? Trata-se de um sistema que serve de protecção extra quando o peixe que combatemos tem a capacidade de fazer força que excede o potencial do conjunto de cana e carreto que temos em mãos.
Funciona como um mecanismo de segurança, que activa quando a linha está em risco de rotura. Por outras palavras, deixa sair linha do carreto um pouco antes de esta atingir o seu limite de carga máximo.

O processo é simples, e muito prático de utilizar: basta regular a tensão que se pretende, em função do diâmetro e resistência da linha, e ao atingir esse ponto, a bobine de linha começa a girar, libertando a quantidade de fio necessário, até o peixe se imobilizar.
Fica claro que quanto mais apertarmos o mecanismo, mais dificuldade o peixe terá em conseguir levar linha, mas também mais próximos estaremos de provocar uma rotura.
O efeito prático de uma embraiagem, que apenas actua de acordo com a força exercida pelo peixe, é o de permitir cansar o exemplar sem que este consiga romper a linha.
Por outras palavras, que o consigamos trabalhar sem que ele tenha um ponto de apoio fixo para fazer a totalidade da sua força, ou sequer um segundo de descanso.
Ou estamos a recolher linha e com isso a trazê-lo até nós, ou o peixe está a afastar-se, mas a trabalhar contra o nosso sistema de drag, e consequentemente a cansar-se.




Se temos tantos tipos de carretos diferentes, lógico seria termos também diferentes mecanismos de embraiagem. E temos. Mas na sua génese, está sempre o mesmo princípio, um parafuso que se aperta mais ou menos, e que por isso, permite que o peixe consiga através da pressão que faz sobre o anzol, girar mais ou menos facilmente a bobine. Mais ou menos pressão sobre um disco, esse é o segredo.
Os fabricantes exploram duas formas de obter um atrito máximo: aumentando o número de superfícies de contacto, ou a área da superfície de contacto da embraiagem.
Os discos que se tocam, ao serem mais largos, permitem maior atrito. Logo, maior capacidade de reter a bobine, sem desenrolar linha.
Pode ter interesse. Determinados tipos de pesca exigem maior arrasto. Falo de atuns, tintureiras, corvinas, meros, ou se lá fora, GT`s, marlins, peixe-vela, etc.
As grandes marcas colocam os seus melhores engenheiros a trabalhar neste tipo de detalhes. O resultado obtido é hoje em dia excelente, cada vez melhor. Sem sacrificar a suavidade de saída da linha, aumentaram a fricção da embraiagem através da adição de anilhas independentes.
Mas tudo tem os seus limites. É pressuposto que as outras partes do carreto não cedam! Se a linha parte, se a engrenagem do carreto parte, se a mecânica do carreto fica afectada, então não adianta ter uma embraiagem forte. A questão é saber qual o limite certo.

Os sistemas de atrito do nosso carreto são concebidos tendo em conta a equação de torque, ou binário. Algo como: Torque = Força X raio.
O torque, ou binário, ou ainda momento de força, ou ainda momento de alavanca, é uma grandeza vectorial da física associada às forças que produzam rotação num corpo. Ou seja, na nossa bobine.
Inicialmente, o torque é definido a partir da componente perpendicular ao eixo de rotação da força aplicada sobre um objecto, que é efectivamente utilizada para fazê-lo girar em torno de um eixo ou ponto central, conhecido como ponto pivô ou ponto de rotação.
A distância do ponto pivô ao ponto onde atua uma força ‘F’ é chamada braço do momento e é denotada por ‘r’. Num espaço tridimensional, o vector Torque é definido como o produto vectorial da posição em que é aplicada a força.
Sabemos a medida do raio da bobine do nosso carreto. Sabemos também que o raio da bobine a considerar corresponde grosso modo à distância entre o centro do carreto até ao ponto onde a linha sai.
Há um dado curioso sobre esta medida: quanto mais linha temos no carreto, menos atrito o carreto exerce. Não queria complicar-vos demasiado a vida, mas acreditem que fabricar um bom carreto é muito mais que copiar peças dos outros e produzir muitos milhares. Há cálculos matemáticos que levam meses a ser feitos. Por isso eu compro apenas carretos bons, e deixo-me de chinesices de 100 euros….a imitar os carretos de 1100 euros.

