POR AMOR DE DEUS, JOÃO!...

Já aqui vos trouxe algumas vezes assuntos relacionados com o meu amigo João Nuno.
A verdade é que ele “ajeita-se” a estas coisas, por ser naturalmente descuidado, por não querer saber dos seus materiais de pesca, (andam ao rebolão pelo barco…), por ir pescar às 10.00h da manhã, por ter de organização de barcos e equipamentos de segurança apenas uma noção muito ténue, muito vaga, e …por tudo!

O João Nuno é boa pessoa, mas leva alguém que gosta de planear, de organizar, de arrumar, …ao desespero. Por incrível que possa parecer, ele pesca.
Pesca porque sai muitas vezes durante a semana, quando os pesqueiros estão mais folgados, com menos ruído, menos barcos, menos pressão de pesca, e assim sendo, o peixe estará mais predisposto a colaborar. E para ele, toda a colaboração da parte dos peixes é bem vinda e fundamental. Porque no meio daquela desorganização organizada, para que algo saia bem é preciso que tudo esteja alinhado.
Falei com ele diversas vezes sobre a questão das fotos. Ou se quiserem, da falta de qualidade delas.
Imortalizar um peixe para sempre apenas exige alguns segundos de esforço. É mesmo só fazer uma foto boa, e isso é tão fácil de fazer quando o peixe está vivo.
Esqueçam as fotos de peixes mortos, espalhados no chão, as fotos feitas com os bichos no lava-louças, as fotos feitas à porta de casa com a filha, etc. Isso não vale!


Falámos aqui há dias sobre a questão de deixar os peixes todos ensanguentados, não foi? E a ideia de segurar com uma mão na cauda do peixe. Isso dá um sentimento de posse ao pescador, mas rouba toda a dignidade possível ao peixe, que aqui funciona como o “capturado”. Devemos preservar a imagem nobre de um peixe pelo qual nutrimos um grande respeito.


Nós não odiamos os peixes, pelo contrário, gostamos muito deles. Achamo-los bonitos e eles são mesmo muito bonitos. Vejam as cores de um pargo destes e digam se não é um peixe muito bonito!
Mas aquilo que realça aqui nem são as cores, é o sangue que o pobre animal tem a escorrer das branquias...
Já quanto a aparecer o enchalavar em primeiro plano, os baldes de plástico, a pá e a vassoura, a “limpeza” deste barco como pano de fundo, estamos conversados.
Isto é o João Nuno no seu melhor, o João que eu conheço há dezenas de anos.
Não há photo-shop que resista a isto, porque não é uma questão de cortar as margens, é mesmo tudo ruim, …excepto o peixe.


Isto é o resultado final de uma captura boa, um pargo sêmola, ou se quiserem “Pagrus auriga”, de 4 kgs, que aqui aparece sem brilho, sem chama.


Há pessoas que, pese embora a exiguidade de meios, conseguem sempre fotos de nível elevado.
O meu amigo Raúl Gil, pessoa que costumam ver aqui no blog pelas suas capturas interessantes mas também pela qualidade das fotos que apresenta, é um deles.
E muitas vezes faz “selfies” a partir de um kayak. É difícil ter piores condições. Passo-vos uma das suas últimas fotos, para que vejam que aquilo que é essencial está lá.
O resto fica tudo fora. Não há aqui sangue na dourada, nada de pás de vassouras, e toda a informação relevante aparece bem definida. Trata-se de um a captura feita com um jig, o que só por si valoriza imenso o lance.
É-nos possível perceber que o Raúl utiliza o colete de segurança, e que, pese embora se desloque de kayak, leva consigo alguns conjuntos de canas ligeiras.
Corresponde ao estilo de um dos melhores pescadores europeus da actualidade. Confere! Habituado a ver fotos suas publicadas em revistas e catálogos de produtos de pesca, o Raúl dedica alguns segundos do seu tempo de pesca a registar para a posteridade alguns dos peixes que consegue. Tem um portfólio imenso, com uma qualidade acima da média, ao qual recorro frequentemente quando quero ilustrar um ou outro detalhe aqui no blog.


Esta dourada teria cerca de 2 kgs, ou seja, metade do peso do pargo do João Nuno. Vejam a diferença de apresentação das fotos.


Neste caso, ocorre-me enviar o João Nuno durante uma semana para Valência, para estagiar com o Raúl. Provavelmente seria melhor marcar uma visita de um ano, ...



Vítor Ganchinho



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