Comida impossível a mãos humanas - Parte 2

Neste segundo dia, resolvemos ir espreitar onde comem os nossos sargos, e como fazem para encontrar comida.
É certo que as suas necessidades alimentares são diferentes das nossas, mas se ontem estivemos entretidos a procurar crustáceos, moluscos, e outros afins, hoje podemos tentar algo diferente. Mas temos as limitações de ter de o fazer utilizando apenas as nossas mãos….




Espreitando por esta janela, podemos ver os sargos a deambular pelas pedras. Como encontram a sua comida?




Um sargo na despensa. Para este animal, uma parede destas tem uma quantidade infinita de comida. Mas eles sabem procurar.




Uma parede com algas, lapas, cracas, algum pequeno camarão, eventualmente algum perceve ou mexilhão, tem tudo aquilo que é necessário a um sargo para estar bem.




Em rigor nenhum destes peixes nos é acessível, se contarmos apenas com as nossas mãos. Não temos velocidade de deslocamento ou reacção para capturar um peixe no seu meio ambiente.




Uma tainha a meia água. Absolutamente impossível conseguir colocar-lhe a mão em cima. Não temos velocidade para a conseguir apanhar pelo rabo, logo, é deixar ir.




Esta estrela não é rápida a fugir, e está ao nosso alcance, mas parece que já tem dono: conseguem ver o pequeno caboz de 4cm que está mesmo por baixo dela, a meio?




Esta sim, mas se há tantas estrelas-do-mar à vista, …serão boas para comer? Provavelmente assim tão coloridas e vistosas, não nos farão bem, é melhor deixar estar onde estava.




Uma holotúria, ou pepino-do-mar, é comestível. Mas não nas nossas paragens, é um animal que está muito longe dos livros de culinária portugueses.
Os asiáticos pagam fortunas por estes equinodermes, mas eles sabem fazê-los. Nós não.




Piorou um pouco: duas anémonas urticantes. Daqui, aquilo que podemos tirar é um tremendo inchaço nos lábios e uma dose de veneno no estômago.
É ir à procura de algo diferente.




Uma tainha morta é algo que se consegue agarrar com as mãos, mas esta parece que já tem dono.




Um campo de mexilhões. Aqui já seria possível, arrancando um a um. Mas atenção, cortam como navalhas, e teríamos de o fazer com muito cuidado.
Mexilhões e uma pedra, …e já conseguiríamos comer. Mas nós sabemos que junto às mexilhoeiras aparecem sempre polvos. Vamos procurar um nas imediações….




Finalmente algo que está acessível às nossas mãos. Um polvo é uma captura possível. Ele vai colocar as pedras que tem à frente a impedir-nos de o agarrar. Vamos ter de tirar uma a uma. A seguir, vai colar-se à rocha com todas as forças. Temos aqui trabalho para meia hora, mas é possível, desde que estejamos dispostos a ficar com os dedos todos esfolados. Esta noite, temos polvo com arroz, se conseguirmos arranjar o arroz. E já sabemos que precisamos de bons dentes, porque um polvo fresco, é um elástico.




Podemos sempre fazer uma salada com folhas de figo pita….partidas em pedacinhos, …à mão.


A falta que faz uma cana de pesca...



Vítor Ganchinho



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