UM NÓ FIRME E NÃO COMPLICADO DE FAZER

Pescamos frequentemente com um fio de multifilamento, e um chicote de nylon, ou fluorocarbono. E isso implica fazer a união de ambos.
Há quem não dedique a essa união mais que alguns segundos. E fazem mal, francamente mal, porque por vezes perdem peixes, e quase sempre bons porque os pequenos não rebentam fios, por incúria, por desleixo, por não querer saber...
Na pesca jigging os nós são algo a que devemos dedicar algum do nosso tempo. São importantes, são muitas vezes decisivos, e a eles devemos dedicar algum cuidado.

Hoje trago-vos um nó que tem uma data de nomes e variantes, conforme seja feito à mão, ou utilizando uma peça própria para o efeito, (passo-vos abaixo fotos de um bobinador da Shimano, mas existem centenas de marcas a fazer este produto).
O princípio básico é sempre o mesmo, o enrolamento de linha multifilamento a um chicote de fluorocarbono ou nylon. Pode ser chamado de FR, FG, PR, tem sempre algumas diferenças, ou não fosse verdade que em milhões de utilizadores haveria sempre quem fosse capaz de introduzir uma nuance nova. Mas centremo-nos no essencial, que é termos um nó que é bom, que dá segurança, e que se consubstancia no princípio de atrito entre duas linhas.
Vocês sabem como é difícil desatar nós apertados quando temos uma horrível cabeleira feita no nosso trançado. Se aperta, podemos passar meia hora a trabalhar, e pode nem se conseguir resolver.
Na maior parte dos casos, mais vale cortar e fazer de novo. E o princípio que exploramos é exactamente esse, o de aproveitar a aderência/ atrito do multifilamento a outra linha.
Digo-vos que fica de tal forma firme que acaba por ser melhor que a maior parte dos outros nós. Quem aprende a fazê-lo, passa a utilizar para outros tipos de pesca, inclusive vertical.


Este é um comprimento exagerado, mas que foi feito para exemplificar a simplicidade deste nó. Com metade deste comprimento já temos firmeza mais que suficiente.


Quando queremos um nó que nos dê garantias máximas, esta é uma boa opção. Digo-vos que utilizo este nó em linhas muito finas, ….ou muito grossas. Na verdade, serve-me para muito mais aplicações, e tem a uma vantagem acrescida: sendo bem feito, passa perfeitamente nos passadores da cana, sem bater.

A peça Shimano é esta:




Há quem queime a ponta com um isqueiro. Pode ser feito, mas confesso que prefiro não tocar em fogo junto da linha mãe. Um descuido e estamos a fragilizar a linha num ponto muito sensível.
Prefiro trabalhar com um alicate de corte velho, que esteja meio rombo, e que por isso, não faz um corte definido, mas sim algo que fica amachucado, com um cabeçote. Esse é o efeito pretendido, algo que, por absurdo sendo necessário, possa travar a saída do nylon por dentro das espiras. Digo-vos que teria de acontecer um milagre muito grande para um nó destes se desfazer. Já os testei com peixes a sério, e ficou sempre intacto.

Em caso de dúvidas podem sempre contactar-me, através do blog. Exponham as dúvidas e eu, com muito gosto, respondo.
Entenderão que o meu telemóvel não é o sitio certo onde podem colocar questões por uma razão simples: estaria a responder a uma pessoa.
Quando há algumas centenas a ler o blog, não poderia ter tempo para responder de forma individualizada a cada um.
Se forem ao YouTube, vão encontrar milhares de pessoas a executar, e bem, pelo que me abstenho de o fazer aqui.
Irei fazê-lo num dos próximos workshops a marcar na GO Fishing em Almada. Está mesmo para breve!



Vítor Ganchinho



Comentários

  1. Boa tarde, utilizo este nó à bastante tempo... nunca me deixou ficar mal. Quando é necessário partir, devido a uma prisão, parte sempre pelo nó do clip ( Normalmente utilizo nó palomar ) ou pela linha devido à abrasão de uma rocha e nunca pelo nó FG.

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    1. Sem dúvida. O nó FG tem como princípio básico o atrito entre duas linhas e a verdade é que resulta na perfeição. Há pessoas que acham que, por ser apenas o enrolamento de uma linha sobre a outra, que no momento de fazer força a sério irá....escorregar. Não escorrega nada! Diria que virtualmente pode partir por todos os lados menos por este nó. Pode acontecer que à primeira não saia muito bem, mas como em tudo na vida, há que aprender a fazer. E a seguir, faz-se sempre bem. Eu utilizo cada vez mais, e até para pescar jigging a peixes grandes.
      O Palomar, é um nó também aparentemente simples, mas tem tudo para ser bom. É o que faço nos meus jigs, e também noutras situações, como por exemplo quando faço um tandem de dois anzóis, para pescar com cavala ou lula viva. O anzol da ponta leva um palomar e ainda está para vir o primeiro peixe que o parta....

      Obrigado pela sua participação.


      Vitor

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  2. Bom dia Vitor,

    Das milhentas formas de efetuar estes nós, existe alguma diferença na resistência do mesmo, se esse for efetuado pelo modo convencional (sem o uso da maquineta)?

    Abraço,
    A. Duarte

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    1. Boa tarde António Fazer este nó à mão leva mais tempo, e pode dar-se o caso de a pessoa não conseguir manter a tensão que se consegue utilizando o bobinador. Apenas isso.
      Um nó de atrito apenas faz sentido se ficar à "prova de bala" e não oferecer dúvidas. Eu faço este nó em linhas tão finas quanto os meus PE 0.6, sendo que nem seria necessário. Bastava um nó de bloqueio às duas pontas. Mas eu gosto de fazer nós, e tenho tempo, a seguir ao jantar. É uma forma de preparar a pesca que se segue.
      Relativamente às máquinas, ou bobinadores se quiser, existem em dois pesos diferentes. Eu utilizo o mais pesado, por ser mais universal. Posso utilizá-lo com um 0.90 ou com um 0.23 mm e fica sempre bem. Não é complicado de fazer, é sim difícil de acreditar que pode ficar tão firme. É incrível como é sólido!

      Vou mandar vir umas quantas máquinas para a a GO Fishing de Almada. Não são peças caras e dão um jeitão para preparar as baixadas.
      A maior vantagem é mesmo a de ser um nó que não bate, que passa nos guia fios sem atrito nenhum.

      Abraço
      Vitor

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