Pelamo-nos por esticar os nossos peixes!
Se o “bicho” tem 3.5 kgs, ...para nós, forçando um pouco a balança, tem quase 4.5 kgs. É ou não verdade?
De um peixe comum, fotografando no ângulo certo, fazemos um recorde.
E todavia sermos detentores de um máximo mundial não é assim tão difícil! Pelo contrário.
Basta olhar para os máximos registados para certas espécies no Livro IGFA para verificarmos que afinal muitos dos recordes do mundo para a espécie já foram ultrapassados por cada um de nós por diversas vezes.
Porquê? Porque há uma diferença abismal entre o que é comum pescar-se nas nossas águas e aquilo que consta do livro oficial de marcas de peixes.
Afinal o que é isso de recordes do mundo de peixes, e que possibilidades temos de constar nele?
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| O robalo pode atingir dimensões insuspeitas... |
Muitos dos peixes recorde pescados no nosso país não chegam ao conhecimento das entidades oficiais, as IGFAS deste mundo.
São embrulhados em azeite, batatas a murro e rodelas de cebola, forno quente e o assunto está resolvido.
A razão prende-se com os custos exorbitantes, alguns milhares de euros, que estão inerentes ao registo dos troféus.
Mais até do que os rigorosos preceitos técnicos, sempre necessários para garantir credibilidade ao acto, estão os valores envolvidos no registo de um peixe como recorde mundial.
E isso explica a razão de haver peixes com medidas modestas a figurar nos catálogos de capturas máximas.
Dou-vos um exemplo: se pesquisarem o recorde de um peixe vulgaríssimo entre nós, a cavala comum, Scomber colias, vão ver que não há registo público.
É mesmo dito que se trata de um peixe que não ultrapassa o quilograma de peso.
Para os brasileiros, que têm a mesma espécie, o peso máximo registado são uns indigentes 600 gramas...
Porém, eu já as pesquei acima dos 2 kgs. E já vi, do pontão do Clube Naval de Sesimbra, exemplares que não teriam menos de 3 kgs!!
Ficam monstruosas de gordas, ruins para comer dada a gordura que acumulam, e de tal forma compactas e largas que a mão de um homem não as consegue abarcar pelo lombo.
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| Este é o ambiente em que vale a pena procurar um bom robalo. Águas agitadas e com boa oxigenação. |
Pede-se a quem quiser registar como seu o recorde nacional que não faça confusão com a sua parente próxima, a sarda, Scomber scombrus, a nossa “cavala-do-Atlântico”, a que afinal de contas é sarda mas não tem sardas, tem riscas.
No entanto, aquilo que os registos portugueses referem é que se trata de um peixe de 20 a 40 cm.....pois sim, aceitemos isso como uma piada frouxa. Quase todas as sardas têm 40 cm ou mais, pelo que as possibilidades de figurarmos no tal livro são imensas. A questão é que para peixes menos nobres ninguém está disposto a gastar dinheiro para ser o tal, o “eleito”.
Registrar um peixe recorde na IGFA envolve custos diretos de aplicação (aprox. $50 USD para membros, com taxas adicionais), além de custos indiretos como envio de amostras de linha, fotos e documentos para a sede da IGFA, na Florida, USA.
Ser membro da IGFA (de $20 a $1500 USD) é geralmente necessário ou recomendado para a homologação. Também é obrigatória a utilização de uma balança certificada, calibrada, e isso traz custos acrescidos.
Quem é que faz isto por uma...cavala?!....
Não vai mudar, não há forma de proceder a um registo de forma gratuita, ou próximo disso, as organizações dão trabalho a pessoas e elas têm de ser pagas.
O que vai ter de ser registado são as capturas diárias, e sendo disposições legais, não há forma de ignorar.
A partir de 9 de fevereiro de 2026, data da publicação do decreto, os pescadores recreativos em Portugal são obrigados por lei a utilizar a aplicação RecFishing da DGRM para registar as suas capturas de algumas espécies, o que de alguma forma poderá facilitar a oficialização de futuros recordes de peso (para essas espécies em concreto).
Passo a informação que pode ser consultada integralmente no site da DGRM:
O Regulamento 2023/2842, de 22 de novembro veio introduzir alterações ao Regulamento 1224/2009, de 20 de novembro, estabelecendo um conjunto de novas obrigações para a pesca recreativa, nomeadamente que os pescadores recreativos comuniquem eletronicamente e diariamente as suas capturas, para determinadas espécies sujeitas a medidas de conservação da União Europeia.
Em Portugal as espécies abrangidas são:
Para o efeito, Portugal optou pela utilização da aplicação para telemóveis desenvolvida pela Comissão Europeia (COM) – App RecFishing.
Esta App, está disponível para ser descarregada nas lojas de aplicativos móveis (Google Play e Apple Store), com efeito a partir de 9 de fevereiro de 2026, podendo já ser utilizada.
Dúvidas na utilização da aplicação podem ser colocadas através do endereço de email app_pescaludica@dgrm.pt.
Na verdade, e atendendo ao nível de capturas habitual, apenas o robalo toca a um número de pessoas verdadeiramente significativo.
Todos os outros peixes são reservados a quem os procura em específico.
Vítor Ganchinho
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