OUTRA VEZ OS ROBALOS, COM JIGS "PIQUENINOS"...

Vencer o cepticismo dos pescadores relativamente à utilização de artificiais é algo que já me motiva pouco. Gastei as palavras.
Não sei quantas centenas de vezes já mostrei a pessoas que um vinil ou um jig pode ser uma arma terrivelmente eficaz na pesca de todo o tipo de peixes.
Há pessoas que não acreditam, e ponto final!
Por mais que se diga, por mais que se explique e por mais que se demonstre a polivalência e versatilidade dos iscos artificiais, essas pessoas continuam a não crer ser possível pescar com algo mais que os casulos, as minhocas, a navalha, as tiras de choco, etc.
Se lhes mostro que há boas probabilidades de conseguirmos fazer excelentes peixes com vinis ou jigs metálicos, respondem-me: _“Sim abelha! Vou ali comprar um pacote de ganso coreano e depois falamos”…
O blog de hoje é dedicado a todas essas pessoas. Aos que se riem muito quando lhes mostro resultados obtidos com artificiais. Aos que não acreditam.


Um jig da Xesta, com 20 gramas, interessou a este robalo de 3 kgs. Veio preso pelo triplo e também pelo bordo exterior da boca, com o assiste de cabeça do jig. Qualquer um dos pontos de fixação seria suficiente. Reparem no clip. Trata-se de um clip Smith, de fabricação japonesa, de tamanho muito pequeno, com capacidade de carga de 28 kgs. Acreditem que suporta perfeitamente os nossos mais correntes peixes predadores. Existem em stock cinco tamanhos diferentes na GO Fishing Portugal.


É muito comum que se riam. Um deles, à falta de melhor argumento, chegou a dizer-me: _ Sócio, quer então convencer-me que um peixe tem interesse em roer um bocado de ferro pintado? E quer mesmo que eu acredite nisso?!..
Nunca sei bem o que responder a este tipo de pessoas. Tenho dias em que me falta a paciência e em que lhes digo que não claro que não, os peixes não mordem artificiais.
Que são as pessoas que os pescam com minhocas e depois, para atazanarem os amigos, lhes colocam estas bugigangas na boca e fazem fotos.
E noutros dias, mais bem disposto, tento fazer entender que aquilo que o robalo, ou o pargo, (ou o que seja, porque já tirei praticamente todo o tipo de peixes utilizando jigs….) mordem é um peixe vivo. Que por acaso, corresponde a um pedaço de metal pintado que nós animamos de forma a que pareça mesmo um peixe vivo. O peixe vai ao engano, completamente convencido que aquilo que está a tentar engolir é uma presa viva. Algo que faz parte do seu menu habitual. Daí a necessidade de utilizarmos jigs que, quer através do seu formato e acção na água, quer através da sua coloração, se assemelhe o mais possível a algo que entra nos padrões de capturas. Isso facilita-nos a vida, embora não seja condição imprescindível para obter uma picada. No espectro de presas dos nossos predadores cabem muito mais coisas do que a maior parte das pessoas pensa.
Por isso escrevo vezes sem conta sobre a importância de sermos nós, pescadores, a arranjar o peixe. Os seus estômagos dizem-nos muito mais que qualquer livro.


A cana com que fiz este robalo é uma Xesta Scramble, com acção de 60 gr. Ou seja, basicamente um elástico. Uma cana muito leve, fina, de diâmetro muito reduzido, que transmite imenso toda a agitação que um peixe provoca. O conforto é extremo, o peso é inferior a 90 gramas, e quando chega o momento de trabalhar, põe a seco peixes grandes com uma facilidade que julgaríamos impossível. 


Reparem que o peixe engoliu literalmente o jig, não deixando nada de fora. Os robalos são muito vorazes e a sua boca mais não é do que um “hall de entrada” enorme, com ligação directa para o estômago. Estes peixes não mastigam, engolem.


Convém repetir que as cores naturais, imitações perfeitas das cores da comedia, os verdes, os azuis, os castanhos, são mais eficazes quando utilizadas em águas limpas. Se por acaso procurarmos peixe em águas tapadas, aí teremos vantagens em utilizar jigs com cores mais flash, os laranjas, os metalizados, os brancos.


