Robalos grandes? Soltemos os pequeninos...

Focamos a nossa atenção nos peixes grandes, esquecendo que eles já foram pequenos, que já foram imaturos e porventura precisaram da nossa ajuda.
Fico constrangido por não ver o pescador português a libertar peixes com mais frequência. Uma actividade predatória, declaradamente extrativa como aquela que praticamos, nunca terá muito futuro se não cuidar da gestão dos efectivos que pretende pescar.
Se temos orgulho nos grandes peixes que pescamos, mais orgulho devíamos ter quando os libertamos em pequenos. Esse é o momento em que podemos efectivamente fazer a diferença, nós, pescadores de linha conservacionistas.
Devolver ao seu meio um peixe que caiu no nosso jig ou amostra, é garantir que um dia mais tarde o iremos pescar com peso, com tamanho, e capaz de nos dar realmente luta.
O tema de hoje aqui no blog traz-nos um apelo de consciência: libertem peixes miúdos, tratem de assegurar o futuro desses minúsculos peixes, porque isso é também assegurar o futuro da pesca.


Um amigo americano, o Dana Redford, com um robalo de bom tamanho, feito com um jig japonês Zeake, a bordo do meu barco Sprint.


Este jig Zeake tem tudo aquilo que pode interessar a um bom robalo. Com muita frequência, e porque atacam preferencialmente a cabeça da presa, os robalos vêm presos pelo assiste simples de cima. No momento do ataque, e dado o realismo deste modelo de jig, a peça é literalmente aspirada, desaparecendo dentro da boca do predador! Tenho inúmeros casos em que o robalo, ou pargo, engoliram por completo o jig. À venda na loja GO Fishing, em Almada em várias cores e três pesos diferentes, 20,30 e 40 gr. 


Passemos por cima dos tamanhos mínimos, da questão da legalidade, da legislação, das multas, que são de si argumentos suficientemente fortes para que não se transportem para casa exemplares juvenis.
Há algo de muito mais importante ainda, o imperativo de consciência de cada um de nós, que deveria determinar a imediata libertação de pequenos peixes. Vejam o vídeo abaixo:





Robalo  de 6 kgs, um privilégio para quem tem a sorte de o capturar.


Estes peixes com idade e tamanho, já reproduziram, já deixaram descendência, e são bichos com capacidade de luta. Este é o robalo que queremos ter na ponta da nossa linha, porque é um peixe que se sabe defender, que sabe lutar e nunca é uma captura garantida. Sempre que surge um robalo com este peso dentro do barco, uma dupla sensação de felicidade invade os intervenientes: o pescador desde logo, porque conseguiu concretizar a captura e tem boas razões para estar contente.
E o guia de pesca, na circunstância eu próprio, porque conseguiu criar condições para que a pesca deste peixe fosse possível. Encontrar as condições certas de mar, de maré, de hora do dia, de equipamento, de peso e cor de jig, de velocidade de deslocação do barco, é trabalho de quem leva estas pessoas a pescar. Como já vos disse aqui algumas vezes, eu fico sempre muito mais feliz por ver os meus amigos pescar, do que fazê-lo eu próprio. Um só peixe dá felicidade imensa a duas pessoas.




O autor, cumprindo um dever de cada um de nós. Libertar um peixe é dar uma possibilidade extra a um pequeno ser que apenas está a cumprir um trajecto de vida que, de forma alguma, deve acabar naquele momento.


Devemos sentir-nos honrados por ter na linha um peixe com a qualidade de um robalo. É seguramente um dos melhores peixes do mundo para cozinhar, e todo um privilégio poder medir forças com estes indomáveis lutadores.


Tenho vindo a privilegiar a pesca com jigs na ordem dos 15 a 30 gr, por vezes 40 gr, no lugar de amostras com pala ou vinis. Este ano, e anormalmente para a época do ano, temos encontrado os robalos a cotas um pouco mais fundas do que o habitual.
Fiz capturas a 70 metros de fundo, e isso, não sendo nada de mais, (em Sines aparecem aos …120 metros), ainda assim pede um tipo de jig que desça mais rápido.
Sempre que é possível, prefiro tentá-los com vinis, uma amostra que me parece ser ainda mais efectiva, desde que o robalo esteja em águas mais superficiais.
Existem cabeçotes de chumbo, mais ou menos ligeiros, 4, 6, 9, 12, 16, 21 gr, que garantem uma pesca perfeita desde a superfície até aos 20 metros de fundo. A partir daí, tenho para mim que é mais prático pescar com jigs.
Mas as soluções existem, sem dúvida. Hoje em dia, e dada a variedade de equipamentos disponíveis no mercado, o pescador pode decidir desta ou daquela forma e tem sempre os acessórios indicados à sua disposição.
É uma questão de gosto pessoal. E saber...



Vítor Ganchinho



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