Ilhéu de Vila Franca - Um aquário em pleno mar

Somos um país de mar, e isso só por si deveria ser encarado como um motivo de orgulho para todos nós.

Em Portugal a quantidade de recantos bonitos, interessantes, e cheios de particularidades, são tantos, que sobre eles se poderiam escrever milhões de páginas.
Trago-vos hoje um dos meus lugares favoritos, aquele que eu indicaria a um turista de qualquer parte do mundo sem me preocupar com o resultado final. Todos gostam.
Um passeio a pé pelas suas areias interiores é algo que nos dá anos de vida. A profundidade é sempre baixa, dependendo basicamente da hora da maré. Na vazante, a maior parte dos locais não chega a 1 metro de fundo, o que torna este local perfeito para que as crianças tenham o seu primeiro contacto com o mar.
Umas sandálias de plástico, uns óculos e tubo de respiração e não faz falta mais nada.




A pouca distância da cidade de Vila Franca do Campo, uma cratera de um vulcão é um dos mais icónicos lugares dos Açores. Um barco faz a travessia do porto até ao ilhéu, várias vezes ao dia. No Verão, pode ser difícil conseguir obter lugares no barco para esse dia, pois a lotação do ilhéu é limitada.
Convém comprar no dia anterior, para garantir a manhã, ou tarde de praia.


Esta cratera já foi propriedade privada! Espantem-se com isto...




Neste bordo exterior, no penhasco escarpado que podem ver, é feito o concurso de saltos para a água Cliff Diving Red Bull, que reúne os melhores especialistas mundiais da disciplina.




A rocha vulcânica é particularmente agressiva e áspera, pelo que se aconselha a utilização de calçado próprio. Também as temperaturas que atinge podem ser particularmente incómodas a quem se desloca sem calçado.




A profundidade do ilhéu é variável, mas pode entender-se como um excelente sítio para albergar peixes à sua volta. Infelizmente, por problemas causados por pescadores, linhas, anzóis, ….a pesca foi interdita neste espaço.
Sabemos que ainda assim, há quem faça mergulho de garrafas e vá lá durante a noite, para arpoar meros e colher os cavacos, a lagosta açoriana, das paredes verticais.
Estes animais saem à noite para se alimentar..




Dado que existem várias entradas de água, temos que a diferença entre o interior da cratera e o exterior, basicamente é a temperatura da água do mar, mais quente do lado de dentro, a sempre a rondar os 25ºC. Na foto podem ver como uma veja de cerca de 1 kg se passeia despreocupada mesmo junto ao bordo. Os peixes residentes estão habituados a turistas e não se afastam à passagem destes. Mais que isso, procuram segui-los, para aproveitar aquilo que as pessoas desenterram da areia. O ilhéu tem dúzias de sargos até 1 kg, que ali têm um comportamento bem diferente dos nossos sargos, sendo possível aproximarmo-nos até uma distância de um braço. Também os salmonetes, pequenas moreias, um ou outro rascasso, as inevitáveis salemas e castanhetas, não deixam de exibir as suas cores. E por falar em cores, que dizem deste peixinho abaixo?


Uma rainha, ou bodeão verde.


Acho este peixe uma perfeita maravilha da natureza. Trouxe a este sítio um casal de japoneses que adoraram as cores e fizeram imensas fotos.


Uma veja macho.


Em termos de coloração, bem abaixo das cores vermelho e amarelos vivos das fêmeas da espécie.




Há que ter cuidado com os ouriços, que ali não são para brincadeiras. São bem mais agressivos que os continentais, e parecem estar a sempre a apontar-nos as agulhas.
Quando há um descuido, há umas dezenas de espinhos para retirar pacientemente com uma pinça, algum óleo, e …muitas dores.




As salemas são ali omnipresentes. Em rigor, não se incomodam com as pessoas. 




Também os sargos, e de tamanho razoável, pouco querem saber de quem chega perto. São muito correntes junto aos seus “amigos” salmonetes, pois aproveitam os vermes que estes descobrem e desenterram.


Os salmonetes.


Trabalham desenfreadamente, e na verdade, apenas conseguem uma ínfima parte do que descobrem: os sargos ficam com quase tudo!


Uma castanheta, peixe que também temos no continente, mas de diferente coloração.


Espero que fiquem com vontade de visitar o sítio, digo-vos que é absolutamente fabuloso, para quem gosta de mar. Junta num só espaço a possibilidade de levar a família, de entreter e educar os miúdos para a grande causa do mar e de podermos interagir com os peixes, de que tanto gostamos.



Vítor Ganchinho



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