No número anterior passámos os olhos por aquilo a que podemos chamar de uma lubrificação ligeira, de rotina, a aplicar a cada dia de pesca.
Por muito que nos custe são cuidados a ter sempre, (por mais cansados que estejamos), e a razão é simples: os carretos são caros e só cumprem a sua função se estiverem a 100% das suas possibilidades.
Um carreto oxidado, seco, sujo, é uma fonte de problemas, e não nos vai poder ajudar quando chegar o momento pelo qual esperámos semanas...ou anos.
Manter o nosso carreto em boas condições é o mínimo que um pescador com brio pode fazer e tudo o que não seja isso é jogar uma roleta russa que pode acabar mal.
Lubrificar sempre, sem dúvida.
Hoje vamos um pouco mais fundo, vamos ver como hibernar um carreto que irá ficar parado durante alguns meses.
Isso pode acontecer por termos alturas em que as saídas estão comprometidas durante semanas à conta do mau estado geral do tempo.
Mas também acontece por viajarmos de férias para um local cosmopolita, sem pesca, por exemplo.
O oposto é igualmente verdade: há momentos em que pescamos com muito mais intensidade, damos um desgaste extra e é conveniente dar algum carinho extra à nossa “joia”.
Chamemos a isso de....“cuidados periódicos”.
Um carreto é uma máquina de precisão.
Os construtores gastam milhares de horas a tentar resolver os problemas que lhes colocamos: mais leve, mais robusto, mais fiável, mais bonito, mais tudo.
O facto de exigirmos a um carreto tudo o que ele pode dar, mesmo tudo, também nos obriga a cuidar dele.
Queremos que ele seja perfeito: robusto e leve ao mesmo tempo, queremos que o seu funcionamento seja suave e fiável, que resista ao desgaste do tempo, que não ganhe folgas, e já agora, se não for pedir muito, que seja absolutamente imune aos salitres, certo?
Os carretos hoje em dia são isso mesmo, desde que bem cuidados.
A tecnologia de fabrico evoluiu substancialmente, os carretos contemporâneos são hoje francamente melhores que os mais “velhinhos”.
É verdade, os materiais e acabamentos de pintura modernos são muito mais resistentes à corrosão, ao salitre.
Por isso mesmo, e se formos detentores de algumas “relíquias”, convém reter que as máquinas antigas exigem manutenção ainda mais frequente e mais cuidada que as mais novas, ok?
Poderíamos pensar que a frequência da manutenção depende apenas do tempo de uso efectivo na pesca, ...mas não.
Repito algo que já vos disse no número anterior: o simples acto de o levarmos ao mar, mesmo que não pesque, já obriga a cuidados.
O salitre dos borrifos de água que saltam a partir da deslocação do barco é o suficiente para que esse sal pulverizado se entranhe nos mais recônditos lugares, onde uma escova ou um pano não chegam.
Pretende-se pois que o nosso trabalho ofereça à nossa querida máquina de estimação uma boa e adicional proteção contra a corrosão.
Pesco no mínimo três a quatro dias/semana e por isso dou-lhe uma utilização intensiva.
A cada dia que saio a pescar tenho algumas situações limite, em que o meu adversário puxa linha com vontade, e eu não quero perder um único dos peixes grandes que me toquem em sorte.
Por isso, tenho os cuidados de rotina , mas sempre que sinto que está na hora, vou um pouco mais longe nesses procedimentos.
No meu caso, eu faço-o a cada final de mês, a cada 4 semanas.
Ponto prévio: alerto para o facto de o WD40 não ser um lubrificante.
É sim um produto de limpeza de sujidade e ...óleos. Muito eficaz como solvente, mas não mais que isso.
Por outras palavras, quando aplicamos WD40, estamos a retirar a lubrificação anterior, a pouca que restava. Atenção pois.
Vamos ver que tipo de produtos podemos utilizar para cuidar a sério de um carreto.
Podem encontrá-los à venda no vosso fornecedor habitual, ou na loja on-line da GO Fishing Portugal, sendo o caso.
O importante, e gostaria de salientar isto, é que tenham sempre os cuidados devidos. O resto é prática comercial e esse não é, nem precisa de ser, o foco deste artigo.
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| Acima: massa de lubrificação para drag. Especificação "Super Soft"! Massa Alcon para discos de fricção, leia-se drag: a base de sabão de complexo de alumínio (Alcon) proporciona resistência a temperaturas superiores a 180°C e baixo coeficiente de atrito. Combina a durabilidade necessária para a pesca em água salgada com a suavidade inicial exigida para linhas leves! Ver Artigo na GO Fishing |
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| Acima: massa para engrenagens, rodas dentadas, etc. Esta gordura Calcon de ultra-durabilidade é formulada com um aditivo que aumenta a viscosidade. Ela adere firmemente a engrenagens sujeitas a cargas elevadas, e sua viscosidade exclusiva proporciona um funcionamento mais silencioso e suave do engrenamento. Ver Artigo na GO Fishing |
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| Gordura de Teflon desenvolvida especificamente para discos de fricção de carretos destinados a peixes de grande porte. A primeira gordura de Teflon puro do mercado, formulada à base de óleo de Teflon e combinada com pó de Teflon (PTFE) de alta pureza! Com resistência a temperaturas superiores a 200°C, ela mantém a lubrificação intacta mesmo durante disputas intensas com peixes gigantes. Ver Artigo na GO Fishing |
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| Acima: lubrificação desenvolvida especificamente para uso em água salgada! Gordura de altíssima durabilidade (tipo sulfonato de cálcio) para aplicação em eixos rotativos e todas as peças deslizantes. Oferece excepcional capacidade de suportar cargas, prevenção contra ferrugem e retenção da película lubrificante, graças à sua base de sabão de sulfonato de cálcio! Ver Artigo na GO Fishing |
Certamente já vos aconteceu ter um peixe grande na linha, esse peixe corre, faz força e de repente, ....nada. Foi embora!
