ESTAMOS PRONTOS PARA OS ROBALOS?!

Tivemos muito tempo, muitas semanas de mar ruim, para podermos tratar convenientemente do nosso equipamento de pesca spinning.
Nunca será demais rever a lubrificação dos carretos, a boa armazenagem das linhas, (que tivemos o cuidado de passar por água doce na última saída), e inspecionar em detalhe todas as pontas e barbelas das fateixas das nossas amostras.
Poucas coisas serão mais decepcionantes que ter finalmente a picada de um bom peixe, e sentir que a embraiagem não correu, que tudo ficou bloqueado porque os discos estavam secos. Quando um peixe nos parte a linha, parte-nos também o coração.
Aquele é um robalo que não volta, e mais que isso, irá sair a nadar com uma amostra cravada que o irá debilitar por algum tempo. Somos duplamente penalizados. 
Tenho a certeza de que vos custa ouvir o ranger de um carreto por falta de lubrificação nas engrenagens. Ou sentir que a linha está apodrecida pelo salitre, ou que a cana tem dois passadores partidos e vai cortar-nos a linha a cada lançamento.
Quando o rolete da asa de cesto não funciona, quando está bloqueado, a linha multifilamento irá ser recolhida na mesma, mas irá aquecer por fricção. E isso irá deteriorá-la de certeza.
Se não tivermos o cuidado de lavar as nossas amostras/ jigs, eles irão recordar-nos isso mais tarde. As fateixas irão oxidar, a ferrugem vai propagar-se a todas as outras amostras da caixa, e um dia iremos amaldiçoar os minutos que não gastámos a lavar aquela peça.
Eu separo todos os jigs que vão à água, não os misturo na caixa dos outros que não utilizei, e por isso sei exactamente quais devo cuidar.
Estas são anomalias correntes, e, sendo comuns, não só são absolutamente desmotivadoras, como definem muito bem o tipo de pescador que somos. Os materiais são caros, (agora, dada a situação global que se vive, são ainda mais caros), e está nas nossas mãos fazer com que despesas extras sejam evitadas e sobretudo que o material, no momento certo, irá funcionar.
Não acredite que uma linha trançada é eterna. O salitre penetra fundo e por isso mesmo, é bom que se passe por água sempre. Mais que isso, deve-se inverter a posição desta no carreto, colocando o lado interior para fora, e passamos a ter linha como nova, em linha velha.
São pequenos nadas que, quando o seu peixe resolver aparecer, irão fazer muita diferença.

De pescador para pescadores vos digo que todo o tempo que dedicamos à manutenção dos nossos equipamentos reverte sempre a nosso favor, em peixe. Quando estamos cansados, fatigados de um dia intenso de pesca, ...continuamos a não parar até termos a certeza de que o material está limpo.


Pescar spinning é um verdadeiro prazer. Em pesqueiros baixos, o ataque de um destes lobos do mar é algo de fantástico. A descarga de adrenalina é mesmo muito intensa.


A escolha dos pesqueiros deve ser cuidada e obedecer a certas regras. Se não conhecemos locais, e há muita gente que de facto não conhece, devemos seguir as grandes linhas orientadoras da pesca ao robalo: cedo, em zonas remotas, com alguma agitação marítima, com bom equipamento de spinning.
Por vezes basta-nos olhar para a carta marítima da zona, ler as batimétricas e perceber que naquele lugar não, naquele também não, mas neste sim. Os pesqueiros ideais são normalmente baixos, com fundos a rondar os 3 a 4 metros como máximo, com rochas que quebram o mar que entra de fora, e com águas relativamente limpas, se possível. Fundos de vasa irão sofrer com a menor ponta de mar, fundos de rocha mantêm a visibilidade, por pouca suspensão assente.
Não precisamos de encontrar grandes cardumes de robalos para nos divertirmos. Até porque lançar sobre um cardume com centenas de peixes, passe o frenesim que provocam a quem lança, é sempre algo de limitado no tempo. Os cardumes movem-se, saem do sítio e se sentem que algo está errado, nomeadamente quando um deles é desferrado e sai desabrido a nadar por entre todos os outros, acabam por ir embora. E de muitos ficamos com zero.

Bom mesmo é encontrar uma zona com alguns robalos de bom porte, isolados, em que cada um é ferrado e não passa informação a nenhum outro. Poucos podem dar uma pescaria muito melhor que muitos. Até porque quando são menos, normalmente acabam por ser mais... pesados.
O robalo grande é um peixe solitário.
A escolha dos locais tem muito a ver com a nossa experiência anterior. Quando sabemos que estão por norma num spot, podemos intuir que irão voltar a estar por lá. Guardar uma memória fotográfica dos pontos onde ferramos peixes ajuda e de que maneira.
Com este mapa na cabeça, podemos extrapolar que outras zonas com o mesmo tipo de topografia terão as mesmas condições para atrair peixes. Desta forma podemos multiplicar por muitos os pontos quentes da mesma zona. Basta-nos procurar por um determinado biótipo, e teremos grandes chances de ter encontrado o fio condutor de toda a região. Se estivermos a pescar ao alvorecer do dia em zonas como o Almograve, …não pode falhar muito...
Ao fim de meia dúzia de saídas, teremos um mapa mental dos pontos que nos interessam.




