E SOBRE "PALHACINHOS" PARA OS CHOCOS? - CAP. 3

Temos vindo a dedicar a nossa atenção a aspectos importantes na definição do “armamento” com que devemos sair de casa para pescar chocos.
Há detalhes que não devemos descurar, sob pena de estarmos a perder oportunidades.
Ter uma cana ligeira, com ponteira sensível que nos dê a informação de quando temos um cefalópode agarrado, ajuda. Mas há algo ainda mais importante: a linha!
A Daiwa lançou uma família de productos exclusivos para a pesca do choco, a gama Esmeralda, e incluiu de forma muito assertiva linhas multifilamento fabricadas com o único objectivo de pescar …chocos.
Se sabemos que a pesca que fazemos é dirigida aos chocos, logo não vamos ter peixes de 10 kgs pegados na nossa toneira, se as profundidades por norma não excedem os 30 metros, por que razão utilizamos linhas com resistências de …25 kgs? Porque aplicamos nylons 0.60mm???
Aquilo que fazemos deste lado, é basicamente imprimir impulsos verticais à montagem de um chumbo e um palhacinho, e de certeza a maior parte das pessoas nem sabe porque o faz.
Apenas veem os outros fazer, conseguir resultados e por isso. …fazem igual.
Se querem um tratado de pesca ao choco, devem parar junto a uma aiola de Setúbal, desligar o motor, e observar como se pesca com duas toneiras ao mesmo tempo.
Se acham que irão estar muito tempo a ver o setubalense a pescar pois desenganem-se: as aiolas são feitas em madeira robusta, e estão preparadas para aguentar vento.
Os barcos de fibra, mais leves, acabam por sair do sítio, e vão facilmente à rola com o vento. Nas aiolas, para além de um pequeno motor que serve apenas para a ida e vinda para terra, aquilo que funciona mesmo é um par de remos.
Os barcos são tão pesados que para poder encontrar águas novas, não pescadas, o barqueiro tem mesmo de as mover à força de braços.
Quando está vento a mais, …não vão pescar.
Vamos ver agora aquilo que funciona a sério no país do sol nascente, os modelos topo de gama que estão a dar cartas do outro lado do mundo, no Japão:


Os Egistas, da empresa Tsuriken, uma toneira que teve uma grande aceitação entre nós. Fazem-se milhares de chocos a cada temporada com estes palhacinhos.


De um realismo impressionante, os GAN CRAFT são porventura os palhacinhos mais parecidos com uma presa viva.


Os modelos da Daiwa, de uma eficácia a toda a prova, autênticos camarões saltitantes. Existem em vários tamanhos e pesos.


E por fim, aquilo que está a fazer furor junto dos aficionados da pesca do choco: os modelos Dartmax da marca japonesa Fish League.
Para que tenham uma ideia sobre o quão é difícil conseguir estas toneiras, digo-vos que as encomendas são colocadas com o espaço de um ano, para que exista alguma garantia de sucesso.
A baixa capacidade de produção da fábrica, aliada à procura excessiva por parte dos pescadores nipónicos, fazem com que um prazo de 12 meses seja entendido como razoável.
Os distribuidores pagam a mercadoria e aguardam a sua chegada, …pacientemente. Podem ver abaixo alguns modelos, à venda na GO Fishing Almada.
Há mais cores em stock.






Aquilo que nós fazemos ainda é apenas o princípio da pesca ao choco. Um dia, provavelmente daqui a uns anos, os nossos pescadores irão entender que há outras formas de trabalhar a amostra no fundo. Os japoneses estão alguns anos adiantados tecnicamente em relação ao que fazemos, que não passa de uma agitação sincopada, com ritmo certo, do palhacinho no fundo.
A pesca do choco no Japão faz-se sempre utilizando cana e os bons especialistas pescam-nos num modelo muito próximo do spinning, em fundos relativamente baixos, com movimentação rápida entrecortada por momentos de pausa completa. É no momento da queda da toneira para o fundo que a picada acontece. Chamam eles a este movimento o “darting” e apenas é possível com este tipo de cabeça triangular.

Lá chegaremos.



Vítor Ganchinho



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