PEIXES QUE MORDEM NOS JIGS... E TEORICAMENTE NÃO DEVIAM

A agressividade dos peixes é algo que não poe ser medido, mensurado. Mas sabemos que há alguns que a exibem de uma forma mais marcada e exuberante que outros.
Um pargo morde com vontade de fazer mal, de ficar com a presa para si, com ganas de resolver a questão ali naquele momento. Quando arranca direito ao jig, com ar de cão pitbull, não deixa dúvidas de que vai mesmo morder.
Um peixe aranha arranca da sua posição de emboscada, desenterra a metade do corpo que oculta na areia e lança-se avidamente a qualquer tipo de isca, ou jig.
Mesmo os ruivos, um peixe que se alimenta sobretudo de vermes arenícolas, se tiver a oportunidade não deixa de morder um jig.
Um “paralítico” rascasso, caso o jig lhe passe perto, não hesita em arriscar uma dentada forte. Com a boca grande que tem, e pese o tamanho minorca, o mais certo é conseguir engolir o jig.

Outros existem que denotam agressividade insuspeita para a maior parte das pessoas. É o caso dos sargos e das douradas, por exemplo.
Tidas como peixes mariscadores, que indubitavelmente o são, e que por isso mesmo estariam mais vocacionados para um mexilhão ou um perceve, a verdade é que atacam os nossos jigs.
Bem sei que há quem ache que não é possível. À luz daquilo que é a pesca embarcada tradicional, com uma chumbada e dois anzóis por cima, eventualmente será. Mas tanta coisa não é ainda feita nas nossas águas e resulta.
Há pessoas que juram a pés juntos que uma dourada, um sargo, nunca irão atacar um jig. E todavia…


Dourada feita pelo Raúl, com um jig minúsculo. Peixe libertado.


Estes peixes mariscadores, pese embora tenham como base do seu menu crustáceos, bivalves, etc, ainda assim não enjeitam a possibilidade de morder um peixe.
São espécies que pescamos com jigs pequenos, mas que seriam praticamente impossíveis com o tamanho de jig standard, as peças de 180/ 250 gr.
Não pelo tamanho, mas pela animação inconsequente. Tornam-se fáceis com jigs até aos 12 gr, trabalhados por equipamentos específicos, indicados para esse tipo de pesca.
Já aqui falámos de canas de LRF, as sensíveis canas de Light Rock Fishing, de pequenos carretos tamanho 1000 e linhas PE 0.6. O resto é saber, é experiência, e boas mãos.


Este sargo ficou agarrado no triplo de cauda.


Bem sei que quem pesca o sargo na rompente acredita que só lá vai com linhas finas, iscos pequenos, e anzol bem tapado.
Pois vejam-no aqui a lançar-se sobre um vinil em forma de peixe, tamanho L. Se acham que isto é apenas sorte, digo-vos que tem muito pouco disso.
Contem antes com uma capacidade técnica irrepreensível, milhares e milhares de horas de pesca em cima dos ossos, e muito conhecimento.


Incrível captura de um sargo com um vinil que já tinha antes levado uma boa dentada de um outro peixe. Peixe libertado.


O autor a pescar com o Raúl Gil em Valência, Espanha, com equipamentos de LRF. O meu sargo com um vinil de camarão e o dele com um jig de 7 gr. Peixes libertados.


Fiquem pois com a ideia de que a maior parte dos peixes da nossa costa podem ser capturados com artificiais, quer eles sejam jigs metálicos, quer vinis.
Cada um destes peixes representa um desafio enorme à nossa capacidade técnica, pressupõe trabalho e preparação prévia dos equipamentos.
Pesca-se, e bem, quando conseguimos colocar do nosso lado mais vantagens que aquelas que o peixe tem do seu lado.

Pensem nisto.



Vítor Ganchinho



Comentários

  1. Gostaria de ver um registo do Vitor em cima de um kayak !! fica o desafio :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Vocês querem-me é matar! Eu tenho quase 59 anos, e isso é para gente nova que está cheia de força. O que eu faço é acelerar no barco e mesmo assim já me faltam as forças para empurrar a manete. Deixo-me cair para cima dela...



      Abraço
      Vitor

      Eliminar
    2. ... as crenças ... Eu tenho 56 e o meu companheiro de pescaria tem praí uns 60 e pescamos no Cabo Mondego com os kayaks!! Estamos a criar um clube à séria, ainda nos virá visitar ;)

      Abraço,
      Paulo

      Eliminar
    3. Podemos pensar nisso. Eu tenho um amigo na Nazaré que me convida insistentemente para eu ir lançar umas amostras aos robalos naquela zona. Porque tenho de carregar o barco semirrígido atrás, não tenho ido ter com ele. E olhe que aquela zona tem muito robalo, e bom....

      Abraço
      Vitor

      Eliminar

Enviar um comentário