O ROBALO, ESSE MALANDRO... CAPÍTULO 2

Os pontões de pedra, os paredões, as rochas altas.

Nem sempre com as melhores acessibilidades, e por isso de acesso restrito, as zonas de pedra alta à saída das cidades são normalmente procuradas pelos predadores para fazerem esperas aos peixes que arriscam a saída das turvas águas do rio.
Sabemos que estruturas rochosas são viveiros de seres que nelas se escondem, aproveitando as suas frestas, os seus esconderijos, para dessa forma escaparem a quem os costuma perseguir.
Nessas rochas, para além da dificuldade de acesso, também ocorrem dificuldades acrescidas aquando dos combates que peixes de tamanho considerável sempre acabam por travar. Peixes pequenos levantam-se em peso, mas um robalo de grande porte exige uma chegada à água que pode não ser possível. E a rotura da linha, até por fricção na rocha, permite a esse exemplar escapar e passar a ser mais cauteloso com as suas presas. E com isso, viver mais anos.
Os robalos, por vezes em bons cardumes, arriscam a permanência nesses locais, sempre que existe uma possibilidade mínima de fuga, um lugar para onde podem escapar se isso for necessário. As saídas dos portos são zonas de forte criação de caranguejos do rio, os nossos conhecidos caranguejos verdes com que pescamos às douradas. E os robalos adoram esses caranguejos. Mas há muito mais tipos de comida. As zonas ribeirinhas são verdadeiros mananciais de alimentos para quem as pode e sabe aproveitar. E o robalo sabe!


Pedras à saída do estuário, na Arrábida. Setúbal fica do lado esquerdo desta zona. Atenção às zonas que fazem parte integrante do Parque natural, já que são de pesca interdita.


Quando pescar?

Numa perspectiva de dar uma indicação de tempo/ momento óptimo de pesca, devo dizer-vos que devemos ter em linha de conta que as condicionantes serão:

1- No Verão e Outono, com águas quentes, os peixes alimentam-se aos primeiros raios de sol. No Inverno e início da Primavera, e por força do arrefecimento nocturno e das baixas temperaturas das águas matinais, é exactamente o oposto disso, o meio do dia traz mais possibilidades de sucesso.

2- As marés cheias trazem consigo a possibilidade de os peixes chegarem a locais que estiveram destapados de água na vazante. Alguns dos seres vivos que se submetem a essa tortura de viver com e sem água disponível, poderão ter morrido nessa baixa mar. E isso é uma oportunidade de encontrar comida fácil que não pode ser desaproveitada. Logo, a enchente é o momento de o peixe, cumprindo um ciclo biológico de alimentação regular, abrir a boca e começar a comer. É aí que devemos tentar.

Temos pois duas condicionantes, a estação do ano/ temperaturas das águas e a hora da maré. Escolher a hora certa do dia leva-nos a poupar tempo, paciência e recursos. Estar no sítio certo e na hora certa permitem-nos resultados mais seguros. Não existem situações perfeitas, não há compartimentos estanques que determinem que desta àquela hora comem e a partir daí já nada acontece, mas o sentido é de que há uma tendência generalizada para que aquela espécie de peixe esteja activa, ou ainda mais activa, naquelas circunstâncias, durante aquele período de duas ou três horas.
Quando as águas estão menos oxigenadas, mais expostas à inclemência do sol de Verão, o peixe passa a ter mais vida nocturna, e por isso mesmo o ciclo de alimentação da manhã ou da tarde resume-se a pouco mais de 30 minutos. Procura, encontra, come e descansa.
Dias de céu nublado, ou ainda melhores os dias cinzentos com alguma chuva, prolongam durante mais tempo este ciclo alimentar, dando-nos muito mais possibilidades de sucesso.


A quantidade de pequenos peixes que existem à foz dos rios é tremenda para um predador que os consegue caçar... a todos! Ninguém está seguro quando um robalo tem fome.


Que tipo de equipamento?

