JIGS LEVES VERSUS JIGS PESADOS - CAP III

Falta-nos, para darmos por terminada esta sequência de comentário a uma questão colocada por um dos nossos leitores, analisar a questão do peso dos jigs, do seu desempenho, da sua efectividade, das vantagens e desvantagens em pescar mais pesado.
Perguntava-nos o leitor algo como: “se um jig de 40 gr leva bastante mais tempo a chegar ao fundo que um de 100 gr, não pescamos menos tempo”?
Parte da resposta podem encontrá-la nos dois primeiros artigos desta série.
Façamos um primeiro ponto prévio: o mérito ou demérito de uma técnica ou de um equipamento, podem facilmente ser aferidos pelos resultados que proporcionam. Se resultam, ...são perfeitos.
Acredito pouco em técnicas e conjuntos de pesca que...não pescam. Por mais que os seus apologistas me garantam que são super equipamentos e que as suas técnicas são absolutamente mirabolantes, aquilo que conta, para mim, é mesmo o resultado final: o sistema pesca ou não pesca?!

É isto que eu faço com os meus jigs levezinhos, em fundos baixos. Para passar uma manhã divertida não é necessário sofrer agruras nos braços e costas com jigs ultrapesados, basta aprender a fazer light jigging.

Aqui, vamos para um segundo ponto: eu sou e serei sempre um indefectível entusiasta de pescar ligeiro, fácil, sem cargas excessivas.
Maça-me pescar com pesos que me obriguem a ter de parar de pescar por cansaço, por esgotamento físico, por necessitar de recuperar o fôlego.
E não são apenas as pessoas que fazem speed-jigging, são também as outras, as que fazem slow-jigging. Lançam pesos de 300/ 400 gramas para os abismos e recolhem a linha à mão, manivelada a manivelada, ...para a seguir a lançar outra e outra vez.
Tenho amigos meus que me dizem: “Vitor, eu pesco meia hora e descanso pelo menos uns dez a quinze minutos....doem-me as costas e os braços ...não aguentam mais”.

Jig Little Jack de 38 gr, com o qual tenho feito dezenas de robalos este ano. São incríveis de eficácia...

Isso nunca me aconteceu com os meus jigs miniatura de 30 ou 40 gramas, e com eles pesco pelo menos tanto peixe como outros que recorrem a jigs muito mais pesados, e sistemas bem mais robustos.
Não me parece que alguém possa estabelecer uma relação jig pesado/peixe grande.
Também não me parece que valha a pena rebentar com os braços e costas, para conseguir meia dúzia de pargos ou robalos.
O que não falta é peixe grande disponível para morder os meus jigs pequenos e eu faço isso a profundidades que começam nos 15 mts e não excedem os 60 a 70 metros!
Conheço sim pessoas, amigos meus, que pescam muito mais pesado, e normalmente muito mais fundo, (alguns a 600 metros...) e na maior parte dos casos trazem para casa apenas dois braços fatigados dos jigs de 250/400/ 500 gramas e... um sabor amargo na boca...
Não sou super-homem nenhum e por isso dispenso sistemas que recorrem à última gota de energia dos músculos para produzirem pseudo resultados.

Em baixios também entram peixes grandes...

Se sabemos que grande percentagem da vida marinha se concentra nos primeiros metros de mar, faz sentido ir procurar peixes no limite da zona fótica, no escuro, onde a vida é residual?
Porquê fundo se pode ser baixo?
Os resultados assim o dizem, eu não tenho dúvidas de que há peixes bem acima das ditas “centenas de metros”....porque os pesco todos os dias.

Vejam o filme:

Clique na imagem para visualizar e na rodinha das definições para melhorar a qualidade.

