HORAS FELIZES

Horas felizes porque sair ao mar com um amigo √© …tudo.
Sair ao mar com quem queremos estar faz todo o sentido. Estamos onde queremos estar com quem queremos estar, a fazer o que gostamos de fazer.
Horas felizes tamb√©m porque ter o prof. Jos√© Rodrigues ao lado, para al√©m de um enorme privil√©gio, √© ter um amigo dispon√≠vel para partilhar ideias profundas, detalhes t√©cnicos apenas percept√≠veis a quem tem capacidade extra para ir aos limites do detalhe. Pessoas com um elevado grau intelectual permitem ir mais longe em situa√ß√Ķes que passam sem ser notadas a quem tem menos esp√≠rito cr√≠tico.
De resto, o meu companheiro é alguém absolutamente notável, respeitador da cultura japonesa da qual é um admirador confesso, e quando fala sobre pesca fala com propriedade, sabe muito bem o que diz.
Faz um tipo de pesca algo…”estranha”, dado que se dedica a uma modalidade de jigging que n√£o √© muito procurada no nosso pa√≠s: pesca a muitas centenas de metros, porventura abaixo dos 600 a 800 metros!
Voc√™s conseguem conceber algu√©m que lan√ßa jigs com….1 kg?!

O Zé tentou desesperadamente oferecer-me este lindo pargo e tive de ser firme para o recusar!...

De quando em quando consigo convencê-lo a largar as suas profundidades abissais e levo-o a lançar umas linhas no meu barco.
Conhecedor profundo dos fenómenos ligados à actividade, é muito desligado dos resultados finais. Definitivamente não é o peixe em si que o motiva.
Trata-se de alguém a quem o sucesso de uma pescaria não é medido pelos quilos de peixe dentro da caixa. Pelo contrário, falamos de alguém a quem o que verdadeiramente interessa é um bom lance, uma brisa marítima, o rasto de espuma de um barco, uma oportunidade de conversar sobre pesca.
√Č t√£o desprendido dos peixes que mete na sua geleira que invariavelmente acaba por os oferecer quase todos a algu√©m.
Com pessoas deste perfil, com ou sem peixe, sabemos que o resultado final ser√° sempre e inevitavelmente bom. Zero press√£o sobre a quantidade de peixe capturado faz com que se tenha tempo para procurar melhor, possibilita ir a s√≠tios “espreitar” se est√° l√° o …grande. E por vezes est√°!
Foi o que aconteceu no dia 28.04.24, e foi para nós dois uma felicidade extrema.

Vejam o filme:

Clique na imagem para visualizar e na rodinha das defini√ß√Ķes para melhorar a qualidade.

Podíamos ter feito melhor.
O barco Sprint saiu do Clube Naval Setubalense j√° tarde, e diria eu, a m√°s horas.
N√£o √© entend√≠vel que um clube naval que tem como principal actividade o suporte a embarca√ß√Ķes de pesca l√ļdica possa dificultar-lhes a vida ao extremo de levar ao desespero dezenas de propriet√°rios de embarca√ß√Ķes.
Não será natural que se juntem barcos em longas filas a ocupar toda a avenida, por um mero detalhe burocrático, por não haver um método administrativo que permita uma maior fluidez de escoamento.
Saímos, mas saímos tarde, já com o mar a descer, a esgotar para uma arreliadora maré vazia que nos roubou possibilidades de pesca.
√Č uma pena que se comprometam resultados por se insistir em solu√ß√Ķes desadequadas, e que salta √† vista que s√£o desadequadas!

Pescar com um amigo é excelente. E quando esse amigo consegue um peixe de excepção, tudo faz ainda mais sentido.

Bem sei o quanto os meus caros leitores desconfiam dos artificiais. A maior parte dos que leem estas linhas n√£o hesitam se tiverem de escolher entre um jig e uma isca org√Ęncia.
Vai com navalhas, lingueir√£o, minhocas, sardinha e caranguejo, mas n√£o vai com ….”ferros”.
Pois sim, mas quantos serão aqueles que têm um pargo de 8.8 kgs, 76 cm de comprimento?!


