Os milagres do jig casting

Quantas vezes já demos por nós a pensar: “ que amostra irei eu utilizar hoje?”….qual o tipo, tamanho, cor, etc?
Perante situações em que a dúvida se instala, porque não sabemos em que nível de água pode estar o nosso robalo do jantar, ou mais acima junto à superfície, ou mais abaixo, junto ao fundo, quando por todo o lado nos aparecem manchas de peixe pequeno na sonda, e não há um padrão perfeitamente definido, tudo em cima ou tudo em baixo, nem sempre a resposta é fácil. 
Se exploramos apenas a primeira camada de água, podemos estar a deixar peixes grandes por descobrir bem colados ao fundo. 
Mas se lançamos jigs para pescar vertical, estamos a prescindir de cravar algum peixe que esteja muito próximo do barco, à superfície, e por isso se retraia de atacar a nossa amostra. 
Os peixes são agressivos mas não são tontos. Esses já morreram todos presos aos nossos anzóis e os que ficaram são aqueles que desconfiam, que hesitam, que têm mais cautelas. 
Se pescamos em zonas muito baixas, não há muito a saber, é lançar longe, e utilizar a amostra indicada para procurar abaixo da linha de superfície os peixes que por ali possam andar a caçar. 
Em dois ou três metros de água, não se espera que um predador não perceba a passagem de uma amostra. Seguramente que a veem, e se tiverem a menor intenção de a morder, lançam-se sem piedade. 
Mesmo um pouquinho mais baixo, para peixes de meia água ou fundo, acontece aquilo que chamamos de “ fazer subir o peixe”. Esse é um momento mágico, em que conseguimos, por obra da nossa correcta apresentação, do tamanho da amostra, cor, movimento, fazer interessar um carnívoro que ataca o engano. É a glória de qualquer pescador, enganar o seu oponente, que julga estar a engolir uma presa real, viva. 
Bem mais complicado é fazer isso com muitos metros de fundo, digamos 30 metros, em que o peixe pode estar em qualquer das diversas capas de água. São os momentos em que hesitamos entre a aplicação de uma amostra rígida com pala frontal, para bater a superfície, ou um vinil com cabeçote de chumbo, para tentar a meia água, ou aplicar um jig mais pesado, para ir até lá ao fundo. 
Eu já cravei robalos a 70 metros de fundo, e sei de quem o fez a 120 metros, pelo que não devem pensar que pescar a duas ou três dezenas de metros é algo de estranho. Não é, os robalos passam muito do seu tempo a grandes profundidades, da mesma forma que em determinados momentos da época, ou do dia, podem estar em 30 cm de água a “catar” o seu alimento. 
O que levanta desse logo alguma dúvida relativamente ao tipo de amostra a aplicar no fim da nossa linha. Como poderei fazer a escolha?
Se há artificiais que são específicos para uma determinada função, exemplo imediato um popper, que é eficaz mas não serve para nada mais que a pesca à superfície, ou jigs pesados que, façamos o que fizermos, invariavelmente irão depositar-se no fundo, há no entanto amostras que poderemos considerar mais “universais”, mais propensas a poderem ser trabalhadas a diferentes profundidades. E essas são as que nos interessam nestas situações. 
Sim, podemos utilizar vinis com cabeçotes de chumbo com peso suficiente para irem até abaixo, e funcionam bem. Sim, podemos recorrer a amostras com palas mais compridas, que afundam um pouco mais, até aos cinco ou seis metros. 
Mas podemos recorrer com muito melhores resultados a um jig de baixo peso. E com isso fazemos toda a coluna de água. É isso que vos pretendo apresentar hoje, uma solução que vos sirva para enganar um robalo a 3, a 10, a 15, a 20 ou a 30 metros, e que ao mesmo tempo vos possa dar um atum sarrajão que anda a caçar perto do vosso barco, e algum peixe de fundo, um pargo, uma dourada, uma bica, que andem lá em baixo, a rasar as pedras do fundo. 

O equipamento existe, e têm aqui alguns exemplos concretos da sua aplicação: 

Um pequeno jig de 7 gramas pode ser muito útil quando o peixe está a comer a 8/10 metros de fundo, onde não podemos chegar com uma amostra de pala. Nesta situação utilizei um jig da Xesta, armado com um pequeno triplo, e que foi o suficiente para meia hora muito divertida.


Dois bons malandros, os meus amigos António Pradillo e Raúl Gil Durá, com duas capturas simultâneas feitas com pequenos jigs.


Uma pequena bica, também ela a morrer de amores por um jig de baixa gramagem.


Ou este sarrajão, que se lançou sobre um jig de 12 gramas.


Uma outra solução, que poderíamos considerar um híbrido, é uma mistura de amostra tradicional, com um jig. A japonesa Smith produz algo de espantoso em termos de fiabilidade, de segurança de resultados, que são os Super Surger. Trata-se de um híbrido com vários pesos, medidas e cores. 
A GO Fishing Almada tem seguramente mais de 10 cores e pelo menos três tamanhos opcionais. Estas amostras, produzidas com diferentes pesos para as mesmas medidas, permitem-nos encontrar a melhor solução para cada situação de mar, desde águas mais rasas até fundos significativos. Para além de serem indestrutíveis, podem ser armadas com anzóis triplos, ou assistes, sem perda de eficácia. 
Juntam a um conjunto de capacidades de movimento, algo que pode ser importante: o corpo feito com holograma lança flashes de luz que lhe dão vida, permite a sua utilização em águas limpas ou muito tapadas, e tem um nadar sedutor, nervoso, que convence o robalo mais empedernido e desconfiado. A aparente simplicidade desta amostra esconde um tremendo equilíbrio, o seu hidro dinamismo perfeito possibilita a pesca mais lenta, a roçar o fundo, a tentar algum peixe de peso mais elevado que não esteja para grandes correrias, mas também funciona quando arrancamos a amostra do fundo e passamos aos peixes de meia água, que caçam no azul, que procuram presas mais activas, o que podemos explorar dando toques de ponteira enquanto recuperamos linha. Para além de terem um design extremamente simpático, são eficazes onde têm de o ser: no ambiente marinho, na captura de predadores, que em rigor é aquilo que pode motivar a compra de uma destas unidades. Quem experimenta acaba por comprar outras cores, outros tamanhos, outros pesos. E passa a dar prioridade a esta solução, quando chega o momento da verdade: 

“_que amostra irei eu utilizar hoje?”…




Estas amostras são de um realismo impressionante, e de tal forma versáteis que nos permitem pescar em quase todas as situações de mar: com mar calmo ou com ondulação, baixo, fundo, peixe grande, peixe pequeno, e sobretudo, porque voam muito bem, permitem lançamentos longos em dias de muito vento.



A considerar na mala de qualquer pescador que seja conhecedor, que saiba escolher muito bom material. 



Vítor Ganchinho



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