OS JIGS DE 5 A 7 GRAMAS

Odeio fotos de peixes com sangue. Parecem-me sempre ruins, acho-as deprimentes e não gosto de as utilizar aqui no blog.
Mesmo sabendo que é algo que pode acontecer, (afinal de contas estamos a trabalhar com anzóis afiados e os peixes sangram), não me agrada passar uma imagem negativa da nossa actividade.
Isto é um detalhe que é de facto importante, algo que está nas nossas mãos, depende de nós, e que podemos sempre melhorar: a qualidade das nossas fotos.
Parece-me que não devemos dar da actividade da pesca lúdica uma imagem menor, praticada por gente que não respeita o seu opositor, gente a quem é indiferente aquilo que se passa com o peixe que acabámos de pescar.
Costumo cuidar disso, e se trago hoje um exemplo de algo menos bom, isso tem a ver com o tema do dia: os jigs de tamanho miniatura e a forma como são atacados e engolidos pelos peixes.
Uma amostra longa vem normalmente fora da boca do peixe, pelo menos parcialmente, com um ou dois triplos ferrados nas maxilas. Muitas vezes com anzóis cravados por fora da boca, mas esses são frequentemente resultado da luta que se segue ao primeiro impacto, ao momento da ferragem. O peixe debate-se e acaba por cravar noutras pontas das fateixas triplas que estão próximas da cabeça.
O jig pequeno tem um efeito diferente. Dado o seu pequeno tamanho, é literalmente engolido aquando da aspiração que o robalo provoca ao atacar a peça. Tratamos de uma peça ligeira, poucos gramas, que é “sugada” para dentro da boca.
E, cravado na goela, é muito difícil que possa escapar-nos. Pior ainda quando a linha fluorocarbono da baixada é um Varivas Ti Titanium, quase insensível à abrasão dos dentes do peixe. Nunca parte. Eu pesco com 0.28 a 0.33 mm, embora exista na GO Fishing linha para baixadas no diâmetro 0.40mm. Acho excessivo, não vale a pena.


Robalo que engoliu um jig de pequeno tamanho, com 5 gramas. Ficou com o triplo cravado na goela, e isso provocou esta hemorragia feia, e de que não gosto nem um pouquinho. 


Os jigs de tamanho miniatura, e vamos considerar um espectro de 3 a 7 gramas, não deixam de ser efectivos por isso, por serem pequenos. Diria mesmo que, enquanto as águas estiverem quentes, e não vierem os temporais de Outono, serão mesmo mais mortíferos que os jigs de grande tamanho. Vejam um exemplo:

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Não precisam de me dizer que em locais profundos e com fortes correntes não podem ser utilizados. Diria que podem, eu utilizo-os todos os dias. Mas sim, exigem um conjunto de circunstâncias muito particulares.
É raro que as condições de mar nos surjam sempre como óptimas, diria que raramente é assim, e por isso nunca teremos o melhor de muitos mundos. Por isso teremos sempre de ser capazes de vencer alguns contratempos.
Muitos deles dependem de nós e isso já é uma vantagem. Por exemplo, podemos trabalhar escolher as horas do dia em que as condições da maré no pesqueiro jogam mais a nosso favor. Podemos visitar zonas com menor profundidade, o que nos facilita a vida.
Também é possível escolher o formato do jig optando por uma chapa mais comprida, menos redonda. Conseguimos com isso uma descida mais rápida. E existem muitos outros factores que podemos explorar.
Falo-vos de ausência significativa de vento, um momento em que a maré esteja num dos seus pontos de acalmia, os ditos “estofos” da maré, ou se quiserem aqueles períodos em que a corrente não está a empurrar água demasiado depressa.
Tudo pode ser considerado quando pretendemos pescar um determinado spot. A hora do dia é importante, há que estabelecer um compromisso entre as horas de actividade do peixe e as horas em que temos melhores condições para o pescar.
Também ajuda ter o equipamento certo. E aí já temos algo que depende exclusivamente de nós próprios, e por isso é mais fácil de controlar. O que pode ajudar sobremaneira a que as coisas aconteçam é um conjunto de cana e carreto muito ligeiros, diria uma cana 2-10 gr, com um carreto 1500 ou no máximo 2000, com linha multifilamento PE 0.6 a PE 1, e um baixo de linha em fluorocarbono diâmetro 0.23 a 0.28mm.
Com isto, teremos o nosso jig a descer na “guita” para as pedras onde evoluem os nossos robalos de estimação. São peixes que respeitamos, que são nobres, que nos deixam sem ar nos pulmões quando resolvem atacar bruscamente, mas sejamos francos: não são um peixe que lute muito tempo, nem que tenha uma defesa que seja particularmente impressionante. Um robalo bem ferrado, e desde que o nosso equipamento seja razoável, tem poucas possibilidades, morre muito mais depressa que um lírio com o mesmo peso.