Tenhamos em consideração o seguinte: as peças de baixa qualidade tendem a aumentar de volume com o aumento do calor produzido pelo seu atrito, umas sobre as outras. Ao trabalhar a alta rotação, o drag aquece e isso provoca a sua dilatação.
Porque o espaço onde se movem é limitado, isso provoca danos irreversíveis em algumas delas. Os materiais baratos não suportam condições de stress, e ficam danificados para sempre.
Por isso não adianta querer comprar carretos baratinhos e querer pescar peixes grandes que necessitem de muito tempo de luta. Um bom carreto não custa menos de 800 euros. Ponto final. O resto é “enrolar” a situação, …“ a ver se dá”.
Aquilo que as marcas fazem hoje em dia é recorrer a produtos nobres, como a grafite, a fibra de carbono, e com isso invertem o processo, conseguindo inclusive redução de temperatura. Mas essas peças custam ao fabricante mais caras que as outras.

Também o tipo de pesca que fazemos tem uma influência muito grande na escolha do carreto e do seu drag. Para pescar à superfície é necessária menos embraiagem que a pescar ao fundo. Há pessoas que pura e simplesmente não têm robustez física para actuar com carretos de alta potência.
A escolha da linha e a resistência do anzol são fundamentais, porque são eles que irão suportar a pressão exercida pelo peixe. Vale a pena comprar uma linha mais grossa, se o drag do carreto não a suporta? Ou se a cana não a suporta?!
Muitas vezes observo pessoas que têm os carretos completamente cerrados, sem embraiagem.
Dizem-me então que se algo de grande surgir, “desenroscam” a embraiagem….sendo que eu acho que a quantidade de voltas necessárias até ter uma pressão aceitável leva mais tempo a executar que o tempo que um peixe bom necessita para partir o equipamento todo.
Há um intervalo muito grande entre o tudo e o nada. Podemos sempre utilizar um critério de “experimentação”: regulamos a tensão da linha para aquilo que nos parece ser o ideal, e puxamos duas ou três vezes pela linha do carreto.
Se sai com muita folga está solto demais, se não sai nada, sabemos que irá partir, se sai com alguma dificuldade, mas sai sem romper…, está no ponto.

Os grandes da pesca preocupam-se com outros detalhes, por exemplo o tempo que o peixe irá estar a fazer força e a quantidade de ácido láctico que irá ser produzida e injectada na carne do animal.
Muito brevemente irei falar-vos aqui de IKE JIME, a técnica japonesa de conservação de peixe. Vão ver que faz sentido encurtar os combates.
Para quem pesca peixes pequenos, nada disto faz sentido. Apenas os puxam do fundo do mar e metem na caixa. Mas para quem combate grandes peixes, e pretende libertá-los, é fundamental que não cheguem ao barco completamente esgotados, depois de horas e horas de luta. Até porque chegam a morrer em combate. E quando isso acontece, o pescador deixa de contar com a “ajuda” do peixe, e passa a contar apenas com a resistência da linha e da cana para subir o seu oponente. Um peixe morto em combate é uma lástima, porque na maior parte dos casos, aquilo que acontece é que se fica sem o peixe, não há forma de subir um peso morto de centenas de quilos. Aí, fechar o drag é a única forma de actuar. Não adianta dar linha.


Aspecto de alguns dos carretos com que pesco nas minhas saídas de mar. Faço muitos tipos de pesca diferentes, e muitas vezes no mesmo dia. O factor comum é que todas estas canas e carretos são de boa qualidade.

Para além disso, tenho o cuidado de os ter bem lubrificados, limpos, e com as linhas passadas por água. Nos momentos de aperto, estes carretos não me deixam mal, porque em minha casa sigo o princípio de que o dia de pesca só acaba quando tudo está impecavelmente limpo e convenientemente preparado para sair no dia seguinte. Pesco muitos dias por semana e por isso é-me conveniente ter sempre diversas possibilidades de escolha para poder decidir quais os conjuntos que irei utilizar nesse dia. Na verdade, a decisão é feita em função das condições que o mar nos oferece.

