NEVOEIRO - PESCAMOS COM O QUÊ? - CAP III

A neblina terrestre é muito comum em Portugal.
As condições atmosféricas ideais para a ocorrência de nevoeiros são algo que nos surge sobretudo no inverno e vamos ver quais as condições para que aconteçam:

Primeiro ponto - para que a neblina terrestre se forme, o ar deve estar húmido, bem húmido. 
O céu à noite deve estar relativamente limpo de nuvens. 
A razão é simples: a terra arrefece irradiando o seu calor para a atmosfera, e essa radiação e o consequente arrefecimento do solo são inibidos por céus com mais de metade de cobertura com nuvens.

A presença de ventos fracos ajuda a fixar a condensação na camada superficial da terra. Com pouco vento, a condensação permanece agarrada ao solo sob a forma de ...orvalho.
Se o vento estiver muito forte, a neblina dispersa-se ou levanta acima da superfície do solo. 
Valores bastante específicos têm de verificar-se para que ocorram essas condições:

- Humidade relativa superior a 80%.
- Céus com menos de metade de cobertura de nuvens.
- Velocidade do vento entre 3 e 9 nós.

Em dias de nevoeiro, os peixes estarão muito próximos da superfície. Podemos usar vinis muito pouco lastrados para conseguirmos bons peixes.


A neblina marítima, ou neblina de advecção, como também é conhecida, é causada pela passagem de ar quente e húmido sobre o mar frio.
Nestes casos, os peixes terão vantagens em se posicionarem na primeira capa de água, porque ela estará aí mais quente que mais abaixo. E se estão muito próximos da superfície, faz sentido ir procurá-los junto ao fundo? Talvez não, ...

Então vamos pescá-los com vinis ou com amostras rígidas de superfície, o caso dos passeantes, os nossos “walk the dog”, e de certeza teremos bons resultados. Mais que isso, as condições de nevoeiro no mar tendem a ser algo persistentes!
Significa tal que vamos ter muito tempo para podermos explorar essas condições. 
Uma vez formada, a neblina marítima tende a permanecer inalterada durante o dia porque a temperatura do mar, ao contrário da temperatura da terra, permanece constante entre o dia e a noite.
A neblina marítima normalmente só se dispersa quando há uma mudança para ar mais seco ou mais frio – geralmente sinalizada por uma mudança na direção do vento, trazendo ar de uma fonte diferente.
Ventos com força acima de 20 nós levantam-na e a chuva torna-a mais fina.

Westin Spot-On Top Walker 15g 10cm Floating - Silver Arrow - Ref: 5707549461716


E vamos pescar com que cores?

Pensar um pouco no assunto traz-nos a resposta certa: se os peixes sobem, eles irão estar a procurar o tipo de comida que existe na linha de superfície.
Quem anda por aí são os peixes que ocupam esse espaço em permanência, os peixes agulha pequenos, os alevins que se encontram em deslocação para zonas estuarinas, etc.
Logo, as cores de azul quase transparente, os transparentes absolutos, e as formas finas e longas, estão no ponto certo.
Também em termos de amostras rígidas, podemos e devemos tentar os passeantes em cores neutras, (a quantidade de luz será sempre a suficiente para que sejam detectados pelo predador), como os verdes, os azuis suaves, e até os brancos.

Quando o peixe está muito acima, não precisamos de pesos excessivos já que ao afundar isso iria retirar a amostra do ponto de ataque.

Tudo aquilo que tivermos de “armamento” ligeiro é para ser utilizado. Leia-se amostras em forma de agulha, estreitas e longas, com pesos até aos 10 gramas, as quais devem ser lançadas com linhas finas.

Se estamos a pescar à superfície, a probabilidade de enrocarmos é quase nula, pelo que podemos privilegiar a maior distância de lançamento, em detrimento da força e solidez de uma linha mais grossa. Bem sei que há pessoas que não conseguem pescar muito ligeiro porque as linhas que compram para equipar os seus carretos são sempre...”zero grosso”.
Para esses, a solução terá sempre de passar por uma amostra um pouco mais pesada, (ou não conseguem lançar...), por exemplo esta que segue:

Westin Sandy Andy Jig 22g 13cm - Bluetooth (vendido 1 cabeçote + 2 vinis) Ref: 5707549460139
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Em que condições teremos então peixes mais receptivos?

Se a temperatura do ar estiver mais fria que a da água do mar, ou se a temperatura cair repentinamente quando a neblina chegar até nós, isso parece desencorajar os peixes de se alimentarem.
Nestas situações, os peixes deixam de se alimentar. Aquilo que fazem é ir para o fundo, onde estão mais protegidos, e mais que isso, estarão mais próximos das suas presas naturais.
Os peixes miúdos, na presença de temperaturas mais baixas, irão afundar, param de se alimentar, restringem ao máximo a sua actividade alimentar, passam a estar mais concentrados em garantir algum conforto térmico (os peixes são seres exotérmicos, a sua temperatura corporal é a mesma da água), e com eles levam para o fundo os nossos peixes alvo, os seus predadores.

Mas também podemos ter uma frente quente, e aí, se o ar estiver mais quente do que a água em condições de neblina e a temperatura continuar a subir quando a neblina chegar, isso parece incentivar os peixes a entrarem em frenesim alimentar.
Boas notícias para quem pesca!


Quando isso se verifica as condições de mar geralmente são calmas e a cobertura de neblina cerrada reduz a quantidade de luz solar que chega à água, o que favorece o mimetismo dos predadores. Vamos tê-los activos!
Se a neblina for do tipo radiação ou evaporação, definitivamente vale a pena esperar até que ela se dissipe, pois isso geralmente indica um aumento na atividade dos peixes, já que a temperatura do ar também terá tendência a aumentar.
Se a neblina for de advecção (neblina marítima) e estiver presente há algum tempo, provavelmente não vale a pena ter grandes esperanças... até que haja uma previsão de aumento na intensidade do vento suficientemente forte para dissipar esse nevoeiro.

Shimano COO 100F XAR-C - 10g – 001 Ref: 4969363646255
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A pesca não é uma ciência exata, portanto, não considerem as ideias acima como verdades absolutas e insubstituíveis. Elas servem apenas como guia geral de condições, de referência.
Mesmo assim, mesmo quando tudo parece contra nós, pode ocasionalmente acontecer um milagre e nesse caso, é bom que estejamos a lançar linhas...
O importante é ir pescar.

Talvez entendam agora que os últimos três artigos do blog não poderiam ter sido condensados num único.
Boas pescas para todos!


Vítor Ganchinho


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