ESTAMOS A USAR A TÉCNICA ERRADA?

Quando pensamos já saber tudo sobre uma espécie, vem alguém a seguir que diz: “e se puder ser diferente?”...
Pensei nisto quando o Carlos Campos, meu inseparável colega de pesca (e responsável por 99% das fotos que publico aqui onde apareço), grande amigo e espectacular pessoa, me mostrou um choco para eu fotografar.
Tudo estaria bem, não estivesse ele a pescar aos besugos, com lulas de arte, as pequenas lulas de 5cm que fazem as delícias dos nossos peixes da pedra.




Ferrar um choco a anzol é algo que acontece muito raramente. Será quase tão raro quanto ferrar uma lagosta. Isso já tem acontecido, e atribuo-lhe o mesmo nível de probabilidades.
Conseguir que esse choco se mantenha no anzol enquanto sobe 55 metros, é uma proeza. Tudo pode correr mal, o bicho está em tracção máxima e isso pode rasgar o tentáculo. O Carlos, convencido que trazia um peixe “mesmo peixe” apertava com ele a sério, e toda a gente a bordo estava convencida que iriam sair um ou dois besugos, porque era o que estava a dar ao momento.
O choco faz muita resistência na água, embora seja algo perfeitamente passivo. O seu formato arredondado não facilita, e ele não está lá para se fazer “fininho”….


Realmente invulgar, e merecedor de um destaque aqui no blog.


Os chocos são moluscos, têm inteligência acima da média, e já foram aqui objecto de estudo detalhado. A par dos seus parentes polvos, são bichinhos muito bem adaptados ao seu meio, com sistemas de camuflagem quase perfeitos, muito difíceis de ver em plena natureza.
Neste caso também convém recordar que podem morder os dedos ao incauto pescador que se descuide demasiado.


Perfeitamente visíveis os cromatóforos que compõem a camuflagem do choco.


Quando menos esperamos, eis que algo de estranho acontece. Longa vida ao Carlos Campos, para que possa pescar muitos anos.
Muito provavelmente não voltará a conseguir fazer igual...



Vítor Ganchinho



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