CORES DE AMOSTRAS - CAPÍTULO II

O tema de ontem foi a penetração de luz no meio liquido. Hoje vamos ver de que forma isso, a menor quantidade de raios de luz na água, pode mudar as cores das nossas amostras. Será que muda?

Aquilo que os nossos olhos percebem de um objecto que nos chega como vermelho, é o facto de todas as outras cores terem sido absorvidas, excepto o vermelho. Ou verde. E por aí fora.
Porque não vivemos num mundo monocromático, muitas vezes aquilo que os nossos olhos veem é um objecto que reflecte partes vermelhas, outras amarelas, outras azuis. Ou misturas das cores base.
Vejam por exemplo o jig que está na figura abaixo, uma maravilha da técnica japonesa, e que ilustra bem a capacidade que a Deep Liner tem de trabalhar cores e formas.
Já aqui falámos no blog sobre esta questão da reflexão de cores anteriormente, e espero que tenham entendido o processo. Agora vamos ver de que forma a água do mar absorve as cores à medida que a profundidade aumenta.
Isso irá dar-nos a percepção de como escolher a amostra ideal, maximizando as nossas possibilidades de pesca.


Peça para slow jigging profundo, da marca japonesa Deep Liner. À venda na GO Fishing Portugal uma colecção completa, para pesca nos mais diversos tipos de condições.


Temos a considerar dois tipos diferentes de águas e visibilidade: em perfeitas condições, como vimos ontem em águas cristalinas, com o sol a pique, com mar calmo, longe da costa, e em más condições, com muita suspensão diluída, logo pobre visibilidade.
Os valores são completamente diferentes, e estarão mais correctos e próximos de um ou de outro, consoante a maior ou menor visibilidade da água no local onde estivermos a pescar.

Seria algo como isto:

1- A primeira cor a desaparecer será o vermelho, aos 10 metros de profundidade. Mas em águas turvas, desaparece ao fim de 5 metros.

2- O laranja desparece aos 20 metros, ou aos 8 metros.

3- O amarelo aos 35 metros, ou aos 15 metros.

4- O verde aos 45 metros, ou aos 25 metros.

5- O azul aos 100 metros, ou 35 metros.




Caso, por absurdo, estivéssemos a pescar com uma amostra com todas as cores do arco-íris, isto quer dizer exactamente que à medida que a nossa amostra vai afundando, as cores irão sendo absorvidas por esta ordem, e passando a cinzentos. A primeira seria o vermelho, e a última o azul muito escuro. A razão técnica é esta:
A água tende a absorver melhor os comprimentos de onda mais longos da luz, como os dos tons laranja e vermelho.
Ondas eletromagnéticas de menores comprimentos e, consequentemente, maiores frequências, como os tons azulados, não são absorvidas pela água e acabam sendo apenas parcialmente refletidas. E isso já nos dá uma pista sobre as cores que mais nos convêm quando pescamos profundo, quando lançamos os nossos jigs a muitas dezenas de metros.
Se seguirmos o gráfico acima, vemos que as últimas cores a desaparecer são os verdes e azuis. E no fim, os azuis escuros prevalecem. Se os tivermos no nosso jig, mesmo que parcialmente, eles serão visíveis.



Perdi a conta aos pargos que já fiz com este jig. Quando tudo está difícil, quando parece que o dia está comprometido, o Coltsnipper traz um pargo para cima. E a seguir outro...

Jig disponível na loja on-line GO Fishing Portugal, em 30 e 40 gr. Trata-se de uma peça para slow jigging indicada para pescar até aos 60 metros, desde que a linha multifilamento seja igual ou inferior a um PE 2. Aconselho armar com um triplo à cauda, há muitos toques atrasados que podem perder-se se seguirmos a produção de fábrica.


Assim sendo, como podemos escolher a amostra certa? Que raio de critério podemos então utilizar quando pretendemos obter mais picadas?
A resposta a estas questões passa por entendermos quando é que as cores são importantes. Quando é que as cores podem ser vistas pelo peixe?
Os comprimentos de onda mais longos não conseguem penetrar muito fundo. Mesmo em águas muito limpas, nas melhores condições, os vermelhos e laranjas não conseguem ser vistos conforme nós os vemos à superfície.
Passam a cinzas. Logo, devemos evitar pescar profundo com esse tipo de cores.

Entendem o critério? Se quiserem um exemplo prático, temos que as judias (também conhecidas por…”piços”) são muito pouco visíveis no fundo, passam despercebidas.
A sua camuflagem natural, se quiserem o seu vermelho alaranjado, são virtualmente invisíveis no fundo. Isso explica o seu sucesso reprodutivo e também a sua proliferação. A má notícia é que quem pesca vertical, com isca orgânica, leva com elas até à exaustão. Porque há muitas. Também os nossos pargos, na sua cor vermelha, são virtualmente invisíveis aos olhos das suas presas. Eu, que mergulhei durante muitos anos posso testemunhar que, a fazer caça submarina, a primeira coisa que se vê num pargo que se aproxima, abaixo dos 10/ 12 metros, são as duas manchas brancas da cauda. Aparecem aos nossos olhos como duas bolas brancas, sendo o resto um cinza quase imperceptível. A alguma distância, é a invisibilidade pura. Se as águas estiverem mais tapadas com suspensão, os pargos não se veem. Outro exemplo que posso dar-vos é o seguinte: o sangue dos peixes, abaixo dos 10 metros, é... verde. E abaixo dos 20 metros é... azul.
Isto ajuda-vos a entender o fenómeno das cores. À medida que descemos a quantidade de luz é menor, e isso afecta a visibilidade das cores.


Absorção da luz e cores das amostras


A dada altura, aquilo que sobra é um característica cinza esbatido, que, não sendo de desprezar por completo, ainda assim é algo praticamente invisível.
E não é isso que se pretende quando se lança uma amostra ao mar. Queremos que seja vista, queremos que seja entendida como uma imitação de uma presa real, e que seja mordida.

Amanhã completamos esta série, com as conclusões que se podem tirar quanto às cores de amostras a utilizar.



Vítor Ganchinho



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