Gostamos de pensar que tudo aquilo que sabemos é fruto do nosso esforço, da nossa dedicação e entusiasmo pela pesca.
A maior parte de nós considera mesmo ser alguém que aprendeu apenas por si, sem a interferência de mais ninguém.
Este conceito de “self-made” mais não é que um erro crasso de observação.
Na verdade aquilo que sabemos chega-nos de todo o lado, de todas as pessoas que dedicam, ou dedicaram num passado não necessariamente recente, toda a sua vida ao fenómeno da pesca.
Somos apenas o acumulado das experiências de muita gente, de todos aqueles que, mais próximos ou mais longe de nós, acabam por nos influenciar.
Não deixa de ser curioso pensar que aquilo que sabemos fazer, o conhecimento prático que adquirimos, a técnica com que pescamos, pode ter sido imaginada do outro lado do mundo.
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| O tempo passa pelos barcos mas também por nós. O que fica é a experiência individual acumulada a qual, somada a todas as outras dá a...cultura de pesca de um povo. |
Da linha de nylon enrolada numa cortiça pelo velho pescador reformado ao engenheiro técnico da mais reputada fábrica de equipamentos de pesca, com todos eles aprendemos, a todos devemos uma vénia e um agradecimento.
Ser grato a todos mais não é que uma manifestação de sabedoria, de reconhecimento, de partilha de algo que nos une: a pesca.
Num momento em que a informação circula à velocidade de um click, saber mais não é difícil. Hoje em dia quem quiser saber não tem de partir pedra como fizeram os pioneiros da actividade.
O fenómeno da pesca à linha com canas e carretos fabricados, é relativamente recente, não terá mais de 60/ 70 anos entre nós.
Pescar com linha de mão nem sequer está assim tão longe quanto isso.
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| O tempo tudo degrada, mas a sabedoria fica. Investir em conhecimento é para a vida. |
Aquilo que avulta dizer sobre este tema é que os meios técnicos evoluíram imenso, os materiais são hoje indiscutivelmente melhores, mas não compensam a falta de peixe que se verifica.
Por outras palavras, havia muito peixe disponível porque se pescava apenas o suficiente para o dia, para vender a quantidade de peixe que poderia ser consumido, e de repente, com o advento do frio, a possibilidade de congelação, passou a poder pescar-se muito mais que o necessário. Para lucrar com isso, para fazer dinheiro com peixe.
Por outro lado, dos métodos de pesca mais artesanais, dos espinhéis de anzóis, passámos para as implacáveis redes dos arrastões. E aí, tocámos um ponto fulcral: a consequente destruição dos fundos já não afecta apenas o peixe capturado mas sim todo o habitat, arrasa os locais onde o peixe cresce e se desenvolve.
A redução de stocks dos últimos anos reflecte não só a acrescida pressão de pesca, por força do aumento demográfico e da crescente necessidade de alimento, mas também a maior eficácia dos meios utilizados.
Maior capacidade de pescar fundo, mais peixe pescado, mais dinheiro envolvido e por consequência disso, menos disponibilidade de reprodutores...menos peixe.
No fundo, nós criámos as condições para termos hoje uma tempestade perfeita...
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| O meu grande amigo Carlos Campos a cuidar de abastecer o GO Fishing IV. |
O tempo passa e não fazemos nada para alterar o estado de coisas.
Sem drásticas medidas de protecção, conforme fizeram os Estados Unidos, dificilmente poderemos vir a ter condições para ter mais peixe que aquilo que temos.
Podemos sim vir a ter muito menos...
Vítor Ganchinho
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