A SELECTIVIDADE DOS JIGS

Tenho vindo a insistir na questão da selectividade das nossas pescas. Por todos os motivos.
Desde logo porque me parece importante trabalhar sobre peixes adultos, com reprodução garantida, e não a captura de juvenis, peixes que ainda têm uma vida para viver.
A seguir, porque julgo ser de interesse desportivo pescar peixes que têm capacidade para dar luta, para se baterem connosco, para colocarem em causa a resistência das nossas linhas, das nossas canas e dos nossos conhecimentos técnicos. Para nos colocarem pontos de interrogação.
Aquilo que nos leva ao mar não são propriamente os peixes miúdos.




Se na pesca vertical com iscos orgânicos a nossa capacidade de escolha se resume ao tipo de iscadas, e à eventual selectividade que troços maiores podem proporcionar, a verdade é que pescar com minhocas, ganso coreano, navalha, lingueirão, berbigão, é atrair uma turba de peixinhos que disso se alimentam.
Penso que esse é o maior pesadelo de quem pesca vertical: a quantidade de peixinhos pequeninos que se apoderam dos iscos. Uma caixa de ganso custará, grosso modo, 2,5 euros. É caro!
Se considerarmos que dentro de uma embalagem teremos muito mais cartão molhado que iscos, e quantas vezes o conteúdo se resume a 6 a 7 minhocas meio desmaiadas, então a pescaria não se faz por menos de 8 a 10 caixas, o que quer dizer perto de 20/ 25 euros em iscas. É um absurdo.
Com esse valor, adquirem-se 3 a 4 jigs ligeiros, e basta um único para conseguir, no local, pescar meia dúzia de cavalas. Basta fazer uma paragem à saída de qualquer porto e já temos bolas de isca disponível, que se consegue em poucos minutos.
Ao fim de um ou dois dias de pesca, os jigs saem ….gratuitos. Um único jig pode pescar dúzias de quilos de cavalas para isca, sem qualquer desgaste.
Para aqueles que ainda têm mais pressa, um Sabiki armado com meia dúzia de penas faz o efeito. Cada lance são 4 ou 5 cavalas, não demora mais de meia dúzia de minutos a conseguir isca para um dia inteiro. É apenas uma sugestão.
Mas eu não sou seguramente um indefectível defensor da pesca vertical, na versão corrente que é praticada em Portugal: um barco apinhado de gente, um canavial de canas a baixar e a subir, cada uma com dois ou três anzóis “carregados” com peixinhos miudinhos. Para fritar.
A versão pesca vertical que faço, é bem mais selectiva, e passa por pescar com isco vivo, uma cavala bem viva, a desafiar o ataque de um pargo com tamanho para a engolir.
Passemos à frente…


Pescar com jigs permite uma selectividade que nunca conseguiremos com iscos orgânicos.


As bicas, os pargos, os robalos, os atuns sarrajões, são “clientes” assíduos dos nossos jigs. Bem sei que isto vos parece estranho, mas há pessoas que nunca pescaram um robalo na sua vida.
A razão tem a ver com o facto de apenas pescarem vertical, com iscos orgânicos.
A pesca com jigs, da forma como pode ser praticada entre nós, e com as limitações de espécies que temos disponíveis na maior parte dos nossos pesqueiros, (não estamos infelizmente em…Madagascar), é uma pesca entretida, em que os toques se sucedem a bom ritmo. É difícil que não se consigam picadas a um ritmo regular. E ao fim de algumas horas, temos peixe suficiente para o dia.
As gramagens oscilam em função daquilo que a pessoa pensa vir a necessitar, sendo o mais corrente a gama de 20 a 40 gramas, para fundos de 18 a 60 metros.
Na circunstância eu pesquei estes peixes com esta versão da Owner, Cultiva:


Adiciono na cauda um triplo, ou um assiste simples ou duplo, consoante as perspectivas de peixe que penso ter na pedra. 
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Poderia ter feito a opção por muitos outros, o que não faltam na GO Fishing são opções de jigs com qualidade. A ideia é conseguir entender qual o conceito de pesca, e trabalhar nesse sentido.
A pesca jigging sai bastante da “formatação” que a maioria dos nossos pescadores tem de uma saída de mar, mas quando experimentam, entendem o alcance daquilo que é feito e despertam para uma nova realidade.
Bem sei que a velha guarda não aceitará nunca pescar com estes “ferrinhos” coloridos, mas por mim, …tudo bem. Estou disponível para mostrar os resultados, não faço segredo do potencial do jigging.


Clique na imagem para visualizar (e na rodinha para melhorar a definição)


Quando comparamos uma pesca standard, corrente, com aquilo que se faz na pesca embarcada tradicional, somos forçados a reconhecer que existem diferenças. A selectividade é, para mim, a maior diferença.
É comparar.



Vítor Ganchinho



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