O REGRESSO DO LRF, LIGHT ROCK FISHING DE INVERNO

Aparentemente frágil.
Tudo é aparentemente frágil quando observamos um conjunto de equipamento LRF para pesca ligeira em fundos baixos.
Uma cana de acção 1-7 gramas, um carreto tamanho 1000, um multifilamento PE0.6, um leader 0.20mm e um vinil de 5cm.
É tudo.
O conjunto pode ser minimizado em termos de espaço se a opção for por uma cana travel, com um comprimento total de 2.15 mts para um peso médio de 80 gramas.
Há canas destas com 4 a 5 secções de 45cm, o que as torna um objecto bem fácil de transportar numa mala de porão, evitando assim custos desnecessários quando se viaja de avião.
Tudo é aparentemente frágil, mas assustadoramente eficaz.
No bolso, um “kit amostras LRF”, uma pequena caixa com os iscos...algo como pequenos jigs e vinis de cores variadas e um ou outro peso em tungsténio.
Pesca-se peixe com isto!

Não necessitamos de muito para nos divertirmos durante algumas horas.

O que não nos falta na costa são predadores ávidos de engolir os nossos enganos.
É quase indiferente que sejam jigs de 3/ 5 ou 7 gramas, ou vinis de 3 a 6 cm de comprimento.
Deixar cair para o fundo, ou lançar um pouco mais longe e deixar pousar sobre a pedra. Ao fim de meia dúzia de segundos, um peixe curioso vem investigar e chama de comida o nosso camarão em vinil. E quantas vezes esse peixe é um super interessante robalo de 2 kgs!!
As surpresas são sucessivas quando se pesca ligeiro.
Talvez por sentirmos uma desresponsabilização inerente à fragilidade do conjunto que temos em mãos, ( ...”não me peçam para fazer muito com isto”....), talvez por auto-substimarmos o potencial que tem um conjunto tão leve, o que é facto é que cada captura parece um milagre de Deus.
E no entanto, trata-se de material de pesca muito eficaz, não tão frágil quanto se pense uma vez que os componentes em si são de alta qualidade, logo mais resistentes que o comum produto de pesca standard. E em boas mãos permitem fazer peixes de bom tamanho.

Os labirintos escuros de pedra partida escondem peixes interessantes no seu interior.

Pescar de barco sobre pedra é garante de picadas em quantidade, e já agora em variedade.
Há uma enormidade de peixes de fundo que oferece essa possibilidade, mesmo os mais insuspeitos, o caso dos sargos, das douradas, dos robalos, dos lirios, etc.
A actividade é frenética, exige coordenação de movimentos e acaba por ser uma escola de técnica pela exigência que cada peixe nos coloca.
Aprende-se a pescar quando os limites de resistência dos materiais nos impõem limitações e um cuidado extremo.
Daí, podemos partir para outras pescas mais pesadas porque fica-nos o “saber fazer”. Ganhamos ...mãos.

Pequeno ruivo, um peixe de areia que é agressivo e por isso mesmo uma presa comum em LRF.

A ondulação e a sua consequente movimentação de fundos junto à orla marítima atrai os peixes para distâncias próximas de terra.
Descobre seres enterrados na areia, ou debaixo das algas, ou inclusive mata alguns deles e deixa-os à mercê de quem os encontrar primeiro.
A violência de uma tempestade move grandes massas de água, areias e pedras, e a sua projecção mata inevitavelmente muitos bivalves, caranguejos, camarões, etc.
Os peixes esperam o bom momento para se aproximarem de terra. Quando próximos, (quando o mar baixa um pouco), ficam perfeitamente ao alcance de quem lança a sua montagem a partir da costa.
Sendo obviamente mais difícil pescar nessas condições que a partir de barco, ainda assim as possibilidades de conseguir um bom exemplar existem. É perfeitamente possível fazer bons peixes a partir da costa, com este sistema. 
Enganam-se aqueles que acham que um robalo de bom tamanho não tem interesse por um camarão...

É com isto, iscados num anzol e linha que passa dentro do corpo do camarão, que se podem fazer peixes muito bons. As cores são naturais, o tamanho de 5cm é o indicado, aquele que melhores resultados pode proporcionar para os nossos peixes de costa.
  CLIQUE AQUI PARA VER NA LOJA  

A GO Fishing lançou uma linha de vinis com a medida certa para os nossos mariscadores: sargos, douradas e robalos.
A montagem já foi aqui explicada por diversas vezes, e basicamente consiste em aplicar um peso em tungsténio, dois stoppers, e linha fina, um 0.20 a 0.23mm, um anzol leve, fino e afiado, e está no ponto.
Em caso de dúvida, é contactar o blog e a montagem será aqui repetida, em filme. 
Por via das dúvidas, a sequência é esta: um anzol, linha de empate, stopper, tungsténio, stopper, e linha madre até ao multi. Esta linha em fluorocarbono fino é inteira, não tem ligações, pelo que se deve começar por empatar o azo e fazer a montagem daí para trás. 
O camarão isca no anzol como se se tratara de um camarão natural, a curva e ponta do anzol fica toda descoberta. Eles mordem mesmo assim....

Aqueles que visitam habitualmente a loja de Almada podem pedir à D. Helena que mostre um exemplo feito para isso, um exemplo físico de montagem completa, pronta a pescar, na loja GO Fishing.
De notar que este tipo de vinis está sujeito a uma enorme pressão por parte dos dentes dos peixes, logo tem de ser fabricado em material bastante resistente.
Daí a opção pelo TPE, de extrema elasticidade e resistência, (o camarão estica facilmente três vezes o seu tamanho) e que permite fazer dezenas de peixes com o mesmo vinil.
Não juntar com outros tipos de vinis já que existe incompatibilidade. Estes derretem os outros...

A costa portuguesa oferece inúmeros locais onde podemos assentar arraiais e pescar meia dúzia de peixes bonitos: sargos, douradas, etc.

Onde pescar?
Devemos procurar pesqueiros menos explorados, zonas remotas, menos visitadas por quem pesca mas também por quem apenas se passeia à beira-mar. Se conseguirmos isso, óptimo!
Tudo o que seja sossego e discrição interessa ao peixe, e produz resultados.
Compensa descer um carreiro durante alguns minutos, ir onde as outras pessoas não querem ir. 
Zonas muito apoquentadas pela actividade humana, normalmente com acessos fáceis e bons estacionamentos, reduzem as nossas chances de enganar o tal robalo grande.
Os peixes bons estão frequentemente em locais mais abrigados do ruído, dos gritos, do lançamento de pedras ao mar, etc. Ajuda se houver algum fundo, mais de 5 metros é perfeito. 
Mas podem encontrar bons spots em zonas frequentadas por gente, um porto, uma marina, um pontão. Há sempre peixe para o LRF, uma  técnica pensada para conseguir peixes em quantidade, sem descurar alguma qualidade. 

No meio dos peixes que mariscam estas paredes, vai haver um com peso e tamanho a quem lhe apetece comer...um camarão.

Para conseguirmos peixes mais modestos em termos de peso não faz falta ir muito longe.
A maior parte dos pesqueiros de pedra tem o suficiente para nos fazer suar a trabalhar peixes. Aparecem sempre surpresas a meio de uma resma de bodiões, garoupinhas, cavalas ou carapaus.
Basta tentar...


Vítor Ganchinho


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