QUANTO VALE UM AMIGO?

É pública e notória a minha admiração por uma pessoa que a maior parte de vós conhece: o prof José Rodrigues.
Por diversas vezes tive a oportunidade de o trazer aqui às páginas do blog e sempre por razões nobres e positivas.
Ou não se tratasse de alguém com uma postura íntegra, uma personalidade respeitada entre pares e seguramente um dos melhores dos nossos melhores a pensar a pesca nacional.
Francamente acho que nos faltam mais pessoas assim.
Falta-nos gente com visão e capacidade intelectual para projectar a pesca à linha a um patamar superior.


Alguém que consiga ver mais além, que vá para além da espuma dos dias que correm, da insuficiência das redes sociais, da pobreza franciscana dos que, a coberto do anonimato, se atrevem a dizer tudo de todos.
De cana na mão e garrafa de cerveja na outra é minha opinião que estamos bem fornecidos.
Atendendo às figuras que vejo fazer por esse mar, teremos até porventura gente em excesso, a mais.
Basta passar os olhos de relance por aquilo que nos é “mostrado e escrito” e facilmente percebemos que o termo “pescador” é um chapéu muito largo que tapa do sol muita gente.
Uns serão bons e outros ...nem tanto.

Vejo muita gente a pescar de forma irresponsável, a guardar na geleira peixe miúdo, a lançar plásticos para a água, a não respeitar as distâncias entre embarcações, a “roubar” localizações de pedras, a pescar tecnicamente muito mal. Há gente que pesca muito mal!!
Vocês não acreditam o quanto se pode pescar mal a bordo de um barco....
Gente que não tem a menor noção do que está a fazer com uma cana na mão.
Gente que não faz mais que a figura do transtornado cavaleiro montado num cavalo ...que não lhe obedece.
Rédeas para a esquerda, cavalo para a direita....

Um jig com o qual tenho feito pescas muito interessantes, o Forma Spoon, da Little Jack.

Por isso precisamos tanto de pessoas diferenciadas, que ajudem.
Temos gente de menos a divulgar conhecimento, a ir ao fundo de questões técnicas, a partilhar experiências, a elevar a pesca ao nível de arte.
Gente que ensine.
O José Rodrigues está definitivamente neste último e restrito grupo: dos que nos fazem falta.


São tão poucas as pessoas com este grau superior de intelectualidade que, quando uma delas tem um problema, por passageiro que seja, a comunidade da pesca treme e fica em apuros.
Tenho a rara felicidade de poder contar com o prof. José Rodrigues como amigo pessoal e obviamente fiquei preocupado por saber que estava a passar um momento difícil em termos de saúde.
Preocupado por ele não poder ir lançar as suas linhas ao mar, experimentar o seu novo barco, um semirrígido equipado para o jigging, a kabura, o tai-rubber, as técnicas nipónicas que lhe interessam.
Admirador da cultura japonesa e da capacidade inventiva daquele povo, do seu foco na qualidade de execução, do respeito social, é o tipo de pessoa que todos nós gostaríamos de ter como irmão mais velho.
Sei que deve estar a roer as unhas, a contar os dias que lhe faltam para poder voltar a sair e por isso, daqui, deste meu lugar de modesto escritor de textos de pesca, quero enviar-lhe um estímulo, um abraço forte.

Este vídeo vai por si, Zé!

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Deixo-lhe os meus votos de um rápido restablecimento.
Os pargos esperam-no, amigo!!


Vítor Ganchinho


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