TEMOS 100.000 VISUALIZAÇÕES... MUITO MAIS QUE PEIXE!

Temos 100.000 visualizações.
Isso é significativo…porque é muito mais que peixe!

Confesso que quando pesco, quando saio ao mar com uma cana na mão, tenho sempre muito mais interesse nas perguntas que me faço do que propriamente …nas respostas que me dou.
Entendam o quanto é efémera uma verdade que depende de tantos factores aleatórios como alguns litros de água salgada, uma cana de pesca e …um peixe.
Tudo muda e por isso mesmo, por vivermos num mundo em permanente mudança, dificilmente eu acreditarei que as verdades que assumimos como certas hoje, podem durar até amanhã.
Sempre tive muito mais curiosidade em saber como colocar um triângulo grande numa caixa quadrada pequena, que seguir aquilo que todos fazem: colocar o quadrado pequeno dentro da caixa quadrada grande. E aceitar a realidade como ela nos parece bem: simples, estática e perfeita.
Poupem-me a banalidades, a fazer igual ao que já foi feito. Ultrapassar fronteiras e estigmas implica uma pequena dose de atrevimento e ousadia. E eu sinto que tenho algo disso em mim, desde criança, desde que, aos 6 anos, comecei a pescar.
Nunca me chega, não consigo ter certezas absolutas que me durem mais que a chama de um fósforo. Saltito entre a base de conhecimento adquirido ao longo da minha vida de pescador, (52 anos à data de hoje), os peixes que nos lançam novos desafios a cada dia, a impossibilidade de os entender sempre, e …o desconhecido.
O inconformismo que me invade a cada dia de mar é o motivo de ter, durante quase dois anos, escrito à razão de um artigo por dia. É muita letra junta, muita linha paralela! Muita água salgada na cara. Se acham difícil ler, tentem partir do zero e criar algo numa folha branca. Todos os dias.
Seguramente saíram artigos bons e menos bons, uns melhores que outros, mas todos com muita vontade de me responder a mim próprio, e já agora, passar informação e ajudar quem me lê.
E que eventualmente poderia ser mais colaborativo, colocando questões, insurgindo-se contra opiniões minhas que seguramente não serão nunca únicas e universais, e que por isso mesmo podem e devem, repito, podem e devem, ser contestadas. Poucas vezes o foram.




A pessoa curiosa e sedenta de saber continua a existir dentro de mim. São os peixes que me obrigam a transcender-me, levando-me para além do que já me parecia uma verdade absoluta. Isso é para mim muito interessante e seguramente um bom desafio.
Vou continuar a investigar, a espiolhar temas que me interessam, a obter conhecimento, a acumular conhecimento. E por isso mesmo, a escrever. A tentar colocar qualidade num panorama literário que é hoje em dia sobretudo quantidade.
Mas pergunto se faz sentido gastar diariamente uma ou duas horas da minha vida quando do outro lado, do lado que interessa, está quem não tem um minuto para interagir, ou sequer para contestar.
Das centenas de leitores diários regulares, surge pontualmente um ou outro comentário, espaçado no tempo. Um ou dois…
Atingido este marco que são as 100.000 visualizações, parece-me bem fazer uma reflexão. Tentar entender se vale a pena continuar neste formato.
Porque eu sei que não ignoram que do outro lado está alguém que imagina temas, que os seleciona, que os investiga, e que os escreve. São muitas horas! Mais que tudo, o que mata, o que esmorece, é a ausência quase total de retorno, de eco.




