Tenho a rara felicidade de já ter pescado em Angola ao lado de uma figura ímpar da pesca em Portugal: Luís Ramos de seu nome.
E tive a oportunidade de, neste blog, escrever linhas suficientes sobre ele e as suas técnicas de pesca para que possam adivinhar a riqueza de conhecimentos que o Luís pode passar a quem o escuta com atenção.
Pois sim, vai realizar-se em Setúbal, no próximo dia 18.07.26, um seminário em que o Luís irá dar-nos a possibilidade de o podermos ouvir de viva voz explicar como faz, com que equipamentos, e a que peixes.
É uma oportunidade que não deve perder-se.
Este encontro, infelizmente reservado apenas a 60 pessoas, só poderá ser um tremendo sucesso!
Abstraindo-me da amizade que nos une, e do quanto é agradável passar algumas horas com ele a falar de pesca, (tenho já muitas dezenas de horas a pescar no seu barco “Incrível”, no Lobito) eu estarei lá para aprender.
Mais uma vez terei a possibilidade de ficar a saber mais, e eu não perco uma oportunidade de fazer formação e melhorar os meus conhecimentos.
Fazer formação é importante.
Pescar será sempre um exercício contínuo de dúvida e interrogação. Daí a importância da partilha de experiências, de sabermos como fazem os outros.
Mais ainda se são credenciados na matéria, se sabem aquilo que ele sabe.
Quando pesco a seu lado, eu foco toda a minha atenção na pesca, esqueço o quanto é difícil controlar o vento, a corrente, as ondas.
Só pesco.
Quando o mar está bravo e inclemente, quando tudo nos incomoda e pouco parece haver a fazer, ele levanta a mão e acalma as águas.
Trabalha os comandos do seu barco com a mestria de quem controla um ecrã através de um teclado.
Pescar ao seu lado é um privilégio, e uma fonte de inspiração para quem gosta de passar a letras aquilo que os olhos veem.
O meu caso.
Todos nós temos os nossos métodos, a nossa forma de fazer.
Até para escrever um artigo de pesca há princípios, há processos. Posso dizer-vos algo sobre isso, até porque nunca o comentei com o Luís.
Por estranho que vos pareça eu tomo mentalmente nota daquilo que acontece quando estou a seu lado.
Registo o que me interessa e de imediato faço uma história curta e uma versão mais longa. Arquivo tudo no cérebro, bem arrumadinho, para utilização futura.
Nessa fase, o Luís vê-me a olhar para a linha de horizonte e se me perguntar algo pode acontecer que eu nem lhe responda.
Estou fisicamente sentado na proa do barco “Incrível”, o corpo está ali, mas na verdade o espírito estará algures em frente a um ecrã de computador, a escrever tão depressa quanto os meus dedos aguentam escrever rápido.
Lamento desapontar-vos mas eu sou algo lento de mãos.
Bem rápido é um baterista de nome Siddharth Nagarajan, pessoa que atingiu a impressionante marca de 2109 batidas de bateria no espaço de um minuto. Reparem que entre batidas não há mais que alguns milésimos de segundo…35 milésimos, concretamente.
Eu sou muito mais lento a escrever estes textos.
Só por isso e porque escrevo gratuitamente para vocês, acho que merecia um like no fim do artigo. Mais de 95% dos leitores irão ignorar-me, “motivando-me” assim com a sua indiferença ...a escrever mais…
A versão curta que retenho não passa do registo “jornalístico” do tema e essa, digo-vos, tem pouco interesse para quem lê sobre pesca. Corresponde ao acto simples, a tal coisa do …balde de peixe.
Isso é o que fazem os milhares de “escritores” que publicam posts nas redes sociais e que a mim, francamente, me chegam a repugnar pelo que representam de mero exibicionismo e vaidade.
A história longa essa sim, é romanceada, “marmelada”, e reflecte sempre o meu lado mais rebuscado e artístico.
O Luís Ramos não me perdoaria se eu tratasse qualquer detalhe de uma das nossas expedições de pesca dessa forma curta e seca.
Referência simples ao número de peixes e ao seu peso é o que ele faz diariamente e até faz melhor que eu.
Ele, enquanto profissional, vive com essa informação todos os dias, utiliza-a para vender o peixe que captura. “São X quilos”…, diz ele ao cliente.
O que ele quer de mim é aquilo que ele não faz, é o tratamento ficcionado daquilo que ele me mostra no mar.
Enquanto pessoa que vive de vender o peixe que pesca, vive a sua profissão de uma forma objectiva, real, enquanto que eu posso vê-la pelo seu lado belo, o lado artístico e glamoroso da pesca.
Se concordamos sempre? Não, nem por isso.
Mas como ele é o dono da batuta, a pessoa que conhece o barco, os peixes e o pesqueiro, a opinião que prevalece é a dele. Em Roma, ... sê romano.
Eu, nas suas angolanas águas, pesco com aquilo que ele acha melhor: escolho a cana, o carreto, as linhas e os jigs em função das directrizes dele.
Sinto-me pouco incomodado com isso porque sei que estou em boas mãos.
Se inventar posso dar-me mal. Um pouco como querer escolher a roupa que vou vestir, os sapatos que vou calçar, sem saber onde vou e o que vou fazer.
Ele sabe, já foi e fez aquilo muitas vezes, por isso …é seguir.
De resto, e para entender as razões dele para usar este ou aquele tipo de equipamento de pesca, esta linha, aquele tipo de anzol, parece-me importante invertermos a forma de pensar.
É muito mais fácil lá chegar analisando o peixe. Primeiro o peixe.
E partir daí para o equipamento necessário para vencer o peixe.
Se quisermos ser práticos e poupar tempo, copiamos aquilo que ele faz, afinal de contas ele é profissional e faz isso todos os dias. Trabalha nisso todos os dias.
O que não devemos fazer é escutar opiniões avulsas de pessoas que nada sabem sobre o assunto.
Mal comparado isso funciona como os boatos: começa por ser dito “joga no 24 vermelho” e no fim, depois de passar por centenas de pessoas, aquilo que sai é algo parecido com: “aposta no 42 preto”! Ora não é igual.
Vamos por quem sabe por experiência própria, não por quem ouviu dizer que…
Bem sei que muitas pessoas irão participar sem terem um particular interesse pelo jigging.
Outras vão entrar apenas para rever amigos....retirando espaço a outros que gostariam de poder aprender algo.
O facto destes encontros não serem pagos traz também isso.
É bom reter que aquilo que por cá irá acontecer de forma gratuita seria cobrado por valores significativos caso fosse feito em Nova Yorque… e estaria cheio.
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| Tenho lugar cativo no barco do Luís, o “Incrível”. Secção de grávidas e pessoas de idade... |
O momento deve ser aproveitado por quem se quer iniciar no jigging, claro que sim, mas o orador merece que estejam presentes os pesos pesados do jigging em Portugal.
Porque com o Luís podemos ir ao limite: ele tem opinião sobre os mais ínfimos detalhes, porque os trabalha no seu dia a dia de mar.
Aproveitem!
Vítor Ganchinho
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