Calçado adequado, roupa ligeira e confortável são necessárias para um bom desempenho em zonas de rocha. Pessoas com idade mais avançada devem abster-se de tentar sequer, já que os riscos de acidente são evidentes.
Muitos outros pescadores adoptaram um meio de deslocamento que permite evitar estes riscos, sem prejudicar a possibilidade de lançar muito junto às rochas: o kayak. Terá outros riscos, mas indiscutivelmente é uma boa forma de pescar e fazer exercício físico regular.
Quando pescamos de terra, a cana deverá ter a possibilidade de lançar longe, e isso consegue-se com varas na ordem dos 2,40 a 2,80 mts, com acção média /rápida.
Na eventualidade de trabalharmos a partir de um kayak, e dada a posição menos estável de lançamento, a redução do comprimento para 2 a 2,10 mts torna-se mais confortável. Para ambas, uma acção de 7-25, algo dentro destes valores, resulta perfeitamente.
Um carreto 3000 a 4000 faz a função, e não tem necessariamente de ser um carreto caro. Para quem pesca de kayak, deve mesmo ser um carreto barato, pois as possibilidades de acidente de entrada de água salgada serão bem maiores do que aquelas que ocorrem a quem pesca de terra. A linha para pescar robalos não tem de ser grossa! Um PE 1,5 chega e sobra para o tipo de peixe em questão. Há quem pesque com linhas com cargas de rotura de 35 kgs, ao robalo. Para quê?!
Na melhor das possibilidades, nem conseguem lançar a amostra. Ou lançam a meia dúzia de metros. Uma linha fina de boa qualidade, própria para a pesca do robalo, (Daiwa Seabass Sensor PE 1,5…) faz tudo aquilo que uma linha tem de fazer.
A GO Fishing Portugal tem estes equipamentos em permanência no seu stock.


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Um chicote com dois metros de comprimento de fluorocarbono 0.28 a 0.33 faz o papel de linha invisível e estamos equipados, prontos a pescar.
Se pescamos nas rochas, podemos ter de ir alguns metros abaixo para chegarmos onde estão os robalos. Nunca esqueçam que eles sobem num ápice para engolir a amostra, se houver visibilidade para isso. Mas caso não haja, devemos então passar a amostra pela sua zona de caça. Para pescarmos a alguns metros da superfície, o ideal é a utilização de vinis, lastrados com um cabeçote de chumbo, ou tungsténio. O mercado está replecto de variantes, sendo para mim, pela sua qualidade e realismo, os vinis da Fish Arrow são de longe os campeões de capturas. Em zonas baixas, a cauda shad, com pala traseira, impõe-se naturalmente, pelas vibrações que emite, e pela facilidade de trabalhar a amostra, pois basta recolher sincopadamente.
Caudas bifurcadas serão mais úteis em zonas fundas, quando temos de vencer alguma distância entre a superfície e o fundo. Mas o seu manuseamento implica alguma técnica, há trabalho de pulso e cana a realizar.
Como habitualmente, a um menor peso de lastro correspondem melhores resultados de pesca, e por isso a cada um de saber escolher qual o cabeçote mais leve que permite pescar no local, atendendo às condições de vento, corrente e mar.


Conseguem vê-los aqui. Juvenis de diferentes espécies juntam-se, procurando que a soma de todos os olhos possam ser suficientes para detectar os predadores. 


Neste caso e porque procuramos peixes em zonas de pedra alta, podemos sentir a necessidade de ter na ponta da linha algo com um pouco mais de peso.
Queremos lançar longe e fazer passar a amostra em baixo, pelos espaços abertos das pedras, provocando o predador. Algo como isto resulta sempre:

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A Daiwa lançou estas amostras especificamente para os robalos e fornece conjuntos completos mais um vinil de reserva. Para além disso, e porque os dentes dos nossos robalos acabam sempre por dar desgaste aos vinis, há saquetas de reserva, vendidas à parte, para prolongar nos anos a utilização deste sistema. Dois pesos diferentes, ambos em tungsténio, para situações de pesqueiros mais rasos, ou mais fundos, permitem lançar onde é necessário.
As cores que a Daiwa escolheu para este modelo de amostra são ambas terríveis para os nossos robalos, pois correspondem em absoluto ao tipo de presas que costumam caçar. Estas cores são as de sempre, e são... as que resultam.
Na versão mais pesada, eu já pesquei a 45 metros de fundo, e consegui obter picadas.
A recuperação pode ser linear, a cauda shad emite vibrações suficientes para provocar o ataque, ou entrecortada de ligeiras intermitências, fases mais rápidas e paragens curtas. No fundo, aquilo que é o comportamento de uma presa em pânico. Não tem como falhar.

