A QUESTÃO DOS VINIS E SEUS CABEÇOTES DE CHUMBO - CAP II

Muitos daqueles que me leem são pescadores de pontões, de portos, e de zonas rochosas com baixa profundidade.
Se pescamos da costa em canais rasos com apenas 2 a 3 metros de profundidade, provavelmente é melhor levarem uma seleção de cabeçotes de chumbo com pesos variando de 3 a 10 gramas, combinados com iscas de corpo macio entre 5 e 7,5 centímetros de comprimento.
Não mais que isso.
Por vezes chegamos ao local e a corrente de maré ainda está forte. Nesse caso, é melhor começar por usar o peso mais pesado, de 10 gramas, e ir aligeirando à medida que o estofo da maré chega.
Menos corrente, menos peso a carregar o nosso vinil.
O objetivo é fazer com que o vinil passeie junto ao fundo, oscilando com a corrente, mas sem que isso nos provoque prisões no fundo. De notar que o vinil deve ser lançado ao través da corrente, ou até a favor, mas nunca contra ela.
A razão é esta: um predador sabe por genética e experiência própria que as suas pequenas presas não nadam....contra a corrente!
Pesquem utilizando um vinil pensando sempre em o utilizar da forma mais natural possível. 
Façam do vosso conjunto de chumbo e vinil algo de muito natural. Se houver essa possibilidade, e caso não existam encalhes significativos, deixar bater contra o fundo, levantar um pouco de poalho, é uma boa medida. 
Isso chama a atenção daqueles que procuram um peixe...”desorientado e fácil”.

Versões de vinis Berkley

Em águas profundas, principalmente onde há corrente, pode ser essencial que o cabeçote do jig afunde rapidamente até o fundo.
Selecionar uma cabeça de chumbo mais pesada e combiná-la com uma borracha de cauda fina é uma boa opção. Esqueçam as amostras com cauda shad, as de palas. Isso não vos irá deixar trabalhar!

A Savage tem estes vinis, as “enguias verdes” de 14,5 e 16cm, e digo-vos que com cabeças de chumbo de 28 gramas permitem ir buscar robalos a 40 metros de fundo!!
Quando, por oposto, temos uma leitura de sonda que nos mostra os robalos a meia água, podemos fazer uso das caudas de pala, as quais atrasam a descida, tornam-na mais lenta, travam a descida, e permitem ao predador fazer a sua intercepção com mais facilidade.
De qualquer forma, será sempre da perfeita conjugação entre a forma do chumbo e do formato do vinil que iremos viver.


Para aqueles que têm um barco, nada como deixar o barco ir na deriva, solto, e explorar cada recanto do fundo, a deixar rocegar a isca, a fazê-la bater no fundo, e a provocar os grandes robalos deste país. Que os temos!
Fundamental para a pesca de barco com vinis é lançar a amostra precisamente na direção em que o barco está a derivar, à frente do barco, e trabalhar a isca de volta, lentamente, à medida que derivamos sobre ela.
Aqui, o truque é garantir que a taxa de afundamento do vinil seja ligeiramente mais rápida do que a taxa de deriva do barco, para que este chegue ao fundo muito antes da chegada do barco à sua vertical.
Um bom ponto de partida é lançar longe o suficiente para ter um ângulo de 45 graus da amostra até a ponta da cana quando o vinil atingir o fundo pela primeira vez. A seguir, recolhe-se, em forma de pente: levanta e deixa cair...
É evidente que é possível pescar na pôpa do barco, arrastando a isca, mas lançar à frente geralmente é mais produtivo. Ou não fossem os robalos espertos o suficiente para detectar as sombras que lhes projectamos em cima...


O próximo ponto a ser considerado na seleção de um cabeçote de jig é o tamanho e a espessura (diâmetro) do arame do anzol.
A minha preferência é sempre a de selecionar os anzóis feitos com o arame o mais fino possível. O principal motivo é que é preciso menos força para cravar os anzóis com arame mais fino.
Menos força significa melhores taxas de ferragem.

Porém, o diâmetro do arame do cabeçote é muitas vezes o principal responsável pelas nossas perdas de peixes. Quando por defeito, mais fino, porque os peixes irão abri-lo, ao fazerem pressão na sua tentativa de escapar.
Pelo contrário, por excesso, demasiado grosso, porque o anzol fica tão pesado que não crava, (mesmo estando bem afiado não crava).

