A COR DOS PALHACINHOS - CAPÍTULO 2

O que é cor?

Não tenho forma de obviar a uma explicação técnica que irá parecer demasiado complexa a quem lê... mas que é imprescindível para que se entenda o processo no seu todo.
Aquilo que o nosso olho humano consegue ver é a forma mais simples das ondas eletromagnéticas existentes, e corresponde ao espectro eletromagnético a que chamamos Faixa do Espectro Visível.
O que vemos são ondas electromagnéticas que se situam num espectro visível aos nossos olhos, embora existam muitas mais, mas que não conseguimos perceber. Têm um quadro abaixo onde podem entender isto.
As ondas eletromagnéticas propagam-se no vácuo à velocidade da luz e este conceito é válido para todas. É importante ainda saber que as ondas eletromagnéticas se diferenciam pela sua frequência e comprimento de onda, e a interação dessas ondas com a matéria depende da frequência da onda e da estrutura atômico-molecular da matéria. Isto é física pura, e não podemos inventar outra forma de o dizer.
Partimos destes princípios para chegarmos à questão da cor das toneiras.



A luz é produzida por corpos que a altas temperaturas, excitados, (como o filamento de uma lâmpada) e pela reorganização dos seus elétrons em átomos e moléculas.
Os comprimentos de onda da luz visível são classificados segundo a cor, desde o violeta, que tem comprimento de onda λ = 4 . 10-7 m, ao vermelho, cujo comprimento de onda é λ = 7 . 10-7 m.
Portanto, a sensibilidade dos olhos é uma função do comprimento de onda e é máxima para um comprimento de onda λ = 5,5 . 10-7 m (amarelo-verde), o centro do quadro que podem ver abaixo:




Agora temos de ir a um outro ponto, o da percepção de cor. Como entendemos as cores? Que tipo de equipamento ultra-sofisticado utilizam os nossos olhos para as ver?
A visão é o resultado dos sinais transmitidos ao cérebro por dois elementos presentes na retina humana: os cones e os bastonetes.
Os cones são elementos que se ativam quando há presença de luz de forma intensa (como a luz do dia) e são muito sensíveis à cor. Vemos perfeitamente as cores à luz do sol.
Já os bastonetes são elementos capazes de atuar com iluminação menos intensa (uma sala escura) e são menos sensíveis à cor. Vamos ver isto mais em detalhe um pouco mais abaixo.
A luz é tão importante nas nossas vidas que originou o desenvolvimento de um ramo especial da Física aplicada: a Óptica. Esta ciência estuda os fenômenos relacionados com a luz e a visão.

Vejamos de que formas podemos analisar os processos de emissão de luz, quais as fontes primárias:

Termoluminescência; Incandescência; Fluorescência; Fosforescência; Bioluminescência.

Há muita gente que adquire palhacinhos que emitem luz, que brilham no escuro. Mesmo quem não pesca à noite o faz, compram porque... sim.
Mas que tipo de luz é essa? Devemos dizer fosforescência ou fluorescência? Ou são coisas diferentes?
Fosforescência e fluorescência são dois processos distintos de emissão de luz em baixas temperaturas. Nos dois processos, ocorre absorção de energia e a sua reemissão em forma de luz visível aos nossos olhos.



Substâncias fluorescentes, como estas mostradas na foto acima, absorvem luz ultravioleta e emitem luz visível.
Fosforescência e fluorescência são casos especiais de luminescência. Luminescência, por sua vez, é o processo de emissão da luz em baixas temperaturas, diferente do processo de termoluminescência.
Na luminescência, os átomos absorvem parte da energia proveniente de alguma fonte externa, reemitindo-a na forma de luz visível. E quais são então as características da fosforescência e da fluorescência?