E como estabelecer um compromisso entre aquilo que é a resistência normal da linha e o padrão de força que o peixe deve fazer para actuar a embraiagem? Há de facto uma tensão correcta, e previamente estabelecida, nem que seja de forma empírica. Mas existe.
Essa resistência, essa força de arrasto da bobine em torno do seu eixo, pode ser medida em quilos ou em libras.
Há formas de fazer a regulação de forma precisa, matemática, e inclusive aparelhos que a medem. Podemos também calcular com um conjunto de dados precisos e objectivos, sendo o principal a resistência indicada pelo fabricante para a linha em questão.
Mas será isso seguro? Confiamos assim tanto na resistência publicitada? Não será mais seguro sermos nós próprios a definir aquilo que a linha efectivamente suporta?

Na minha óptica, e porque nem toda a gente pesca com linhas homologadas pela IGFA, e sabendo também que o critério de compra muitas vezes tem mais a ver como preço que com a qualidade intrínseca da linha, devemos pura e simplesmente ignorar a indicção dos kgs de resistência mencionados.
Apenas as grandes marcas mundiais são absolutamente honestas na informação dada. Fazem-no porque sabem que a sua reputação está em jogo, que ao inscreverem dados falsos estarão a defraudar milhões de utilizadores que neles confiam, e porque acima de tudo querem preservar o seu bom nome.
Mas nem todas as companhias que produzem linhas pensam da mesma forma, ou podem sequer pensar da mesma forma. Uma Daiwa, uma Shimano, uma YGK, preocupam-se com a veracidade dos dados apresentados, e eles serão verdadeiros, mesmo que obtidos em condições óptimas, em condições de máxima performance laboratorial. Mas uma pequena empresa sabe que para competir com os tubarões do mercado tem de prometer muito mais, a mais baixo custo. De resto, nem sabe quantos meses irá trabalhar no sector. Pode acontecer que daí a uns meses, e porque começou a receber reclamações em catadupa, passe a produzir sapatos no seu pequeno armazém. Logo, relativamente ao que está inscrito pelos fabricantes na bobine, ….ou é de marca conhecida, ou mais vale ignorar.


Com estes conjuntos, é possível pescar a quase tudo o que tem barbatanas e nada nas nossas águas. Na verdade acho sempre que falta mais isto ou aquilo, mas felizmente os fabricantes estão sempre a inovar e a aparecer com algo bombástico que encaixa bem naquilo que falta aqui. O carpinteiro que me preparou a minha casa de pesca foi Manuel Falardo, alguém que tem diversas características indispensáveis: capacidade técnica, conhecimento, vontade de trabalhar e …muita paciência para me aturar.


Em termos matemáticos, aquilo que deveríamos considerar é que a pressão máxima de embraiagem deveria estar regulada no limite a cerca de 80% da carga de rotura da linha. Ficamos com uma margem de 20% antes de romper. À partida parece-me bom.
Mas serão estes 20% suficientes para algum deslize, alguma distracção, alguma imperfeição técnica da nossa parte?
Eu faço-o de forma instintiva, e no mar. É quase um princípio de tentativa e erro, mas eu sou relativamente rápido a reagir quando tenho um peixe que sinto que pode exceder a carga limite da linha. Porque pesco há 52 anos, e já passei por muitas situações destas, os dedos movem-se de forma automática e no timing certo. E isso basta-me. Digamos que ficamos com dados em memória para aquilo que correu menos bem….e sabemos corrigir em situações idênticas.
Aquilo que preparo em terra é o enchimento do carreto, com uma linha adaptada ao tipo de peixe que vou pescar, e verifico a resistência desta, utilizando para isso um ponto de apoio, e um bom par de luvas.
Atenção ao facto de as linhas multifilares serem altamente perigosas quando manuseadas sem luvas. Porque aguentam muita tensão, ao pressionarmos para as romper, cortam-nos os dedos, inapelavelmente.
Há quem o faça em casa, utilizando uma balança, ou um peso aferido e carregue a linha até atingir o ponto de rotura. Confesso que não tenho nem a paciência necessária, nem o entusiasmo de saber se estou a 75% ou a 80% da carga máxima.
Basicamente aquilo que temos de garantir é que a linha não parte no momento crítico, ou seja, quando o peixe arranca em força para o fundo. A configuração ideal de arrasto de uma embraiagem é apenas uma: a de não deixar partir a linha.