Um anzol grosso obriga-nos a um esforço de cerca de 3 vezes mais força de braço para que ferre bem. 
E nós que pescamos sabemos que a nossa acção a pescar spinning não é decisiva de todo no acto de ferragem.
Por vezes vamos a tempo de pressionar o anzol, mas na maior parte das vezes é o próprio peixe que se ferra, com o ímpeto da sua mordida.
Mesmo utilizando linha trançada, a qual tem pouca elasticidade, é o impacto do peixe que verdadeiramente conta.


Por isso, nem anzóis demasiado finos, porque nos deixam de coração nas mãos, (nunca sabemos quando é que chega o tal...grande), por vezes temos de nos impor ao peixe, não o deixar ir para onde ele quer ir por saber estar a ali a sua salvação.
Nem anzóis demasiado grossos, porque isso leva-nos ao desespero com toques falhados. O ideal é o de tentarmos encontrar o equilíbrio perfeito, se é que ele existe...

Se vocês selecionarem cabeçotes de chumbo japoneses, feitos com anzóis de qualidade de fabricantes de renome, como Owner, Gamakatsu, Little Jack, ou Daiwa, é menos provável que tenham problemas de desempenho.

Uma boa medida é a de utilizarmos cabeçotes com base nos peixes mais prováveis no local de pesca e para as condições em que estamos pescando. Sabemos que existe um padrão. 
Se estamos a pescar num estuário, com pouca profundidade, pouca pedra no fundo, muito provavelmente irão aparecer-nos muitos robalos a avizinhar 1 kg. Pode aparecer maior, mas a média será essa.
Logo, utilizaremos vinis na ordem dos 7 a 9 cm de comprimento, e cabeçotes que não deverão exceder os 8 a 14 gramas.
Nestes casos, o risco associado ao uso de anzóis de arame fino é relativamente baixo. 
Se bater na amostra um peixe maior, e pode sempre acontecer, é possível deixá-lo correr e cansá-lo usando a pressão da cana e uma regulagem de embraiagem relativamente leve.

No entanto, se estiverem objectivamente pescando em locais remotos, com grandes probabilidades de vos surgirem peixes grandes, em fundos rochosos, com muita correnteza, o uso de cabeçotes de chumbo com anzóis de arame grosso é essencial. Pura e simplesmente porque regulagens de drag mais pesadas serão sempre necessárias para impedir que o peixe alcance as pontas de rocha e rompa a nossa linha.

Para aqueles que gostam de números, aí vai, grosso modo, sem demasiado rigor:
  • Se pescamos peixes de peso inferior a 2,5 kgs, o arame do anzol pode ter entre 0.85 e 1.00 mm.
  • Se pescamos peixes de peso inferior a 5 kgs, o arame do anzol pode ter entre 1.00 e 1.25mm.
  • Se pescamos peixes de peso superior a 5 kgs, o arame do anzol pode ter 1.25 a 1,50 mm.


Fica ainda por explicar de que forma poderemos combinar o peso do cabeçote de chumbo com o tamanho do anzol, e o tamanho do vinil. Anzóis demasiado grandes em vinis “demasiado” pequenos não funcionam bem.
Deveremos sempre atender a uma proporcionalidade correcta, equilibrada. 
Se em terra nos parece à vista desarmada que o anzol é grande demais, então quando estivermos a pescar ele será ...grande demais. A amostra não irá trabalhar bem.

Como critério que me parece válido, temos que a abertura do anzol não deve ser mais do que 1,5 vezes maior que a altura do vinil onde está a ser colocada.
Por outro lado, e relativamente ao posicionamento do anzol relativamente ao corpo total do vinil, a saída do anzol não deve ficar mais para trás do que a metade do seu comprimento, caso contrário, restringirá o movimento vibratório da cauda.

Como aplicar o cabeçote no vinil? Fácil: começamos por cortar a cabeça do vinil por detrás do olho, com uma tesoura. Ficamos com o topo a fazer de superfície lisa.
Previamente calculamos a posição em que gostaríamos de ter a saída de anzol. Introduzimos o anzol como se fôramos “iscar” uma minhoca e verificamos se está bem centrado.
Caso não, repetimos. Uma amostra de vinil trabalha bem se estiver centrada, direita. 
Caso o anzol saia ligeiramente de lado, ...é repetir.

Nada de malandragem....os robalos merecem todo o nosso esforço!
No fim, e já com o vinil bem direitinho, é aplicar um pouco de Super-Cola 3, para dar segurança de podermos pescar vários peixes grandes com esse vinil.
Eles puxam muito e têm tendência a querer...destruí-los!

Haverá sempre algo mais a dizer, e certamente não se esgota aqui este tema.
A ele voltaremos, sempre com vontade de ajudar a esclarecer, a pescar melhor.
Espero que tenha sido útil.


Vítor Ganchinho


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