Amanhã vamos pescar nas praias, e ver como a técnica pode e deve ser diferente.



Vítor Ganchinho



Comentários

  1. Boas vitor , fala nos carretos deduzo que o uso de kayak possa aplicar também a pescar de barco aqui tenho algumas duvidas quanto ao carreto em si ... a minha questão vai para a qualidade em sim podendo pescar de varias formas sendo de vinil, sendo um popper , uma pequana zagaia ou ate um pouco de trolling , teremos de ter um ou dois conjuntos ? Sabendo que no caso do trolling o carretos sofrem bastante .. vale a pena comprar bom ou um gama média chegará?
    Quanto a trançados tenho usado o 12 fibras em 0.16 saltiga se por um lado acho que poderia baixar o diâmetro pescando apenas ao vinil por outro deixa algum receio.. os predadores alem dos robalos podemos dar de caras com uma rabeta mais capaz... que conselhos me pode dar sobre estas questões?
    Ja agora tbm ando a avaliar alguns carretos mais leves e mais pequenos tendo neste momento um stella sw 6000 e um penn slammer III 4500... que recomenda para poder usar vinil e algum que trolling mas seria mais para vinis

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    1. Bom dia Gomes!

      A pesca de kayak tem particularidades que a tornam um pouco diferente, em termos de equipamentos, daquilo que se faz a bordo de um barco. Eu tenho amigos que pescam imenso em kayak, e não é por isso que vão mal equipados, levam 3/ 4 canas montadas, e pescam peixe grande. Veja vídeos do meu amigo António Pradillo, ou do Raul GIl Durá, e entende. Mas relativamente à qualidade dos produtos, e por todas as vicissitudes que podem ocorrer quando estamos " sentados na água", e que não temos a bordo de um barco grande, eu não aconselharia adquirir material demasiado caro.
      As linhas devem ser finas, mas de boa qualidade. Nada mais frustrante que perder o melhor peixe do dia. E a amostra...por uma diferença de alguns euros na compra de uma linha. Para robalos, um PE 1,5 sobra. E dá para tudo o resto que lhe possa aparecer. Leia o que está escrito sobre isso. Para os vinis, a linha mais fina ajuda, uma vez que por definição não têm a mesma velocidade de afundamento dos jigs. Os carretos para kayak devem ser pequenos mas robustos, e isso entronca no conceito Daiwa LT, ou seja Light /Tough, ligeiro mas robusto.
      Na eventualidade de querer dar um salto à loja GO Fishing em Almada, eu vou lá estar neste próximo sábado de manhã, das 10.30h às 13.00h. Há carretos pouco onerosos que resolvem bem. Sou contra despesas significativas quando se trata de pescar em Kayak, da mesma forma que defendo que a bordo de um barco, o material topo de gama acaba por se pagar a si próprio, ..em peixe. Canas, carretos, dão-nos mais uns peixes ao fim do dia. NO Kayak, as limitações são muitas, e por isso mesmo não se podem perder peixes bons. A linha é por isso muito importante!

      Abraço!
      Vitor

      Para além disso, e porque a mobilidade não é a mesma, seria contraproducente utilizar material mais longo, ou mais pesado.

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    2. Boas sábados sempre que dá é dia santo de de faina é mais complicado, terá de ser durante a semana

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    3. Eu não estou na GO Fishing Almada, nunca.....


      Ou estou no mar, ou estou a fazer a gestão das outras 6 empresas que tenho...

      O meu "barco" é grande demais para eu poder brincar com pescas a tempo inteiro.

      Vai haver uma possibilidade, em momentos de férias, seguramente.



      Vitor


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  2. Sim eu sei, ja passei na sua loja varias vezes ... a minha filha anda na escola primaria mais acima .... alem disso temos uma amigo comum o francisco bastardo ... no meu caso o fim de semana é sempre que possivel o mar e o campo

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    1. O Francisco pesca poucas vezes. E das vezes que pesca, os peixes ficam com os olhos cheios de lágrimas, de tanto rir. Mas tudo o que tem de mau pescador tem de boa pessoa e isso é muito mais importante. A pesca é só uma actividade divertida, há coisas bem mais importantes....


      Abraço
      Vitor

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    2. Foi um dos que me incentivou a tirar a carta de caçador , bom amigo .

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