HÁ MOUROS NA COSTA...

Disse-vos há umas semanas que o mar estava a mudar.
Com efeito, de águas gélidas, a 14ºC à superfície, passámos para águas bem mais quentes, na ordem dos 18 a 19ºC, o que consubstancia uma subida vertiginosa de temperatura.
Os peixes são muito sensíveis a isso. De repente, aparecem de todos os lados, colonizando zonas antes despovoadas de vida. Não estavam lá porque não podiam fisicamente estar, a água gélida não o permitia.
A partir do momento em que a água do mar aqueceu, passam a ocupar os seus postos de caça habituais. As arribadas de sardinha miúda que encostam a terra ajudam a trazer para cotas mais acessíveis todas as espécies de predadores que seguem estes cardumes. São estes carnívoros que dão trabalho às nossas amostras, e nos enchem de alegria.
A opção entre amostras rígidas ou as ditas “soft-baits”, normalmente amostras em vinil, com um cabeçote acoplado que mais não é do que um chumbo com um anzol embutido, nem sempre é demasiado evidente.
Sou sincero, quando tenho de fazer a opção, a minha tendência é para optar pelos vinis. A razão prende-se com a certeza de obtenção de melhores resultados. Pesco mais peixe com vinis.


Por vezes temos picadas tão inesperadas quanto indesejadas, há sempre um peixe ou outro que é forçoso libertar.


Abro excepções quando estou na presença de determinado tipo de peixes, nomeadamente as anchovas e mesmo os sarrajões, porque a dentição destes faz estragos avultados nas amostras macias. É difícil que uma anchova não corte rente a secção de um vinil. Se não o secciona por completo, deixa-o num estado que nos impede de o continuar a utilizar.
Os dentes tipo lâmina cortam tainhas ao meio, porque não iriam fazer o mesmo a pequenos vinis?
Também os sarrajões têm dentes pontiagudos, afiados, preparados pela evolução genética para morder, para fixar um peixe que corre, e isso não deixa muita margem de manobra a um vinil, por bom que seja.
E estas são as excepções, os outros, quer lírios quer robalos, não me preocupam muito, os vinis aguentam. E por isso os utilizo nas minhas saídas de pesca.
Com um pouco de jeito, e alguma cola para vinis, é possível fazer ressuscitar muitos deles. São trabalhos de bricolage que podemos fazer quando o mau tempo não nos permite sair, ou durante aquele período de descanso a seguir ao jantar.
Preparar ou proceder à reparação de materiais prolonga-nos o acto de pesca, e é algo que fazemos com gosto, reduzindo os custos de cada saída. Na verdade, poucas pescas são tão baratas quanto uma saída para fazer uns lançamentos com vinis.


Anchova pescada com uma amostra Daiwa Morethan Switch Hitter. Se as sabemos na zona, mais vale optar por amostras rígidas….


Neste momento, a quantidade de peixe que arrimou à costa permite-nos pensar que esta Primavera vai ser de estalo para a técnica de spinning.
Há muito peixe, as oportunidades são imensas, e apenas somos obrigados a levantar-nos um pouco mais cedo do que o habitual. Estar no sítio certo à hora certa é um imperativo.
Para todos aqueles que têm essa coragem, há, conforme acontece com a ponta do arco-íris, um pote cheio de ouro à espera. São emoções, são agruras e desventuras, porque nem todos os peixes saem da água, alguns ficam. Eu que o diga que ainda há dois dias desferrei um robalo de bom tamanho, a meia água...
O ataque de um peixe é feito com tal violência que nem o peixe nem nós sabemos por onde os ganchos do triplo irão pegar. Quando isso acontece por uma pele da boca, pode acontecer, não obstante o trabalho que se possa fazer, que aconteça o pior, neste caso, a perda do peixe.
Os que não conseguimos pescar são sempre mais importantes que os pescados. São os nossos falhanços que nos motivam a ir de novo, a tentar fazer melhor.


Mafalda Ganchinho, a minha herdeira, com um robalo pescado com um vinil da Savage. Desde pequenina que sabe fazer o movimento “darting”.


Sempre que possível, é de tentar lançar uns vinis nos sítios mais querençudos: os rios e suas zonas estuarinas, locais com saídas de água doce, pequenos ribeiros que desaguam no mar, peões isolados com ressaca de ondas, com espuma, pontas de rocha com mar batido, tudo isso é terra de robalos e outros que tais. Os predadores precisam de estar próximos de obstáculos, de algo que impeça a normal progressão dos cardumes de comedia. São oportunistas e sempre que sentem ter uma possibilidade de comida fácil, aí estarão, esperando o seu momento. Fazer cair uma amostra num desses locais, pode dar-nos o robalo grande que nos aparece a morder bem firme, nos nossos sonhos. Um peixe com muitos quilos não é algo que se procure em exclusivo, é algo que acontece naturalmente e muitas vezes quando menos se espera, num lance aparentemente inócuo. Ter a surpresa de ver o carreto a largar linha às dezenas de metros é uma sensação que nos preenche, que nos dá um conforto muito grande. É sempre uma mistura de um “finalmente um grande!” com um “ e se tenho o azar de ele ir embora?” ….


Nem sempre grandes, os robalos preenchem um espaço no nosso imaginário difícil de substituir. Sonhamos com eles, com as suas pancadas na amostra.


Algumas amostras, por força da sua perfeição técnica, permitem melhores resultados. Passo-vos algumas:


Fish Arrow Flash J Split SW 10cm - 105
Referência: 4562178068825
Marca: Fish Arrow
Comprimento: 10cm
Cor: 105
Tipo: Vinil





Smith Haluca 125S - 07
Referência: 4511474185231
Marca: Smith
Comprimento: 125mm
Peso: 15.5g





Smith Cherry Blood LL 70S - 70
Referência: CHERBL7.70
Marca: Smith
Comprimento: 70mm
Peso: 7.7Grs
Cor: 70



Quando há muito peixe em zonas baixas, e a tendência é para que o peixe encoste e passe o Verão e Outono em pesqueiros baixos, a pesca de spinning é muito produtiva. É ir, prescindir do conforto da cama, e aceitar as coisas como elas são: os peixes mordem bem cedo.




Vítor Ganchinho



Comentários

  1. Caro Vitor Ganchinho, como monta o anzol e que tipo de anzol na amostra Fish Arrow Flash J Split SW ?

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    1. Olá, bom dia!

      Pode ver algo sobre este tema nos dias 13.07.21, e também em 05.05.20. Basta clicar na seta vermelha para retroceder. Eu corto a ponta dos vinis, para os ajeitar melhor ao cabeçote. Se tiver um pouquinho de cola de cianocrilato, ajuda muito. A ideia é que o chumbo e o vinil fiquem consolidados de forma a que os dentes dos peixes não os arranquem. E olhe que andam por aí verdadeiros "terroristas" das picadas, os sargos alcorrazes, os peixes agulhas, os pampos, etc. Mas nós procuramos sobretudo os atuns sarrajões, os robalos, os lírios, as anchovas. Tenho feito muitos nas últimas semanas.

      Caso não entenda o processo ( é iscar como se fosse uma minhoca, e ter a preocupação para que o cabeçote fique bem direitinho), diga algo que eu faço um filme.

      Abraço
      Vitor

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