Não há revistas em papel no nosso país. Acabaram. Morreram. A última tinha um preço de capa ridículo, não mais de 3 euros mensais. Isso significa que as pessoas não estão dispostas a investir 3 euros na sua formação técnica, ou sequer de manter viva uma revista que era, à data, o único elo de ligação entre a actividade da pesca de mar, e a comodidade da leitura de cabeceira, ao final do dia de trabalho. Hoje, visitam-se blogs, espiolha-se a vida de quem publica em Facebook, Instagram, etc. E faz-se isso gratuitamente. Mas será essa diferença de 3 euros justificativa do abandono de hábitos de leitura? Lê-se menos em Portugal e é pena. Quando percebermos que uma foto e uma frase podem ser muito pouco em termos de cultura, já estaremos longe do ponto de retorno.
Ser gratuito já não chega. Há que ser curto, porque a paciência para ler não é muita. E todavia, quem escreve, mesmo que gratuitamente, precisa de um incentivo mínimo para se dar ao trabalho de escrever. Curto ou comprido.
Uma publicação gratuita, vive muito do entusiasmo de quem escreve mas também de uma réstia de retorno de quem lê. Seria clara a falta de interesse nos temas, caso não houvesse leitores. Mas há, e são algumas centenas diárias. Mercê de um comodismo e inércia absolutas, o lado de lá adopta a posição mais cómoda: ignora. Lê, mas ignora.




Fico com a certeza de que há temas que interessam muito mais que outros. Um artigo que verse os robalos, os pargos, tem mais audiência que um outro que trate da formação de algas, da oxigenação das águas, da ferrugem dos anzóis, de seres minúsculos que…existem!
Acaso haverá alguém que pense que haverá pargos sem haver comida para pargos?!
Aquilo a que me propus, a mim próprio, quando iniciei este blog foi ajudar a desvendar os segredos que se encontram escondidos atrás desse peixe que trazemos para casa. O que chega a casa é apenas um cadáver de algo que conseguiu garantir o seu espaço, lutando todos os dias contra uma enormidade de adversidades. Os nossos peixes lutam pelas suas vidas, a cada instante. E eu sei que trouxe aqui um pouco disso mesmo, dessa capacidade de luta.




Chegámos hoje às 100.000 visualizações. É significativo porque é muito mais que peixe. Neste blog escreveram-se artigos sobre temas que pouco teriam de ver com baldes de peixes. Mas está tudo ligado e hoje muita gente já entendeu que está mesmo tudo ligado.

Vamos dar um formato diferente ao blog, com menos texto e mais imagem.
A equipa que faz este espaço, o Hugo Pimenta, o Carlos Campos, o António Marques e eu próprio, vamos mudar o foco da mensagem para informação em filme, feita na sua quase totalidade no mar.
Parece-nos bom tentar inovar, mostrando às pessoas como se faz, por imagens, ao invés de lhes dizer como se faz, em texto. Vamos passar a ver….mais que ler sobre pesca.
Alguns textos continuarão a ser publicados, numa base semanal, mas a predominância será a de curtos vídeos exemplificativos de como se faz. Uma imagem, ….mil palavras.




O meu objectivo, após estas primeiras 100.000 visualizações, passa a ser o de armazenar informação, material em vídeo, e muita imagem. Para algo diferente: em data oportuna irei publicar um livro sobre mar, em que a pesca à linha será tratada de forma única, inovadora, e, asseguro-vos, interessante.
Dêem-me tempo. É de tempo que eu preciso para fazer algo que nunca foi feito.



Vítor Ganchinho



Comentários

  1. Bom dia,

    Desde já os parabéns a todos os que tem contribuído para este marco alcançado.
    De facto a leitura por si só tem vindo a perder adeptos, para isso muito tem contribuído as novas tecnologias, redes sociais e outros formatos tecnológicos.
    Confesso que sou um grande adepto do YOUTUBE, o vídeo é de facto um formato muito bom para este tipo de interação, é apelativo e muito explicativo para quem gosta de aprender. Como disse e muito bem, "uma imagem , mil palavras...".
    Sou da opinião que temos muita falta de cultura neste meio, para ultrapassar isso é importante ensinar e partilhar conhecimento. O Vitor e restantes membros, muito tem contribuído para essa partilha, a vossa resiliência é de louvar.
    Também partilho da opinião, que o debate ajuda e encoraja aqueles que diáriamente colocam o seu esforço e trabalho para isto aconteça.
    Da minha parte e independentemente do formato(os), espero que o blog continue, muito se aprende aqui!

