IR ÀS LULAS COM... JIGS

A maior parte das pessoas que pretende pescar algumas lulas, sai ao mar com toneiras.
Chegar preferencialmente ainda de noite à zona de pesca, ao alvorecer do dia, maximiza bastante as possibilidades de conseguirmos algumas.
Não é uma pesca difícil, pelo contrário, pode inclusive chegar a ser mais fácil que pescar chocos. As condições não são as mesmas, pesca-se sobretudo mais fundo, e em mar aberto. Mas em questão de técnica, não difere substancialmente.

Mas existem limitações: quando estamos com uma toneira de agulhas, não é expectável conseguir nada mais que lulas. Eventualmente quando tocamos o fundo pode aparecer um polvo. Ou um choco, ser não for demasiado fundo. Mas fica por aí.

Há alguns anos atras comecei a reparar que, ao pescar o pargo e robalo com jigs, conseguia regularmente algumas capturas de lulas. E não sou o único.
Com efeito, se pescamos com assistes, simples ou duplos, é natural que se sintam de quando em quando umas pancadas secas, que acabam por não resultar em capturas.
O mais normal é pensarmos que se trata de um ataque falhado de um pargo. Mas em grande parte das vezes, afinal aquilo que está a tentar prender o nosso jig é mesmo uma lula atrevida.
Nesses casos, mudar o assiste simples de cauda para uma fateixa tripla acaba por dar quase sempre bons resultados.
Eu apenas o faço na época das lulas, e porque se trata de um petisco muito apreciado lá em casa. Por norma, pesco com anzóis simples, mais eficazes quando temos de medir forças com pargos de tamanho respeitável.
Não quero ter uma fateixa quando recebo um toque de um pargo grande, as probabilidades de desferragem e fuga são bastante superiores. A boca de um pargo tem uma consistência dura, com muito osso, e isso é um óbice para deixar cravar bem, ao primeiro contacto.
No caso das lulas é exactamente o inverso, temos bastante mais possibilidades de as conseguir com triplos. A questão prende-se com a quantidade de apoios de carne que se conseguem, e como isso é importante no caso da estrutura frágil da lula.
Se presas por dois ganchos da fateixa, normalmente são nossas. Cometer a asneira de as querer levantar em peso, de as transportar no ar, tem dois inconvenientes: o de rasgarem os tentáculos e irem embora e também o facto de não terem tempo para largar o ferrado ainda na água.
Vejam abaixo alguns exemplos de capturas de lulas, na circunstância feitas pelo nosso amigo Raúl Gil Durá, personagem sobejamente conhecido e publicitado aqui no blog.
Ele tem uma paciência de santo para me enviar as fotos de que necessito para ilustrar os meus artigos. É um grande amigo, que por vezes me dá o prazer da sua companhia em Portugal, e que se sente em família quando está em minha casa.
Pese embora as suas tremendas capacidades de pescador, é sobretudo pela sua personalidade alegre, calma, de bem com a vida, que nos cativa.


Quando se pesca com um jig armado com um triplo, as nossas possibilidades com as lulas aumentam exponencialmente.


Este tipo de pesca não tem requisitos especiais em termos de equipamento. O material de Light Rock Fishing serve perfeitamente. Não são expectáveis lulas de tamanhos acima dos 2 kgs, e até aí, as linhas finas servem perfeitamente. Sei de alguns exemplares de lulas capturadas ao largo das Berlengas, com cerca de 4 kgs, mas isso são raridades que não correspondem ao padrão, ao nosso standard. Poderemos considerar-nos com sorte quando as temos por baixo com cerca de 1 kg, e em boa quantidade. A lula comum, que encosta a terra precisamente nesta altura do ano, pouco passa dos 300 gr.


A pancada inicial que estes bichinhos dão nos nossos jigs leva-nos muitas vezes a pensar tratar-se de um peixe maior. Depois, …aquilo que sai acaba por ser apenas um “saquinho” de tinta, mas nunca nos arrependemos de as tirar. São sempre bem recebidas. 


O Raúl pesca muito com jigs entre os 5 e os 12 gramas. É um peso mosca que permite uma animação muito viva, e isso excita as nossas lulas ao ponto de o perseguirem ao longo do seu percurso vertical. Para quem tem boas sondas, é possível acompanhar esses movimentos. 


Caso tenhamos essa possibilidade, é de providenciar uma outra caixa para as colocar. O ferrado negro que acabam inevitavelmente por largar irá sujar o outro peixe e isso não é de todo positivo. Nada que não seja orgânico, e que não possa ser lavado, mas se possível, é de evitar misturar lulas com robalos, pargos e outros peixes.


Para esta lula, aquilo que estava a tentar capturar era um pequeno peixinho azul, eventualmente uma sardinha perdida. A eficácia dos jigs ligeiros é tremenda, e por isso podem acontecer capturas a qualquer hora do dia, embora as primeiras e últimas horas sejam…mágicas.



Vítor Ganchinho



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