ROBALOS DE RIBEIRO?!

Conto-vos a história: o Raúl Gil Durá, um dos melhores pescadores que conheço, natural de Valência, pesca indistintamente bem em águas salobras ou salgadas.
Nem sempre as condições naturais de Valência favorecem a pesca embarcada no mar. Mais ainda quando se tem a limitação de pescar com um kayak, que limita bastante em termos de distância de deslocação.
Por isso mesmo, acaba por fazer algumas incursões em águas interiores, riachos, lagoas, onde consegue encontrar peixes que poderiam passar despercebidos a pescadores mais comuns.
Não é o caso dele! Se houver um peixe bom numa barragem, ele vai ao anzol do Raúl.
Trata-se de uma questão de intuição, de saber fazer, de instinto predatório, se quiserem. O que posso garantir, eu que já pesquei tanto a seu lado, é que nada tem a ver com sorte.


Raúl Gil, um dos grandes valores da pesca à linha europeia. Este rapaz tem uma intuição rara para tudo o que é pesca, seja em água doce, seja em mar. Há pessoas assim, predestinadas...


O Raúl saiu a um arroio interior para ver das carpas, dos achigãs, e, qual não foi o seu espanto, percebeu que havia algo debaixo de uma canas que não era nada daquilo que seria pressuposto encontrar numa água absolutamente doce, muitíssimo longe da foz desse riacho estreito. Eram robalos.
A profundidade média oscilava entre os 30 e os 60 cm de fundura, mas isso não é um problema para quem tem as mãos do Raúl. Ele pesca bem, tem uma agilidade de mãos que lhe permitem encontrar soluções técnicas onde outros só veriam dificuldades. Está super bem equipado, e pesca fino, por vezes parecendo-me a mim até demasiado fino. Mas ele tem mãos que lho permitem.
E ferrou dois robalos de seguida, emboscados debaixo das ditas canas. No meio de carpas e achigãs, havia “gente” estrangeira, peixes que não eram decididamente dali.
Mas todos sabemos que os robalos adentram os cursos de água doce até limites pouco suspeitos. Procuram comida fácil, pequenos peixes que nada podem fazer contra um predador tão qualificado quanto um robalo.
O mesmo peixe que massacra peixes de mar com enorme facilidade, carapau, sardinha, cavalas, biqueirão, galeotas, chocos, lulas, caranguejo pilado, ralos, etc, sente-se nas nuvens quando entra numa zona de comida tão fácil de descobrir e capturar quanto peixinhos do rio.


Pescar robalos destes em pouco mais de um palmo de água não é para todos.


Estamos a implorar alguma clemência ao tempo, para que ele possa fazer a sua peregrinação anual a minha casa, para pescarmos durante uma semana.
Não tem estado fácil, mas mais dia menos dia, conseguiremos concretizar esse desejo mútuo. Ele, porque gosta muito da minha família, sente-se muito confortável connosco, eu porque adoro pescar com ele, e não dispenso de o levar aos meus melhores sítios, onde ele pode facilmente brilhar, aos pargos, aos robalos.
Guardo religiosamente alguns locais de propósito para ele. Durante meses apenas passo lá, de motor ao ralenti, para ver se o peixe anda por aquelas bandas.
E quando a oportunidade chega, …é a loucura!



Vítor Ganchinho



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