SPINNING - PORQUE PERDEMOS TANTAS AMOSTRAS?

Quem nunca perdeu uma amostra?
Sobretudo para aqueles que pescam a partir da costa com artificiais, esse será seguramente o maior flagelo que têm de enfrentar.
É financeiramente caro perder uma amostra mas ainda é mais caro perdê-la em termos afectivos, quando se trata daquela, ...a tal da sorte.
Mas porque perdemos nós tantas amostras? Sabemos o que devemos fazer para que isso não aconteça?

Shimano Exsence Dive Assassin 125S FB – 001 Ref: 4969363835123.
Esta amostra é de suspensão e a sua lâmina interior brilha, dando a sensação de ser um peixe vivo.
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Não queremos descartar a oportunidade de ferrar um bom peixe por passarmos a amostra muito acima de onde ele está, normalmente emboscado junto às pedras do fundo, mas também não queremos que a amostra fique ad-eternum cravada na rocha, em exposição para os peixes que passam.
Pescar em fundos desconhecidos, ou usar amostras inadequadas para estes, pode ser meio caminho andado para as perdermos.

Reduzir drasticamente as perdas é o objectivo primeiro e para isso, devemos ter em atenção o seguinte:

1- Aumentar ligeiramente a resistência da linha utilizada. É verdade que o spinning é uma técnica de “finesse” por definição, pescamos bem melhor se o fizermos com linhas finas, (diria que um PE 1.5 e baixadas em fluorocarbono de 0.28/ 0.31/ 0.33 mm já nos trazem à mão a maior parte dos robalos deste país), mas se tivermos de subir um número nas linhas, podemos fazê-lo, embora tenhamos com isso de subir uns gramas o peso da amostra.
As linhas multifilamento, ao não terem elasticidade significativa, permitem-nos não só uma maior sensibilidades aos toques dos predadores e contacto com o fundo como ainda facilitam o desenrocamento da amostra.

2- Aprender a lançar com precisão, treinando o envio da amostra a diferentes distâncias, neutralizando os efeitos do vento.

3- Começar por explorar os recantos mais próximos do nosso pesqueiro, tentando imaginar onde poderá estar um peixe escondido, antes de nos aventurarmos a lançamentos longos.

4- Treinar muito. É com a prática continuada que chegamos mais perto da perfeição e para isso nada como utilizar sempre o mesmo set de cana, linhas e peso de amostra.

5- Em zonas com evidentes probabilidades de encalhe, fazer lançamentos laterais diminui a trajectória da amostra e minimiza o efeito do vento. Nunca esquecer que a precisão do lançamento é sempre afectada pelas rajadas de vento.

Shimano OM-110Q Coltsniper Rock Drift 100F- 021 STR Saba Glow Ref: 4969363858276
Para quem pesca em zonas com cavalas, ...uma pequena cavala.
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6- Por norma, conseguimos lançamentos mais longos se o fizermos por cima da cabeça, mas em sítios desconhecidos, isso aumenta as probabilidades de eventual encalhe. O vento irá incomodar e para além da menor precisão, haverá uma deriva lateral da amostra, logo possivelmente vamos passar a amostra sobre uma quantidade superior de obstáculos. 

7- Tentar visitar o local na maré vazante, quando as rochas estão mais visíveis. Isso dar-nos-á, mais que a noção de onde podemos e onde não podemos lançar, (podemos lançar em todo o lado...se utilizarmos o equipamento certo) algumas certezas quanto ao tipo de amostra a utilizar: afundante ou flutuante.

8- Marcar na memória o alinhamento das estruturas, dos maciços de pedras que podem prender o nosso artificial. Na maré cheia isso vai ser-nos útil, quando chegar o momento de arriscar um pouco mais...

9- É muito interessante fazer um mergulho na época de verão, e guardar uma memória fotográfica da inclinação do fundo. Algumas praias têm declives pouco acentuados, progressivos, e outras fazem um fundão logo junto da costa.
Se na primeira situação a amostra a utilizar é nitidamente um passeante ou um popper, já na segunda necessitamos de uma amostra mais lastrada, eventualmente um vinil com cabeçote de chumbo, para chegarmos mais próximos do fundo.
Vamos estar sempre num dilema: manter a amostra longe das pedras, ou plantas aquáticas, em águas rasas ou tentar arriscar um pouco mais e conseguir assim o toque de um robalo de excepção.

10- Ter muita atenção ao tipo de anzóis utilizados. Normalmente pesca-se spinning com triplos, mas pode não ser a melhor solução, se houver encalhes.
Nestes casos, a opção por anzóis simples, montados com a ponta para cima, é avisada. Uma outra solução é a de lançarmos amostras com os anzóis protegidos, o caso das Dark Sleeper da Megabass.

Nesta amostra, o anzol, de tamanho generoso, está escondido na vertical, entre duas placas de vinil macio. Este é suficientemente consistente para não deixar prender no fundo e suficientemente macio para abrir em caso de ataque.
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11- Regra geral, a uma maior velocidade de recolha corresponde uma subida da amostra no plano de água.
Não é uma solução conveniente para quem pesca peixes com peso, mais lentos, e precisa de manter a amostra em zona de ataque, mas é bom saber que assim é, e em caso de dúvida, utiliza-se.

