UMA QUESTÃO DE PESO...

Registo o natural entusiasmo dos meus companheiros de pesca de cada vez que entra a bordo um peixe com um pouco mais de tamanho.
Fico feliz por eles e por ter conseguido guiar o barco ao encontro de um peixe de excepção.
Por tudo, por haver repentinamente uma lufada de ar fresco, de uma alegria incontida a alastrar por todo o barco e ainda por isso motivar todos a redobrarem os seus esforços para conseguir igual ou melhor.
A minha primeira preocupação, depois de ajudar a concretizar a captura, depois de fazer as fotos da praxe ao sortudo do dia, é a de tentar entender a razão daquele peixe estar ali.

O Carlos Campos, com um pargo legítimo de bom tamanho.

Essa para mim é a fase importante, a de perceber os detalhes invisíveis, aqueles que nos poderão voltar a proporcionar de novo um outro troféu.
Faço um registo mental das condições de mar, de temperaturas, ar e água, maré, datas, condições da captura, etc, de forma a que possa futuramente replicar esse peixe para outra gente que os mereça.
Dessa forma, coleccionei um conjunto de informação preciosa, um roteiro de entradas e saídas de peixe da costa que me é muito útil para saber onde estão os peixes ao longo do ano.
Um pargo troféu é uma fonte de alegria para todos, e se não tenho dúvidas de que o Carlos ficou muito feliz, eu não fiquei menos.

Para a espécie, este é um bom exemplar.

Claro que quero saber de todos os detalhes não mensuráveis no momento, nomeadamente o peso certo.
Na altura eu dei-lhe por alto uns 7 kgs, o pargo estava muito bem, gordo, bem encorpado.
Mas também da forma como a Teresa, a sua dedicada esposa, teria recebido em casa a boa nova e de que forma iria dar aproveitamento a tal peixe.
E foi aí que as coisas deram para o torto!


Liguei para casa do Carlos e ele sai-se com : “ Pesei o pargo, ...tinha 14 kgs!”...
Eu tenho alguns maiores mas a dar muito menos peso que aquele e por isso mordi de imediato a língua.
_ Carlos, esse pargo não pode ter 14 kgs....

A talhe de foice....uma situação do mesmo estilo: 
Um mês antes, levei o meu amigo Túlio Matos à pesca e ele fêz um safio grande, maior que ele, e eu pedi-lhe que pesasse o bicho.
A resposta dele não deixou de ser desconcertante: _“Olha, pesei o animal. Deu 32 kgs, mas como a balança não está muito certa, agora tiras aí uns 10 ou 12 kgs e já está”!...
Ora bolas...

Voltando ao peixe do Carlos: 

A impressionante dentadura de um pargo legítimo...

Desta vez, não havia sequer a possibilidade de o pargo dar tanto peso, até porque isso iria fazer explodir todos os registos existentes para a espécie em causa, um Pagrus pagrus.
Atarantado, o meu grande colega de pesca e ainda melhor amigo, disse-me: “mas Vitor, eu pesei até um quilo de arroz para aferir que a balança estava certa”...
Pois sim, mas aquele pargo não podia pesar tanto. Repliquei: e que tipo de balança é essa?

E foi aí que ele caiu em si. Testou a balança e de facto calibrou com o dito pacote de arroz, estava certa, mas a seguir desligou-a e foi pelo pargo.
Quando a balança electrónica voltou a ligar, assumiu a referência de libras, ...o pargo tinha 14 lbs de peso, o equivalente a ...6.350 kgs.
Um bom pargo, sem dúvida.
Parabéns Carlinhos!


Vítor Ganchinho


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