O TEMPO ESTÁ A MUDAR PARA O NOSSO ROBALO - CAP I

É minha opinião que para pescar robalos com sucesso é essencial conhecer e compreender em detalhe o seu comportamento alimentar.
Pescamo-lo pela boca, por aquilo que ele quer comer, logo saber sobre a sua alimentação é fundamental.
A dificuldade de conseguir ferrar um utilizando isco vivo é nula, afinal isso é aquilo que o peixe procura todos os dias, aquilo que lhe serve de alimento a cada instante.
Mas para quem pesca com artificiais e tem de ser capaz de reproduzir com um objecto de plástico, vinil ou chumbo aquilo que o robalo encontra na natureza, crescem as dificuldades.
Mais ainda porque aquilo que queremos ter na ponta da nossa linha é um robalo adulto, forte, e... astuto.

Este robalo lançou-se sobre um pequeno carapau que mordeu o jig. Não é perceptível na imagem, mas aqui ainda está no flanco direito do peixe, tendo caído a seguir.

No nosso país não nos podemos queixar da inclemência do tempo. Temos um clima temperado e isso faz com que o ciclo de crescimento do peixe seja relativamente rápido.
Bem pior estarão os países nórdicos onde, não obstante o aquecimento global dar uma ajuda, ainda assim as temperaturas permanentemente baixas oferecem ao robalo condições de crescimento lentas. Para as costas norte de Inglaterra, por exemplo, estima-se que um robalo de 4,5 kgs tenha cerca de 20 anos de idade.
Em Portugal, e dependendo da latitude em que seja pescado, esse mesmo peixe de 4,5 kgs terá entre 8 e 12 anos de idade. Aos 20 anos, um robalo nascido e criado nas nossas águas terá cerca de 11 kgs de peso.
Todos estes números podem variar, dependendo das condições de alimentação do peixe. Sabemos que no Algarve, de águas mais quentes, a taxa de crescimento é superior à do norte do nosso país.

Robalo pescado com jig pelo meu amigo Carlos Campos, a quem mando daqui um abraço!

Todos procuramos robalos grandes!
Sendo um peixe que é conhecido pelo seu vigor, pela sua capacidade de nadar em águas muito revoltas, por ser capaz de cavalgar a ressaca e a espuma das ondas, ainda assim também podemos encontrá-lo em baixios e águas tranquilas. Logo, o sítio em si não define se vai haver ou não robalos.
Diria mais: é mais frequente que seja encontrado em locais rasos e estuários tranquilos. E se possível, perto da costa.
Porquê? Porque um predador tem antes de mais de seguir as suas presas e se estas procuram escapar-lhe nadando em poucos palmos de água, eles....
Os baixios, território de muito peixe miúdo, mas também de caranguejos, camarões, chocos, etc, são um local de peregrinação de robalos. E por vezes de grandes robalos.
Podemos, se tivermos paciência e discrição, vê-los a fazer uma aproximação a uma vitima.
Aparecem-lhe com as barbatanas fechadas, tentando diminuir a silhueta, fazer-se discretos, e no último instante atacam velozmente, colocando tudo o que é o seu armamento bélico para fora.
Abrem as barbatanas para conseguir maior mobilidade, para travar e /ou mudar de direcção, os olhos focam naquilo que está à sua frente, e nesse momento nada mais conta: é tudo por uma presa.

Reparem no jig dentro da boca do robalo.

Peixes grandes são sempre peixes velhos e cautelosos, sabedores, fartos de passar por situações de aperto.
Podemos enganá-los, mas se em águas baixas isso implica uma aproximação furtiva, uma abordagem cautelosa. Pode acontecer, mas o mais comum é que um peixe de bom tamanho reaja negativamente à apresentação de uma amostra grande e pesada. O mais natural é que se afaste, assustado.
Quando muito próximos da costa, durante o dia, eles procuram entre as algas e vegetação submersa sobretudo pequenas presas, leves, discretas, e por isso, tudo o que sai do padrão causa medo, desconfiança.
Nestes casos, uma amostra pequena, menos de 8cm, leve, a não exceder os 7 a 10 gramas, sem pala, lançada não para cima mas sim nas proximidades do peixe, pode fazer a função.
Embora não seja incomum que se vejam em grandes cardumes em zonas profundas, e eu já os vi debaixo de água às centenas, quando os robalos caçam baixo, e se tiverem essa possibilidade, preferem fazê-lo a sós.
Penso mesmo que têm uma certa territorialidade, respeitam e fazem respeitar o seu território.
A sua atitude perante outros “concorrentes” é a de abrir as barbatanas, fazerem-se maiores, mostrarem tamanho, numa demonstração de ameaça característica. Há um espaço que é seu.
Em zonas intertidiais, o território entre marés, se estiverem numa área de mar descansada, alimentam-se em pouco mais de um palmo de água, sobretudo na entrada da maré cheia.
Irão sair uma hora após a maré alta, no início da vazante, quando a água começa a escapar-lhes debaixo do corpo. A saída de água é um sinal para o robalo de que nessa maré o que podia ser feito ...já foi feito.

Terminamos no próximo número.


Vítor Ganchinho


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