Se quisermos complicar tudo um pouco, podemos reduzir o nosso jig a algo que apenas vagamente se assemelha a um peixe. E funciona! Para os peixes, há outros factores que também contam.
Não esqueçam que nunca devemos pretender humanizar um ser que se rege por outros parâmetros, que não os nossos. Já aqui no blog falámos sobre isso.
Mas não pretendemos radicalizar, propondo um jig de formas estranhas. Não íamos fazer isso a alguém que nunca pescou com jigs. Porque nada pior que não acreditar naquilo que se está a fazer.
Vamos então ver a seguir um caso emblemático: alguém que nunca pescou com jigs na sua vida e que o vai fazer pela primeira vez!
Que resultados pode uma pessoa completamente inexperiente obter numa primeira saída de pesca jigging? Poderá essa pessoa acreditar que consegue pescar um peixe?
Esse foi o desafio lançado a um pescador muito divertido, muito boa pessoa, calmo, de bem com a vida, que dá pelo nome de Fernando Santos.
Pescador recentemente convertido à pesca, com um ano de actividade e na modalidade de surf-casting, o Fernando saiu connosco e enfrentou com coragem o repto de tentar pescar o seu jantar utilizando... um jig!
Saiu-se bem! A princípio com falhas técnicas, como seria natural, no fim com um grande à vontade, com naturalidade, e com confiança. Nada como pescar robalos e pargos para aceitar uma verdade que é universal, um facto corrente em todo o mundo, que é a possibilidade de pescar com artificiais. Resulta. Claro que sim, claro que se pesca!


O olhar “enviesado” que normalmente se lança a um jig. Neste caso, de alguém que viu com os seus próprios olhos os resultados obtidos com estas incríveis peças metálicas.


Porque a outra cana de jigging estava com um jig de 30 gr montado, e porque a profundidade era muito pouca, resolvemos aplicar numa frágil cana de LRF, com um carreto Daiwa tamanho 1000, linhas finas, um jig Xesta de 20 gr. Poderíamos ter utilizado ainda menos, dada a baixa profundidade a que os nossos robalos neste momento estão a caçar. Com águas quentes a 20ºC, os peixes encostam a terra e procuram armazenar gorduras de forma rápida. Conseguem isso engolindo pequenos peixes, por vezes com pouco mais de 4 cm, em quantidades industriais. Daí a ideia de pescarmos com jigs pequenos, para estarmos dentro do padrão de presas procuradas. Com águas muito frias, já na ordem dos 14/ 15ºC, a música é outra, nessa altura, vinis com tamanhos de 15 cm não são demais. Nessas alturas de invernias, o robalo quer sobretudo compensar o desgaste calórico acrescido, ingerindo gorduras. E as sardinhas, as cavalas, os carapaus, entram muito bem no menu.
Há diferenças técnicas acentuadas entre a pesca de Verão e pesca de Inverno: a velocidade de recuperação, mais lenta no tempo de águas frias, o tamanho das iscas, a profundidade a que procuramos os peixes, etc.


O Fernando Santos feliz com a captura de um magnífico robalo, com jig de 20 gr.


É esta a essência da pesca: alguém que vai ao mar pela primeira vez e pesca um peixe do qual se orgulha. Acresce o facto de se tratar de uma pessoa culta, que sabe valorizar aquilo que está a acontecer. Senti isso, senti que estava perante alguém que estava feliz. A pesca de mar, feita com um grupo de amigos é algo de muito gratificante. E se a isso juntarmos a descoberta de várias técnicas diferentes, temos um dia extremamente bem passado.


Aqui, um pouco mais fundo, com um bonito pargo das Canárias. Para alguém que saiu pela primeira vez ao mar, com zero experiência de pesca embarcada, aceitemos que os resultados foram excelentes. Somam a estes peixes muitos outros, menos colunáveis.


Na próxima publicação vamos passar aqui o filme da captura deste peixe. Não percam porque é muito divertido.
Esse é um caminho que vamos passar a seguir proximamente, o de filmar os acontecimentos, e exemplificar com imagens comentadas os temas trazidos ao blog.
Aqui daremos proximamente conta das mudanças que pretendemos fazer, das suas razões e detalhes. Vamos mudar algo.
Espero que gostem do novo formato, porque queremos ir ainda mais de encontro ao que sentimos fazer falta a quem nos lê.
Visualizar factos concretos, gente a pescar, pode ser interessante.



Vítor Ganchinho



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