O Z√© Rodrigues, depois de ter feito uma razo√°vel quantidade de bicas a utilizar jigs de 40 gr, mudou de t√©cnica e passou a um pequeno artefacto feito de tungst√©nio, metal mais compacto e denso que o chumbo e por isso mesmo a permitir p√īr peso num volume mais reduzido. Com isso, consegue-se uma descida muito mais r√°pida, e a natural verticalidade, imposs√≠vel a quem pesca √† rola com outro sistema.
As saias de cor vermelha excitam o peixe, mas escondem dois min√ļsculos anz√≥is ultra afiados, que agarram por onde calha, e n√£o abrem porque est√£o preparados para este tipo de trabalho. Os japoneses pescam sem qualquer preconceito com este tipo de equipamento, fazem-no com a mesma convic√ß√£o com que se pesca por c√° com um filete de sardinha.
Vejam abaixo o formato da amostra kabura utilizada, e como √© simples o sistema que p√Ķe um pargo capat√£o f√™mea a seco:

Montagem aparentemente simples, e que é terrivelmente eficaz.

Havia peixe por baixo de nós e a dada altura o Zé estava em combate.
Eu também, pelo que apressei a subida do meu peixe para poder acudir a algo de grande que se debatia na outra linha.
E o Z√© dizia-me: “N√£o Vitor, isto est√° demorado! O peixe ainda est√° l√° em baixo!”
Lancei mais uma vez e ferrei um outro peixe. E disse de novo: “agora √© que vou a√≠ com o enxalavar”...
_" N√£o! O peixe ainda est√° l√° em baixo, no fundo! Eu levanto e ele leva a linha toda logo a seguir”….
Esperei mais um pouco e a√≠ sim, ouvi do meu companheiro a santa palavra: “Vitor, j√° sobe”...
O resto podem ver no filme acima.

Infelizmente as condi√ß√Ķes do tempo n√£o nos permitiram explorar melhor as imedia√ß√Ķes, o vento estava a come√ßar a soprar em Sines, pelo que subimos direitos a Set√ļbal. Haveria outros pargos ao lado deste...

Um peixe destes d√° alegria para dois pescadores: para quem o pesca, e para quem o filma.
√Č uma felicidade imensa ver brilhar os olhos de um amigo e saber que fez ali o seu melhor pargo de sempre. S√£o estes momentos que valem, que nos motivam, que recompensam uma dedica√ß√£o de muitos anos a uma actividade. Pesco h√° tantos anos e j√° vivi tantos momentos incr√≠veis que agora s√≥ o facto de ir ao mar j√° me enche as medidas. Se os meus amigos conseguem peixes bons isso para mim √© muito melhor que ser eu a pesc√°-los. 
Z√©, os meus mais sinceros parab√©ns por esta captura e o meu maior respeito por quem trabalha com tanta calma e sabedoria um peixe destes com uma “varinha” Daiwa t√£o sens√≠vel, t√£o fina e ligeira.

Parabéns!!


Vítor Ganchinho


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2 Coment√°rios

  1. Anónimo29 maio, 2024

    Ol√° Vitor, o prazer em pescar consigo √© todo meu. Saiu um trof√©u, mas esqueceu-se de dizer o mais importante. E na minha opini√£o o mais importante √© o conhecimento dos pesqueiros por cima e por baixo de agua, o resto √© sorte calhou-me a mim como podia calhar a si. √Č a beleza da pesca. Abra√ßo e at√© √† pr√≥xima com ou sem peixe com ou sem trof√©u, eu alinho sempre.
    ZeRo

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    Respostas
    1. Zé, acredite que para mim será sempre um privilégio poder estar a seu lado.
      Consigo, eu até vou às ameijoas com jig!

      √Č verdade que tivemos sorte, porque as condi√ß√Ķes do dia eram adversas.
      E o peixe não foi fácil de todo. O Zé aguentou os nervos até ao limite do possível, recorda-se? O pargo não se decidia, beliscava uma e outra vez e não se dava por ferrado. Lembra-se dos segundos de angustia que passaram entre o primeiro toque e a confirmação de que finalmente estava preso?

      Levou uma eternidade de tempo....e afinal foram apenas alguns segundos.

      Parabéns, foi espectacular e eu vou querer tê-lo a meu lado para voltarmos ao local.
      Vou voltar a colocar o Sprint no sitio para o Zé lançar de novo.
      Se não acontecer nada, ...não acontece. Com mais ou menos peixe voltamos sempre felizes a terra. Com o Zé, não tenho pressão, sinto-me sempre confortável.

      Grande abraço, amigo!!

      Vitor

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