LIGHT ROCK FISHING: SÓ PESCAMOS PARGOS?

Se perguntarmos ao pescador mais comum, aquele que faz a trivial pesca embarcada ao fundo, qual a ideia que tem sobre os malucos que andam por aí a procurar e a experimentar pedras com jigs, há grandes probabilidades que ele diga saber que, ocasionalmente, essa gente pesca um ou dois pargos.
É essa a imagem que circula, a de pessoas que raramente pescam um peixe, e passam o dia a lançar pesos coloridos para o fundo. A pesca de jigging pesado pode ser próximo disso, mas não corresponde de todo ao que fazem as pessoas que pescam um jigging mais ligeiro. Que é tão diferente do jigging pesado quanto é diferente da pesca vertical. É mesmo outra pesca, e os resultados nem se assemelham.

Não há muitos pontos em comum entre pescar fundeado, fixo, com a ancora ao fundo, aproveitando aquilo que existe nas imediações, (e que invariavelmente passa por um ou outro peixe razoável, e uma resma de peixes de aproveitamento desportivo e culinário …nulos), e andar a “vadiar”, de pedra em pedra, a recolher os peixes que nesse momento estejam activos, a caçar.
Pouco há em comum entre a pesca vertical e o jigging ligeiro, a não ser o entusiasmo que leva uns e outros a levantarem-se cedo e saírem para o mar.
Depois de chegados aos seus locais de pesca, uns lançam o ferro e esperam, os outros lançam “ferrinhos” e não esperam. Antes seguem para outra pedra se essa não tem nada de interessante.
Parece-me importante focar a atenção neste tema, porque encontro nele a essência daquilo que motiva uns e outros a assumirem-se “pescadores”. Todos amam a pesca, o mar, mas utilizam-no de formas diferentes.
Quem pesca com iscos orgânicos aposta tudo naquilo que já existe nas redondezas, no facto de a isca que salta dos anzóis poder concentrar num só spot o peixe que anda por ali.
Quem pesca com artificiais não pensa dessa forma, até porque passa o dia sem lançar âncora.


As surpresas são inúmeras para quem anda feito “salta-pocinhas”, a correr pedras. Neste caso, foi uma anchova a morder um vinil, e a dar uma tremenda luta.


Para aqueles que têm uma ideia meio distorcida sobre os resultados possíveis numa saída de Jigging ligeiro, resolvi hoje escrever algo sobre.
A título de exemplo, utilizo uma pescaria feita no início de Maio, com o meu amigo Carlos Campos. Teria centenas de outras, mas porque gosto sempre de apresentar fotos novas, mostro esta.
O Carlos é uma pessoa muito paciente. É ele o autor da maior parte das fotos, a pessoa a quem temos de agradecer por ter a pachorra de largar a sua cana e perder alguns minutos a registar os insólitos. E se eles existem!
Hoje trago-vos alguns casos de peixes não muito correntes. Quantos de nós, a pescar com um jig de 30 gr, já tivemos a sorte de conseguir uma picada de um... salmonete?
Estes peixes são basicamente um limpa fundos, procuram nas areias as minhocas e pequenos crustáceos de que se alimentam. Pelos vistos, e contrariando a opinião geral, também se lançam sobre um pequeno peixe. Vejam abaixo:


Não deixa de ser curioso que um peixe destes tenha “peitos” para se lançar a um jig...


Mas não ficam por aí as surpresas de quem arrisca sair ao mar apenas com jigs e vinis. Minutos mais tarde, com um outro equipamento, na circunstância uma cana de Light Rock Fishing, e um vinil super macio, calhou-me uma picada de uma anchova. Trata-se de um peixe que procura zonas mais baixas para se alimentar, com muito peixe miúdo.
Tem uma boca armada com dentes muito cortantes, autênticas lâminas e sabe utilizá-los. Não é estranho que cortem peixes ao meio, com uma só dentada.
Neste caso, o anzol do meu vinil cravou no lábio superior, e a linha ficou de fora. As anchovas, a par das barracudas, são peixes com dentes afiados que cortam as nossas linhas num ápice.
Por vezes, têm azar…


Uma anchova que tem a particularidade de ter sido pescada à vista, a correr peixe à superfície. O lançamento foi feito precisamente onde estava a saltar algum peixe miúdo. À caída do vinil mordeu...


Para quem não acredita nos “artistas” que passam o seu tempo a vasculhar pedras, pois aí vai, o resultado de uma manhã de pesca, num dia difícil.
Se estão reunidas as condições ideais, os peixes são melhores, e mais, mas mesmo quando tudo está contra, maré errada, vento, águas frias e sujas, é sempre possível fazer algo parecido com isto. A selecção de peixes feita pelos jigs ligeiros em nada se parece com a mistura de sarguinhos, choupas, garoupinhas, “piços” e afins que se podem mostrar ao fim de um dia de pesca fundeada, a pescar com minhocas...


Os jigs selecionam as suas presas de uma forma que nunca será possível a quem pesca com isca orgânica.


Numa zona com peixe miúdo, pescar com ganso, navalha, etc, é levar uma tremenda sova de enrolar linha, para nada.
Porque os peixes pequeninos comem aquilo que lhes é possível comer no fundo….minhocas. E bugigangas dessas...



Vítor Ganchinho



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