Fosforescência

A fosforescência ocorre quando uma substância é capaz de absorver a luz produzida por alguma fonte externa, reemitindo-a em forma de luz visível, mesmo após a interrupção da iluminação.
As substâncias desse tipo continuam a emitir um brilho fraco por intervalos de tempo que variam de alguns segundos a horas. A maior parte dos bons palhacinhos de pesca ao choco, (os mais caros...), guarda parte desta luminosidade que capta à superfície, e mantém este efeito no fundo do mar. Por outras palavras, brilham.
Estamos a tratar de objectos muito comuns no nosso dia a dia. Um exemplo comum de corpo fosforescente são os interruptores dos candeeiros de mesinha de cabeceira que podem ser facilmente encontrados no escuro.
Mas nós que saímos ao mar temos muitos objectos à nossa volta que fazem o mesmo: vejam abaixo uma bússola fosforescente.


Um objecto que nos é familiar, uma bússola. Quando navegamos à noite é muito útil que possa ser vista sem o recurso a uma luz exterior.


Fluorescência

De forma diferente do que ocorre na fosforescência, as substâncias fluorescentes emitem luz somente enquanto estão recebendo energia de alguma fonte externa.
Dessa forma, quando a fonte de energia cessa, (quando desligamos o interruptor da luz) o processo de fluorescência é interrompido imediatamente.
Há muitas traineiras do nosso país que utilizam luminárias estanques fluorescentes, com lâmpadas que funcionam a 12v ou 24v, de acordo com os geradores/ baterias que têm instalados.
Um bom exemplo de objetos fluorescentes são as lâmpadas fluorescentes brancas. Estas lâmpadas contêm um gás ionizado no seu interior que, ao ser acelerado, produz luz ultravioleta.
Na parte interna dessas lâmpadas, há um pó que contém fósforo. Esse pó absorve a radiação ultravioleta e reemite-a, imediatamente, na forma de todos os comprimentos de onda de luz visível, produzindo um intenso brilho branco, que apresenta todos os comprimentos de onda da luz visível (também chamados luz policromática). Temo-las em nossas casas, nas cozinhas, por exemplo, ou nos escritórios, nos armazéns, etc.


A percepção que temos das cores pode variar de pessoa para pessoa. Não sabemos até que ponto isso pode ou não acontecer também no caso dos chocos.
Sabemos sim que diferentes pessoas veem diferentes cores, sem chegarmos a casos extremos como os daltónicos. Porque temos órgãos sensoriais que podem ser ligeiramente diferentes, também muito dificilmente teríamos todos a mesma visão das cores.
A interpretação que fazemos das cores das toneiras quando chegamos à loja não é necessariamente a mesma para todos. Nos nossos olhos existem células fotorreceptoras especializadas em captar a luz e transformá-la em impulsos nervosos, que são traduzidos pelo cérebro.
Essas células são chamadas de cones e bastonetes, conforme tínhamos visto anteriormente. Os seres humanos apresentam três tipos diferentes de cones: os cones sensíveis à luz azul, verde e vermelha.
Alguns animais podem apresentar até doze diferentes cones – na prática, esses animais podem ver uma infinidade de cores a mais quem nós não conseguimos ver! Os chocos conseguem ver coisas que nós não conseguimos ver!
Da mesma forma que um simples cão pode detectar cheiros que a nós nos passam despercebidos. Não temos as mesmas armas que eles têm.



A cor branca e preta não são exactamente cores. Bem sei que vos parece estranho! A luz branca na verdade é uma composição de cores, não é uma cor. É uma mistura de todas as cores do espectro visível, e apenas nos indica que o objecto para o qual olhamos reflecte toda a luz que a ele chega. Quando olhamos para um arco-íris, aquilo que estamos a ver é que a luz branca ao passar sobre as gotas de chuva é difundida, e é separada por frequências de cor. Há uma dispersão de cores.
A cor preta, ocorre quando há total ausência de luz. Por duas razões: ou por ausência total de luz, ou pelo facto de a superfície para a qual olhamos absorver todos os comprimentos de onda da luz que incide sobre esse objecto.
Os pescadores de chocos, sem o saberem, já utilizam há muitos anos palhacinhos que jogam com todos estes factores de cores, diante dos olhos dos pobres bichos.
Das experiências feitas durante anos com este tipo de materiais, chegou-se à conclusão de que o comprimento de onda de luz mais visível para os chocos é algo na ordem dos 490nm.
Amanhã vamos ver o que é que isto quer dizer e de que forma isso vai simplificar a escolha das nossas toneiras.



Vítor Ganchinho



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