Ao analisarmos as linhas, verificamos que esta cedeu no zona do nó. É natural que assim seja, e a explicação tem a ver com o aumento brusco de temperatura que a linha sofreu.
A carga de rotura das linhas reduz substancialmente no local específico dos nós. Quando sujeitas a um aperto brusco, “ardem” por stress excessivo.
Os peixes grandes fazem-nos isso.
Forma de resolver: a aplicação de um óleo especifico para esse fim, algo que não deixe queimar o polímero, quer seja nylon quer seja fluorocarbono.
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| Penetra instantaneamente no interior do nó, reduzindo a resistência ao atrito da linha. O aperto suave evita a geração de calor e garante uma fixação segura. A secagem ultrarrápida evita que as mãos escorreguem durante o aperto e não deixa uma sensação pegajosa desagradável. Mesmo ao apertar lentamente, a temperatura do nó exteriormente aumenta mais de 2°C — o que significa que a temperatura interna do nó será ainda mais elevada —, sendo esperada uma deterioração da superfície de contato entre as linhas devido ao atrito e ao calor. A aplicação do KS Liquid 02 eleva a temperatura em cerca de 0,2 a 0,3°C, tornando o processo de aperto muito mais suave. Ver Artigo na GO Fishing |
Como podem ver, há múltiplos cuidados que podemos ter com o nosso carreto, e as nossas linhas.
Vamos então ver quais os passos para fazer o trabalho, sendo esta primeira fase comum aos cuidados primários:
1- Devemos antes de mais lavar o carreto com água, retirar sangue, gordura e escamas, enxaguar bem e secar com um pano.
2- Lubrifique as articulações da alça e abra-a e feche-a algumas vezes para garantir que o óleo se espalha por todas as superfícies metálicas de contacto.
3- Aplique algumas gotas de óleo em todos os parafusos visíveis. Nunca sabe quando irá necessitar de os desenroscar.....ou até apertar, a bordo.
4- O rolete guia-linha requer atenção especial, pois as linhas multifilamento (PE) espirram água salgada nas mais pequenas e apertadas frestas. Isso causa a corrosão rápida do rolete e dos rolamentos internos.
5- Lubrifique a articulação do manípulo da manivela, lembre-se que ela vai girar milhares de vezes...
E chegados aqui, agora passamos para a massa de gordura, a aplicar nas engrenagens.
OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: Não lubrifique internamente carretos que possuam o sistema *Mag-Sealed* Daiwa.
Apenas alguns modelos topo de gama da Daiwa contam com essa tecnologia. Nesses casos, enxugue-os apenas com água doce.
Se tem um Stella da Shimano, ou um Saltiga, da Daiwa, sorte sua, não abra o carreto.
Mande fazer isso a um representante da marca, o qual poderá ajudá-lo a não estragar a sua máquina.
Lembre-se que estes carretos são muito caros e só podem ser abertos por quem sabe e tem ferramentas próprias para eles.
Um parafuso de estrela ao qual se aplica uma chave de fendas, ....já foi. Depois de moído nunca mais voltará a ser o mesmo parafuso.
Pode sim cuidar daquilo que são partes visíveis do exterior, peças metálicas que sofrem desgaste pelo uso continuado e que não pertencem ao “coração” do carreto.
1- Levante o eixo principal totalmente para cima, limpe-o com um lenço de papel e, em seguida, use o dedo para passar um pouco de gordura (massa consistente fina) na parte visível do eixo.
2- Mesmo que o carreto possua uma boa vedação no eixo, uma fina camada de massa irá aderir a ele, reduzindo o atrito durante o movimento de subida e descida da bobine.
3- Desaperte a peça de retenção, retire a bobine do seu eixo e com isso já acede aos discos de fricção. Limpe bem os discos com um pano seco para remover sujidade e óleos velhos.
Se os discos forem de carbono e exigirem lubrificação, aplique uma camada muito fina de gordura específica para drag (carbono ou feltro, conforme o material).
Os discos de feltro oleados pedem gordura própria e os de cortiça ou secos devem trabalhar a seco. Nunca use óleo comum no drag, pois faz patinar a fricção.
Uma forma de protegermos o equipamento dos borrifos de sal e de impactos e riscos, é adquirirmos uma bolsa de neopreno própria para ele.
Caso não a tenhamos, pulverizar o carreto com um óleo lubrificante fino ajuda a preservar as superfícies.
Nesse caso, e na situação de o querer hibernar, deixamos ficar essa protecção.
Caso surja a possibilidade de fazer uma saída de pesca, então limpe o carreto com um lenço de papel ou pano limpo para remover o excesso de óleo e está pronto!
Vai dar-lhe jeito ter o carreto afinado quando o mastodonte daquele peixe que perseguia há anos lhe aparecer desabrido a levar linha.
Caso tenha um carreto chinês de 8 euros, esqueça tudo isto, ....não vale a pena.
Nesse caso, nada vale a pena...
Vítor Ganchinho
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