Quando baixamos para os carretos micro, tamanhos 1000, 1500, 2000, os cuidados a ter são ainda maiores. Porque faço Light Rock Fishing, e trabalho com linhas 0.03 a 0.06mm, isso significa que a cada dia de pesca corresponde uma sessão de lavagem, limpeza e lubrificação total do equipamento que levei ao mar, utilizado ou não. Podem achar desnecessário, mas para mim, é o prolongamento das experiências que vivi nesse dia, e um momento só meu, de meditação sobre aquilo que poderia ter feito melhor. É muito raro um peixe romper-me uma linha...


Sabemos que uma embraiagem mal regulada pode estragar-nos o dia. Um peixe grande não acontece a cada momento, e por vezes nem sequer todos os dias, ou semanas.
Se esse peixe surge e vai embora por “aselhice” nossa, podemos e temos de aceitar. Mas ir embora porque nos esquecemos de regular a embraiagem, …não! É verificada sempre que pegamos numa cana (eu pesco com diversas canas ao longo do dia, com diferentes técnicas, e por isso faço-o já de forma instintiva, sem o pensar), e isso pode ser tudo, quando chega o momento certo. Vale a pena arriscar? Penso que não. Este é um factor que podemos prever, que dominamos a 100%. Pescar um peixe grande é algo que exige uma enorme conjugação de factores.
Muitos deles começam quando compramos o equipamento, na loja. Gastamos tanto tempo a chegar ao local de pesca, custa-nos tanto dinheiro e no fim deixamos ao acaso um detalhe que pode ser fundamental?!
Há pessoas que aprendem da forma mais dura, perdendo peixes. Há quem não dedique mais que alguns segundos ao equipamento quando chega a casa.
Na melhor das hipóteses, um banho com água da mangueira. Tudo aquilo que se faz, tem consequências. A falta de lubrificação pode ser decisiva quando precisamos que a bobine gire sobre si própria.


Aspecto de um carreto eléctrico Daiwa Seaborg 500, em trabalho. Neste dia, eu estava a pescar a 150 mts de fundo, a baixada estava a subir, a 57.9 mts, e o carreto a cumprir na perfeição a sua missão de me trazer um peixe. A embraiagem regula-se na peça preta, à direita, junto à manivela. Caso o peixe tenha peso e faça muita força, o carreto “patina”, ou seja, não recolhe, até que volta a ter condições para o fazer. Isso significa que o peixe já não faz mais força do que a pré-estabelecida quando regulei a embraiagem, e permite de novo o enrolamento de linha, ou seja, a subida até à superfície.


Com conjuntos muito ligeiros, o cuidado a ter na regulação da embraiagem deve ser superior, dado que o limite de rotura é facilmente atingido.


Por vezes perguntam-me a razão de eu deixar os drags dos carretos das minhas filhas um pouco mais abertos. Não totalmente abertos, apenas um pouco mais soltos.
Consigo responder a isso: elas são muito jovens, e a sua rapidez de reflexos não está suficientemente treinada. Por isso, e porque a sua primeira reacção será sempre a de tentar entender o que está na ponta da linha, a puxar violentamente pela sua amostra, eu prefiro que a linha saia com um pouco mais de facilidade, mas ganho tempo para poder pousar a minha cana e ir ajudar.
Faço o mesmo com clientes GO Fishing Portugal menos rodados, que precisam de um pouco mais de tempo para entender o que se passa. O trabalho de um guia de pesca é fazer com que a pessoa consiga a picada e vá até ao fim, que veja o peixe. A seguir, até pode voltar a soltá-lo no mar, mas deve …poder vê-lo.
Deixar a embraiagem mais solta garante que fica muito jogo por jogar, que o peixe está muito longe de poder partir a linha. Eu pessoalmente não o faço, porque conheço muito bem os limites do meu material, e utilizo-os.


Isto é uma máquina de alta precisão: um Daiwa Saltiga BJ equipado com linha PE 1,2 que é mais que suficiente para a maioria dos peixes que tocam nos nossos jigs.