12- Eu não pesco spinning com linhas multi-coloridas. Cansam a vista porque a cada 10 metros de linha somos obrigados a refazer a distância a que a amostra se encontra.
Porém, reconheço sem dificuldade que a linha multi permite ter uma melhor ideia sobre a distância de lançamento.

13- A maior parte das amostras indica na sua embalagem a profundidade expectável a que essa amostra irá deslizar na água. Grosso modo poderíamos classificar as amostras em três grandes tipos:

  • Amostras de superfície- flutuam sobre a superfície ou afundam mas não mais de poucos centímetros.

  • Amostras de suspensão- São assumidamente artificiais de meia água, a excitarem peixes que estão próximos da superfície, nos primeiros 5 metros.

  • Amostras de fundo- Estes modelos são concebidos para ir “ao fundo da questão”, as suas longas palas têm uma inclinação muito progressiva que obriga a amostra a afundar continuamente. Relativamente ao desenho que fazem na água ele será mais um U que um V, dependendo da altura e posicionamento e altura do pescador relativamente ao plano de água. Após o lançamento, grande parte das amostras atinge a sua profundidade de “cruzeiro” nos primeiros 10 a 20 metros de trabalho. Irão baixar mais mas esse afundamento máximo só acontece em lançamentos longos, com tempo para que a pala frontal faça o seu trabalho.

14- A situação ideal é esta: lançar a amostra e fazer com que ela se aproxime do fundo, sem lhe tocar. Isso é especialmente crítico para quem pesca com fateixas já que essas prendem mais, prendem a tudo!
Se pescamos sobre um fundo de areia, não vem mal ao mundo, mas em fundos rochosos a profundidade de descida é crítica.

15- Posto isto, se sabemos que uma amostra afunda 3 metros e vamos com ela pescar numa zona com 2 metros apenas, já sabemos que em caso de existência de rochas, ...adeus....
Para que não aconteça a perda da nossa amostra, devemos ter um controle absoluto sobre os momentos de maré, saber a qualquer momento qual a cota de água de que dispomos.
Vejo frequentemente pessoas a adquirir amostras afundantes e essas pessoas pescam...em praias com alguma rocha. A meio caminho de maré, especialmente da vazante, isso pode ser fatal.
Sabemos que a maior parte da água de uma maré entra entre a terceira e a quarta hora dessa maré.

Shimano OL-212P Coltsniper RockSlide 120S Jetboost – 021 Ref: 4969363858085
Para quem, como eu, prefere amostras mais discretas, silenciosas, uma cavala sem pala...
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16- Ter em atenção que as correntes fortes podem exigir um pouco mais de peso na amostra. Isso pode conseguir-se no acto de compra, mas também adicionando um pequeno tunsgténio de alguns gramas, 3 a 5 gr, para obrigar o artificial a baixar um pouco mais.

17- Podemos por estratégia lançar amostras e produzir recolhimentos um pouco mais rápidos nos primeiros lançamentos. Quando ganharmos “confiança” nos fundos, então sim, baixamos um pouco a velocidade.

18- Não deixa de ser ingrato trabalhar a amostra com eficácia e por fim, nos últimos metros, deixá-la arrocar nas pedras onde assentamos os pés. Para evitar isso, é avisado subir a ponta da cana à medida que sentimos a aproximação da amostra.

19- Os vinis, toda a gente sabe, são mais eficazes para os robalos que as amostras rígidas. Mas temos de ter a noção do que fazemos com eles.
O peso do cabeçote de chumbo aponta o centro de gravidade do vinil para a frente. Não vem mal ao mundo se não o deixarmos bater muitas vezes no fundo, mas mesmo que o seu anzol simples esteja sempre virado para a superfície, (e não para as rochas do fundo), convém ter presente que só depende de nós evitar prisões.

20- O formato da cabeça influencia a velocidade de descida do vinil. Cabeças de chumbo redondas descem menos rápido que cabeças facetadas, por razões que se prendem com a aplicação da força de impulsão.

21- Há quem seja apologista de usar cabeçotes de chumbo com anzóis mais macios para, em caso de prisão, conseguir abrir o anzol mais facilmente. Para mim isso não é nem nunca será uma solução, já que se eu consigo abrir o anzol exercendo tracção sobre ele, os peixes grandes...também.

22- A utilização de canas mais parabólicas e macias, permite utilizar anzóis mais pequenos e mais leves. Aí sim, eu defendo a medida já que a sua capacidade de penetração é bastante superior e, quando os peixes estão maus de morder, essa pode a diferença entre trazer alguns ou não trazer... nada.

Shimano OT-111Q Coltsniper Rockwalk 110F - 019 S Blue Runner Ref: 4969363858320
Se pescamos em zona de atuns de tamanho médio, em águas abertas, convém ir directo ao assunto. Isto eles mordem...
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Lembrem-se: o óptimo não existe. Nunca conseguiremos obter tudo de uma só peça de pesca, seja uma cana, um carreto, uma linha, o que seja.
Temos sim a obrigação de saber trabalhar os equilíbrios, as meias características, de forma a conseguirmos estar à vontade à frente dos peixes que tanto queremos pescar.
No caso das amostras, para os mais radicais tudo tem de ser preto ou branco, ou pensamos na amostra e no seu preço, ou pensamos no peixe. Não tem de ser assim.
Podemos perfeitamente estabelecer níveis de compromisso, de equilíbrio, tendo como base algo daquilo que aqui vos deixo.


Vítor Ganchinho


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