    Muito obrigado a todos vós e muito força para as seguintes 1000 000 visualizações!
    A. Duarte

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    1. Bom dia António Duarte Vamos continuar a escrever, por ser essa a ideia que preside à criação do blog. Mas vamos passar a escrever sobre imagens em vídeo, exemplificativas daquilo que pretendemos demonstrar. Penso que pode ser um formato mais apelativo para quem pretende ficar a saber um pouco mais.

      Não ficamos por aqui, de todo.

      Abraço
      Vitor

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  2. Confesso que a sua escrita clara ,objectiva e focada me faz ler diariamente o actual é o que já passou ... Bom trabalho a si é a quem faz isto acontecer... Que venham os workshop que muito há para aprender ... Grande abraço
    Bruno Gomes
    Ps abraço ao Francisco Bastardo um amigo. Em comum

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    1. Bom dia jovem pescador B. Gomes!!


      Fico muito feliz por saber que os nossos workshops têm interesse. A pandemia veio impossibilitar a sua concretização, mas vamos retomar muiyto em breve. Esteja atento, porque o próximo vai ser anunciado aqui, no blog.
      Linhas esticadas, com peixes grandes a fazer força! É isso que queremos.



      Abraço
      Vitor

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  3. Boa tarde,
    deixo lhe os meus parabéns pelos números alcançados, pelo conhecimento e sua partilha, sempre interessante.Sendo a pesca à bóia aos sargos a que mais pratico, encontro bastantes motivos de interesse em variados artigos, sem dúvida que o que me fez evoluir um pouco nas capturas que faço foi dar atenção a tudo o que pode resultar em que o peixe possa estar com mais atividade e em tudo o que possa influênciar o seu comportamento, e são muitos grandes pequenos detalhes que muitas vezes condicionam o resultado do que pretendo, a captura de peixes razoáveis, não muitos, mas bons.
    Apesar de não ter o prazer de poder ir à pesca diariamente, conto ter o gosto de sentir um pouco de pesca aqui no blog, e uma participação maior da parte do leitor seria mais gratificante
    Saúde
    F. Faia


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    1. Bom dia F: Faia! P`rá frente com esses sargos de dente preto! Os grandes, acima de 1.5 kg, são os que nos fazem sentir mais pescadores. É gente já velha, farta de ver muitos carnavais, farta de linhas e anzóis. Quando os conseguimos enganar, isso quer dizer que já sabemos algo.
      A pesca nunca será uma questão de quantidade, mas sim de qualidade. Um só lance, e não necessariamente ganho por nós, pode ser mais gratificante que uma caixa cheia de miudezas....

      Obrigado por ler o blog.


      Abraço
      Vitor

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  4. Bom dia, queria deixar os meus parabéns pelo marco atingido e o meu incentivo para continuar a escrever, assumindo mea culpa pelo falta de retorno e feedback diário ao seu excelente trabalho. A pesca está nos detalhes e no ambiente que nos rodeia e é essa a reflexão que nos tem trazido com os seus textos e histórias de uma forma enriquecedora. Muito Obrigado!

    Rui Alves

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    1. Bom dia Rui Alves Agradeço-lhe as suas palavras de incentivo! Acredite que há momentos em que sentimos que sim, afinal vale a pena sacrificar algum tempo da nossa vida e continuar a dar aos dedos, a passar a letras e palavras aquilo que se passa no mar, aquilo que conseguimos ver nas nossas saídas de pesca.
      Vamos ter durante os próximos tempos alguns filmes que podem ser interessantes, comentados, e que espero possam ser exemplificativos do muito que há para fazer na nossa costa. Há muito mais que pesca vertical, um chumbo e dois anzóis.
      Sem menosprezar essa técnica, mas mostrando que se pode fazer mais que colecionar peixinhos miúdos.
      Muito brevemente iremos mostrar uma pescaria dirigida às abróteas, com sardinha.
      Vai ver que é algo de novo! Já estamos a trabalhar no vídeo.


      Abraço
      Vitor

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