O robalo não é um peixe demasiado forte. Perde para o pargo, a dourada, o atum sarrajão, por exemplo.


Aquilo que acontece frequentemente é vermos os predadores a “catar” miudezas”, pequenos peixinhos que, pela sua imberbe idade, não desconfiam das intenções dos robalos que os cercam.
O nosso jig é apenas mais um desses vultos que nadam por ali. E leva a dose certa de animação para excitar o robalo porque a um jig de 5 a 7 gramas, nós podemos fazer tudo. Até dar “saltos mortais à rectaguarda”, coisa que nunca seremos capazes de obrigar um jig de 200 gramas a fazer. A animação do jig, mais do que as cores, rende peixe.
A razão de ser do sucesso tremendo que é possível obter com estes minúsculos jigs, tem a ver com o tamanho das presas que o robalo procura neste momento: peixe miúdo.
Se tiverem dúvidas espreitem os milhões de pequenos peixes de 5 a 6 cm que estão encostados à costa. Estão em todo o lado, na rebentação das praias, mesmo quando temos água pelos joelhos, nos portos marítimos, nas marinas.
Há peixinhos minúsculos em tudo o que é sítio!
E obviamente aquilo que os robalos comem é isso. Logo, não resulta lançar amostras de 20 cm, porque isso não faz parte da sua dieta, para já. Vai fazer, quando as águas arrefecerem um pouco mais, e vierem os temporais que vão voltar a baralhar e dar novas cartas, lá para inícios de Novembro. Nessa altura, com águas mais oxigenadas, mais frias, o paradigma é outro, a desova aproxima-se, o Inverno frio cobra energia extra, e os robalos irão mudar a dieta para peixe com gordura, de maior tamanho. Mas agora por agora, são as “miudezas” quem tem de se preocupar. E por isso mesmo podemos fazer pescarias bonitas com jigs curtos e leves.


Pesco muitos dias por semana com jigs, saio para o mar com uma pequena caixa de chapas metálicas e sinto-me equipado. Acreditar que somos capazes é o primeiro passo para conseguirmos resultados com jigs pequenos. De resto o princípio é válido para tudo o que fazemos na vida...


A questão que se coloca é que as pessoas saem ao mar com uma cana única e querem fazer tudo com ela. E aí, entra em jogo apenas a pesca standard, feita com canas standard. Para isso…dá.
Todas as outras possíveis variantes de pesca que acontecem ao longo do dia acabam por ser oportunidades perdidas. Porque não é possível trabalhar jigs de 5 gramas com o equipamento que serve para lançar chumbadas de 150 gramas.
A cana com 3,60 mts, eventualmente polivalente para uma pesca vertical ou pesca à chumbadinha, não entra aqui. Não pode ser usada porque não foi feita para isso, não nos dá a informação de que necessitamos.
A cana ligeira de jigging ou LRF, é outra coisa. Volto a repetir-me: não limpamos a sanita com a escova de dentes, nem escovamos os dentes com o piaçaba da sanita. Certo?!

Faz sentido?



Vítor Ganchinho



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