Libertar um peixe - Um acto nobre

É uma questão cultural, mais que qualquer outra. Sair à pesca pode logo à partida divergir para algo como “ sair para o mar para me divertir”, ou “ir buscar peixe para casa”.
O tema de hoje é controverso, e penso que no meio está a virtude, que é como quem diz em linguagem de marinheiro, nem muito ao mar nem muito à terra.

Se há quem veja na pesca uma forma de obtenção de sustento para o lar, e por isso “aproveita” tudo aquilo que pica no seu anzol, aquilo que podemos dizer é que há regras legais que devem ser cumpridas.
Desde logo, as medidas mínimas de captura de cada espécie, definidas com valores que a mim pessoalmente me parecem curtos. Uma dourada de 19 cm é apenas um protótipo de uma futura dourada adulta.
A seguir, temos o facto de existir um peso máximo de capturas individuais, 10 kgs de peixe, mais o maior exemplar. E ainda uma limitação de peso de capturas colectivas em embarcação de recreio, de 25 kgs máximos.
Esta limitação não existe aquando da utilização de embarcações de pesca com o estatuto de marítimo Turísticas, em que contam os 10 kgs + maior exemplar para todos os participantes.
São as leis portugueses, redigidas pelo Governo Português, e, até novas instruções, são para respeitar.

Raúl Gil Durá, com um pargo dentudo, feito com um jig de 5 gr, a pouca distância do Porto de Valência, a bordo de um kayak.


Mas também falámos anteriormente em pessoas que vão ao mar para se divertir, e que não fazem questão de trazer o peixe para casa. O meu amigo Raúl Gil é uma dessas pessoas.
Pescador de fina água, muito experiente, sabedor das manhas e subtilezas da pesca destes peixes com iscos artificiais, vinis ou jigs, o Raúl faz capturas frequentes. E porque pesca com assiduidade, não necessita de matar peixes todos os dias. Solta-os. Vejam o vídeo:




Este é um bom exemplo de alguém que pesca porque gosta, para se divertir, e assume a responsabilidade de devolver os exemplares pescados à água, causando-lhes o mínimo dano possível.
É muito importante que o peixe, esgotado pela luta que deu ao seu oponente, seja reanimado, para que não desça ao fundo em estado de choque, incapaz de reagir, de respirar por si. Alguns peixes, sobretudo os devolvidos à água após um longo período em seco, por exemplo para fotos, não conseguem recuperar facilmente as suas faculdades físicas. Há que os ajudar, introduzindo água pelas guelras, restituindo-lhes o aporte de oxigénio indispensável a um rápido restabelecimento. Tenham isso em conta aquando do vosso próximo “catch&release”, e estarão a ajudar a que esse peixe sobreviva.

E, porque não faz muito sentido ser fundamentalista a esse ponto, quando houver uma captura interessante, pois que se traga para casa, e se desfrute de um bom peixe fresco com a família.

Boas pescarias!!



Vítor Ganchinho



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