Mas será apenas este factor aquilo que é determinante e que tem de ser observado aquando da nossa luta com um grande exemplar? Não, de todo!
Outros factores entram em linha de conta, e um deles é o atrito das linhas na água. O meu amigo Raúl Gil substitui as suas baixadas ao fim de algumas capturas. Pesca com linhas finas e sabe que elas irão passar na água a grande velocidade, arrastadas por um peixe grande, que tem poder para as romper.
É sempre uma questão de opção: podemos ir ao limite das linhas, ou permitir-lhes trabalhar com margem de segurança. Se temos muita pressa em “ver” o peixe, então que se aperte.
A ideia é passar para o peixe a pressão que nos é possível, entre a cana e o carreto. Quanto mais pressão colocamos, maior é o efeito prático do nosso esforço do lado do peixe.
Por isso é de utilizar sempre um arnês de combate, que possibilita um posicionamento correto da cana e traz um maior aporte de ergonomia. As nossas costas agradecem.
A questão é saber se estamos a escolher um carreto que tem um drag de 30 kgs “porque sim”, ou se devíamos preferir ter um carreto com um drag mais fraco, mas que é utilizável.
O pescador médio pesca de forma normal, não faz pesca extrema. Há que ter a noção de quando é que devemos dar linha e quando é que podemos apertar com o peixe. Mas tudo tem os seus limites.

Tenho alguns carretos Shimano Stella, e também alguns Daiwa Saltiga. São máquinas que dispensam apresentações, são fabricadas para aguentar esforços máximos.
O desempenho de uma embraiagem Saltiga é algo de assombroso. Mas podem perguntar se eu já alguma vez a levei ao limite: nunca.
Não tenho sequer a tentação de experimentar o que significa ter nas mãos um carreto com 30 kgs de drag. Prezo muito as minhas costas….e não me vejo a ter de parar na corrida um peixe maior que eu, só porque sim.
Já pesquei peixes grandes, (o maior com 236 kgs de peso), e reconheço que há um momento para eles. Quando querem ir vão e vão mesmo para onde querem. O nosso momento é a seguir.
Se me falarem em bloquear meros à porta do buraco, …ok. Quando entra, …a pesca acabou. E isso pode durar 1 a 2 segundos. Mas isso não representa um cenário de pesca habitual, aquilo que mais temos são peixes que correm, que saem em água livre, e que podem de facto levar linha. Até porque a temos!

Nunca sabemos quando é que o robalo da nossa vida vai surgir. É bom estarmos preparados para ele.
Se só nos lembramos de regular o atrito da embraiagem “depois” de termos a linha partida, …é tarde demais.



Vítor Ganchinho



Comentários

  1. Boa tarde Vito,

    Mais um excelente artigo educativo!
    É muito importante ter-mos um conjunto bem equilibrado e entender como se consegue essa dinâmica. Um conjunto com nessa condição, faz a diferença nos momentos importantes e decisivos.

    Abraço,
    A. Duarte

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    1. Boa tarde Antonio Achei que seria boa ideia tocar este tema. Porque o Carlos Campos falava sobre este assunto com regularidade...
      O objectivo é sempre o mesmo: ajudar a saber mais, a saber decidir quando chega o momento de decidir bem. Saber mais e mais, é muito importante e rende peixe.

      Hoje mesmo, um amigo meu deixou fugir um robalo de 2,5 kgs, à superfície, encostado ao meu barco, por não saber trabalhar com o drag. Eu não consegui ajudar porque estava com um peixe ao mesmo tempo, e o dele ferrou primeiro, ou seja, eu fiquei sem capacidade de manobra nenhuma, tinha mesmo de subir o meu, ou iria enlear tudo. Andou com o peixe dele na ponteira da cana uma eternidade de tempo, à superfície, a 1 cm de distância da ponteira a passeá-lo, .... até que desferrou e foi embora. E eu avisei para deixar 1,5 mt de linha do chicote, pelo menos....mas no momento crítico, ele confessou-me que só tinha olhos para o peixe, que esqueceu tudo o resto...ele nem via a cana, só parou quando encostou a ponteira da cana ao jig e já não dava para enrolar mais linha.

      Perdeu o peixe...
      Também perdeu dois pargos grandes, mas aí porque eles picaram e ele esqueceu-se de os ferrar. Apenas enrolou a linha, ou seja concentrou o esforço de ferragem todo na mão esquerda, a enrolar linha, para os ver. Os peixes subiram, ( um deles bastante grande...!), mas foi só uns 10/ 12 metros. A seguir, porque nem estavam cravados a sério, foram embora.

      São seus, António!! Vá a eles.


      Abraço
      Vitor

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    2. Vítor,

      Falta me tempo, as 24h não chegam para tudo.
      Vou estar uns dias em casa, finalmente terei tempo, vamos ver se o vento me deixa ir fazer o que tanto gosto.

      Abraço,
      A. Duarte

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