Uma outra questão deste leitor prende-se com a presumível maior eficácia de um jig pesado contra um mais leve. Ele garante que sim.
Nem por sombras concordo...aliás discordo de forma absoluta. Ou não tivesse eu milhares de peixes feitos com jigs ligeiros....
Aquilo que tem de ser analisado é a forma de utilização dos jigs, o como, o onde, o quando.
Se em profundidades significativas, abaixo dos 100 metros, a resposta é evidente: há que subir o peso. Já quando os metros de sonda são intermédios, grosso modo entre os 20 e os 80 metros, posso assegurar que um jig pesado não garante mais capturas que um outro mais “magro” de gramagem.
Em determinadas circunstâncias, um jig ligeiro pode ser uma arma tremendamente eficaz. E não, não se pesca menos tempo, porque uma queda mais lenta permite pescar os dois momentos da viagem da peça, a descida e a subida.

Um concentrado de tecnologia japonesa: as linhas de um jig Cultiva, da casa Owner.

Há um momento crítico em que todos aqueles que pescam pesado ficam inevitavelmente a perder...e vou falar-vos dele.
Certamente para todos os meus colegas que fazem jigging isto não será nada de novo: há ataques que se produzem no exacto instante em que o nosso jig toca o fundo.
Não é antes nem depois, é precisamente no momento em que o jig bate no fundo, ou seja, quando a linha ainda está a correr, a sair do carreto.
Considerando o atraso de informação que decorre entre a pancada do jig e a paragem da linha, visível à superfície na bobine do nosso carreto, falamos de ...fracções de segundo.
Para nós é um momento difícil pois estamos na fase de armar o pick-up do carreto, e não temos ainda a linha em tensão. Alguns peixes bons perdem-se por má ferragem neste momento crítico.
Trata-se de um ataque brutal, muito rápido, o peixe está emboscado, próximo o suficiente para morder ao contacto da peça com o fundo.
Sente-se uma pancada forte! 
Há que reagir de forma instantânea, bloquear o carreto e ferrar...mas isto leva algum tempo, por pouco que seja. Nem sempre conseguimos.
Para quem pesca pesado, o espaço de tempo que medeia o momento em que a linha ainda está solta a correr nos passadores e o momento seguinte, o da ferragem violenta, é bastante superior.
E perde-se o peixe.

Nascer do dia deslumbrante! Esta é a hora de estar no mar, quando o peixe diurno começa a procurar comida...

Os factores que me podem levar a preterir um jig em função de outro são, em primeira análise, o peixe que quero pescar, a profundidade, a força da corrente, a deslocação do barco.
Reparem, aqui temos sempre a considerar a forma do jig, para além do seu peso intrínseco.
Dois jigs podem ter exactamente o mesmo peso e um é bom e outro é ruim, ...para aquelas condições de mar. 
No caso de jigs em formato agulha, aí sim, é evidente que um jig estreito e comprido, com peso acrescido, irá reduzir um pouco as nossas possibilidades de pescar na fase descendente, de termos toques na descida, os mais difíceis de detectar.
A sua forma longitudinal não oferece resistência à água, a força de impulsão não encontra nele pontos de apoio e por isso afunda muito rápido. Basicamente é ...um prego.
Isto significa que desce mais depressa, para mim, por vezes ...depressa demais. Porque gosto de detectar os toques que tenho na descida, pescar com agulhas é algo que faço só em momentos de completa impossibilidade de utilizar jigs mais largos. Leia-se dias de vento e corrente forte. 
Mas não se fica por aqui a inconveniência de pescar mais pesado.
Quando o mar está parado e o peixe se encontra alvorado, muito acima do fundo, a forma mais difícil de o pescar é mesmo lançar um jig pesado que desça vertiginosamente. Faz sentido ou não?!
Passamos a ter uma única possibilidade, a de ele estar próximo do ponto de subida do jig e aí sim, iremos pescá-lo na fase ascendente do lançamento.
Um jig leve, a descer lentamente, pesca quer na queda quer também na subida. Por outras palavras não passa como uma bala pelo peixe que está a meia água, dá-lhe sim tempo para tentar interceptar o dito aquando da descida.
E com isto considero respondidas as questões colocadas.
Estejam à vontade para colocar questões no blog, eu tenho sempre muito gosto em tentar ajudar, se sentir que o posso fazer.

Boas pescas para todos os leitores do blog.


Vítor Ganchinho


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