Também em fundos de areia é possível pescar robalos, eles passam por todos os pontos da nossa costa, quanto mais não seja em trânsito. Se não estão a comer caranguejos nas rochas, podem estar a procurar galeotas na areia.
E isso quer dizer que, desde que com coeficientes de maré mínimos de 70 a 80%, teremos boas possibilidades de os encontrar. Encontrar a chamada “conta de água” não é algo difícil de conseguir fazer.
Se sobre esses fundos assentarem meia dúzia de pedras ilhadas, teremos um local que forçosamente é visitado pelos robalos. Pesqueiros com mar a entrar, perto da preia mar, com rochas paralelas à costa, a deixar poças fundas entre si e a costa, não podem falhar. Os robalos patrulham esses espaços, à procura de “vítimas”, sabendo que a qualquer instante podem desaparecer como mágicos, por entre os escolhos.
A questão segurança não tem sempre de ser a primeira prioridade, mas convém termos presente que eles não precisam de arriscar demasiado. O robalo encontra comida em qualquer ponto da nossa costa...
Devemos ter em atenção máxima questões que se prendem com segurança. Tenho amigos que nadam, que utilizam pranchas, que se deslocam de umas pedras para outras, e por isso conseguem boas caixas de peixes. Atenção! Aquilo que uns fazem, habituados a mar, às marés, às subidas repentinas das águas, não significa que seja acessível a todos. Um peixe não vale uma vida.
Eu, que fiz caça submarina durante dezenas de anos, terei das ondas, correntes e pedras uma noção diferente daquela que poderá ter alguém que nunca meteu a cabeça debaixo de água.

O meu conselho é apenas um: não troque a sua vida por um peixe, não arrisque mais do que aquilo que a sua condição física o permite. A aposta numa boa cana de spinning evita que tenha de ir lá, onde todos os perigos espreitam.




Procurar zonas com areia e pedra, rochas pontilhadas a não mais de 30 a 40 metros de distância da costa, pode ser a garantia de picadas de bons peixes. Não necessitamos de amostras demasiado pesadas.
Uma cana com um mínimo de qualidade coloca-nos a amostra à distância destas pedras, chega onde é preciso para meter o artificial frente aos olhos do robalo. Quando se aposta em canas baratas, tubos de plástico chineses, a falta de reactividade da cana, a sua baixa propensão para servir de mola e lançar, tem forçosamente de ser compensada com mais peso na amostra. Logo menor capacidade de animação. Está tudo ligado: bom material, mais possibilidades de pesca.
Devemos privilegiar zonas onde o fundo é feito de desníveis mais acentuados. Uma praia de areia plana não é tão atractiva em termos de ponto de emboscada quanto um patamar de rocha que é seguido de outro e outro, em escada, e onde o robalo pode escolher facilmente qual a profundidade que lhe interessa em função dos ventos, das correntes, da hora do dia, leia-se da quantidade de luz e calor que chegam de cima. Peixes que encostam a um desses patamares em escada, poderão, sem esforço, capturar pequenas presas que aparecem fora do bordo superior, por cima, completamente desprevenidas.


Pesqueiros baixos, com poucos metros, com alguma agitação de mar, são garantias de sucesso.


A utilização de amostras sem pala, prolonga-nos as possibilidades de continuar a pescar, depois de ferrarmos meia dúzia de peixes. Da mesma forma que os dias muito nublados, ou com nevoeiro, prolongam a noite. Dão-nos mais tempo de pesca.
Sempre que possível, utilizar vinis, que são em termos de atractividade bastante superiores a amostras rígidas.
Os vinis, e sobretudo os mais macios, permitem uma ferragem muito fácil, a sua textura deixa exposto o anzol de forma fácil, e podem ser trabalhados a baixas velocidades. Uma fraca vibração é tudo o que é necessário para convencer o robalo de que ali vai algo que é fácil de capturar, que está distraído, e que está a passar no sitio certo para ser comido.
O que é difícil é fazer muitos peixes, a partir do mesmo sitio, com uma amostra rígida de altas vibrações. Nesta altura do ano, em que os robalos começam a posicionar-se nas suas zonas de caça tradicionais, e em que começa a aparecer muito peixe forragem miúdo, resulta muito bem um cabeçote de 10 a 12 gr, com um vinil macio, de pequeno tamanho. A amostra não deve ser demasiado pesada, o mar já não tem a força dos meses de Inverno e não necessitamos de tanta carga.
Apostar em encontrar os peixes, nos seus sítios de querença, e pescar de forma discreta. Basta isso. Se é verdade que não terão hoje a mobilidade, a vontade de nadar que terão em Setembro, então podemos fazer a nossa aposta em pescas mais calmas, mais lentas, dando tempo a que o peixe se enquadre com a isca e possa sentir que aquela captura pode ser fácil. Mais tarde chegarão os dias das velocidades, em que o robalo quer ser desafiado para algumas corridas.

Apresento-vos duas amostras diferentes, ambas com qualidade:


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Cabeçote de chumbo muto eficaz para a pesca do robalo. O vinil é da marca Berkley, vendido na GO Fishing Portugal em pacotes de 5 unidades, ao preço de 5,95 €.
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Vamos continuar a seguir aqui a evolução do nosso peixe favorito para a prática de spinning.
A pesca do robalo é algo que não nos cansa...



Vítor Ganchinho



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