ATUM GIGANTE - UM PEIXE DE VOLTA AOS NOSSOS LUSOS PESQUEIROS

Há um ciclo que se repete, ano após ano.
Quando chega o mês de Abril começamos a dar conta de que algo pega nos nossos jigs, nas nossas amostras.
Uma pancada seca, uma corrida rápida, uma rotura de linha, ...um jig que se vai.
São eles, os atuns.

Quando estamos em maré de sorte pode calhar-nos um dos pequeninos...

Os mais “maneirinhos” podem ter pouco mais de 20 kgs, e são muito fáceis de pescar, os maiores ultrapassam os 300 kgs e são um pesadelo que ninguém quer ter no anzol.
Tenho amigos que, mal dão pelo poder absurdo de um destes mastodontes, cortam de imediato a linha.
A força que desenvolvem é assustadora, mas, mais que isso, é o tempo de combate que estão dispostos a tomar-nos até se renderem.
Dependendo do nível do equipamento que estamos a utilizar, podemos contar com mais de 9 horas de luta. Ninguém fica fisicamente ileso e bem disposto depois de uma “sova” dessas.

Os grandes são muito mais um pesadelo que um troféu...

Chegam-nos nesta altura, (haverá alguns que acabam por nem ir embora e passam todo o ano por aí, a engolir cavalas e carapaus à desfilada), e serão os responsáveis por estranhos fenómenos que acontecem a quem está inocentemente a enrolar linha, a recuperar um qualquer peixinho vindo do fundo.
De súbito, do nada, algo acontece e percebemos imediatamente que aquilo que está a fazer força vai muito para além das nossas possibilidades, é muito mais forte que os peixes que habitualmente pescamos. Algo que está muito para além dos limites de resistência do nosso material....
São inúmeros os casos que tenho vivido a bordo com “gente” desta, a tramarem-me a mim e aos meus colegas, a levarem uma bobine de linha em segundos.

Os cardumes arribam à nossa costa de abril a junho, e estarão por cá, de forma massiva, até final de Julho, mês em que saem em debandada para o seu período de reprodução, dentro do Mediterrâneo.
Estes atuns contam com a riqueza de peixe das nossas águas para engordarem, para criarem forças e ganharem coragem para a sua longa viagem de reprodução.
Quando sentem que está no ponto, quando as gorduras já lhes garantem três meses em que a alimentação nem é a principal preocupação, lançam-se pelo estreito de Gibraltar dentro e vão cumprir a sua nobre função de perpetuar a espécie.
Voltarão a seguir, nos meses de Setembro e Outubro, magros, desova já feita, para reabastecer antes de saírem Atlântico fora. 

A nossa costa serve-lhes na perfeição para comerem peixe até não caber mais. A chegada de milhões de cavalas aos baixios serve-os na perfeição e acontece exactamente quando e onde deve acontecer.
A cavala entra com a subida da temperatura das águas e o atum faz-se convidado.


Recordo-me de, na época passada, estar com o meu colega Carlos, a bordo do GO Fishing IV e repentinamente começarem a saltar atuns a toda a volta do barco.
Atuns gigantes, bonitos, gordos, a saltar a poucos metros de nós, não é algo a que se possa ficar indiferente. Para quem gosta de pesca será sempre um momento raro e espetacular.
Infelizmente, embora o material pesado constasse do armamento que levávamos nesse dia, não nos encontrávamos ainda preparados para eles, as canas estavam ainda nos caneiros, não montadas.
Nesse dia não houve mais avistamentos.

Podem comer a qualquer hora do dia, não há uma regra rígida. De repente a superfície do mar explode em água revolta, peixe miúdo salta o mais que pode para salvar a vida, perseguido pelos grandes senhores do mar azul.

Para quem sonha um dia poder arrojar um peixe destes ao seu barco, aqui vai uma lista de material adequado, para uma solução de pesca ao corrico:

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A opção pode ser a de os pescarmos com isco vivo, com isco morto, com amostras ao spinning, ao corrico, etc.
Difícil é saber exactamente onde estão e a que horas comem. 
Mas os encontros sucedem-se, e são cada vez mais comuns.
Muitos pescadores acabam por ser surpreendidos quando fazem outros tipos de pescas, e quase invariavelmente não são capazes de reagir porque não estão equipados. 
Fica invariavelmente o amargo de boca....e a certeza de que são bestas de força, com uma potência absurda. 
Eles já estão aí há algumas semanas.

É dar-lhes!...


Vítor Ganchinho


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