É verdade que para encontrarmos e pescarmos mais peixes somos capazes de fazer ...quase tudo.
Cada novo acessório faz nascer em nós uma esperança renovada: uma nova cana, um carreto, uma linha, um anzol, tudo o que possa contribuir para nos dar algo mais. Ou uma técnica diferente de tentar os peixes de sempre.
Exploramos exaustivamente todas as possibilidades e todos os ângulos para conseguirmos qualquer vantagem de pesca, por ínfima e pequena que seja.
Tudo pela emoção de ferrar um peixe bom, tudo por podermos ir mais longe, fazer mais.
No fundo, todos ansiamos por encontrar uma via mais directa à boca do peixe.
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| E todavia , .... eles mordem, e ficam. |
O conceito de funcionamento das Koghas, ou dos Bin-Bins, tudo o que se enquadra dentro desta gama de acessórios não deixa de ser ...simples.
É um sistema que não difere muito de um jig, tem peso, tem um engano, as saias, e tem anzóis. E é tremendamente eficaz.
Porém, para uma classe de pescadores que basicamente só se sente confortável a pescar com isco orgânico, tudo isto é um pesadelo!
Não encaixa, não pode ser, sem isco nem vale a pena pescar.
Para quê ir à pesca só para perder tempo?!.....
Porém, se pensarmos no que é uma “pesca pica-pica”, aquele sistema em que todos creditam, afinal não passa de algo similar, um peso e linhas com anzóis que levam comida ao peixe.
A diferença é mesmo a isca, a qual no caso dos japoneses é substituída por fitas de silicone. E quem acha que não pode funcionar por ser artificial, ...às tantas pesca chocos com uma toneira de ...plástico.
Tenho amigos que relutantemente aceitam pescar com estas “bugigangas”, modernas por cá mas ancestrais no Japão, mas só o fazem se puderem adicionar isca.
Falamos de, pelo menos, um “cheirinho” de um belisco de sardinha, de navalha, de ganso, etc.
Ou seja, estão a desvirtuar por completo aquilo que é uma prática japonesa centenária.
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| O conceito é simples e não é muito diferente de um jig. E funciona! |
Não faz falta isca a um sistema que mais não é que uma amostra, um artificial com as suas características próprias, e que, durante centenas de anos, já deu provas de eficácia a predadores como os nossos.
O movimento ondulatório das saias de silicone é perfeito o suficiente para induzir um pargo, um robalo, a morder os minúsculos anzóis que equipam estes enganos.
E são de facto anzóis pequenos, muito pequenos, não há erro nenhum.
Porém... altamente eficazes, e é isso que conta.
Como funciona afinal o sistema?
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| Podemos variar as cores, mas o conceito é sempre o mesmo: um peso, fitas atractivas e anzóis. |
A técnica em si é um pouco difícil de engolir a um pescador português típico, um pescador comum, um homem das iscadas de lingueirão. Não é fácil confiar nela.
Os anzóis são pequenos, têm mesmo de ser pequenos, e esse é o primeiro óbice a que as pessoas acreditem.
Ser pequeno é uma coisa e ser fraco é outra. O princípio de construção destes anzóis é este: pequenos, resistentes à abertura e super afiados.
Pequenos porque o sistema exige a sua discrição, pequeno volume. Pretende-se que o peixe ataque aquele “polvo” em fuga sem se deter na questão dos anzóis.
Resistentes porque podem aparecer peixes acima dos 10 kgs a manifestar interesse naquela “isca”.
Super afiados porque o sistema exige que o peixe se prenda por si, sem ferragens.
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| As formas do peso diferem, consoante se trate de uma amostra para águas paradas ou zonas com correntes fortes. Aqui para águas muito movimentadas, ou pescas a alguma distância do barco. |
Não tenho dúvidas de que a maior parte das pessoas que pescam nunca viram um minúsculo polvo a deslocar-se na água, amedrontado.
A figura que faz é esta, a de uma criatura com um núcleo central, (o nosso peso), e alguns tentáculos a balançar na corrente, (as saias de silicone).
Estas saias de silicone, cortadas de forma a oferecerem resistência à passagem de água, são para o peixe a imagem visual de ...um polvo vivo.
Daí que não temos de fazer mais que recolher, com uma cadência mais ou menos regular, ao gosto de cada um.
O peixe faz o ataque ao que mexe, e os anzóis irão estar no meio daquele “reboliço” tão convincente.
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| Simples e eficaz... |
Como se ferra o predador?
Não ferra!
Aliás se o fizermos, se não formos capazes de resistir até ao limite a essa ferragem, o mais natural é perdermos o peixe.
Ter nervos de aço e continuar a enrolar linha é tudo aquilo que podemos fazer e não é pouco.
Quanto mais pressa tivermos, menos possibilidades teremos de conseguir o peixe.
É deixá-lo trabalhar, morder e voltar a morder, até que ele próprio acabe por se ferrar nos anzóis.
É raro que venha preso apenas por um, e esse é um dos segredos mais bem guardados dos mestres de pesca japoneses: a distribuição do peso do peixe por vários anzóis, várias ancoras. O peso, ímpeto e força do peixe são distribuídos de forma a não ultrapassar a capacidade de carga de cada um dos anzóis.
E o peixe sobe...
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| Para águas mais calmas, este formato. |
Bem sei que alguém irá avançar com a atitude habitual: adquirir uma peça em chumbo, uma saia, e irá tentar ensaiar a sorte com isso, utilizando a sua cana de pesca de spinning, ou quiçá a de 3.60 mts, a do ” pica-pica”, ...porque não?
Pois, ....vai obter os resultados de alguém que tente escovar os dentes com o piaçaba da sanita.
Temos uma tendência nata para “desenrascar”, sendo que há técnicas que não permitem isso. Em rigor, podemos usar um pau de vassoura, mas os resultados obtidos serão os que alguém pode obter com um pau de vassoura: zero.
A cana de Kogha é semiparabólica, de ponteira macia, e isso é obrigatório já que para anzóis de tal forma pequenos não são admitidas canas mais rijas, mais rápidas.
Com anzóis pequenos, tudo o que não necessitamos é de uma cana dura, que ofereça um ponto de apoio fixo ao peixe.
Porque podem aparecer peixes acima dos 10 kgs de peso, o que se pretende é um sistema elástico, macio, que suba o pargo, a dourada, ou outro peixe, devagar, sem pressas, a dar tempo ao bicho para esgotar as suas forças.
É importante que a subida não seja brusca, bem pelo contrário, convém que em momento algum o peixe se sinta arrastado.
A ideia é que o bicho não sinta demasiada resistência ao abocar a amostra e isso só pode ser obtido com uma cana verdadeiramente macia.
E como são construídas estas canas?
Porque o blog não pressupõe mais de 5 minutos de leitura, vamos ver isso e concluir no próximo número.
Vítor Ganchinho
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Boa tarde, tenho usado os bin bin shitch no Tejo aos robalos corvinas e até sargos, uma pesca muito interessante
ResponderEliminarHá espécies de peixes que entram muito bem, e não é difícil adivinhar quais são....
EliminarSe este tipo de artificiais imita muito bem um pequeno polvo, ou uma lula a deslocar-se,
todo o tipo de espáridas terá neles um interesse acrescido.
Eu tenho feito robalos, pargos, desde os legítimos aos capatões, as bicas, as choupas, e os inevitáveis carapaus...
Esta técnica tem centenas de anos no Japão e eles ...sabem de pesca.
Continue a dar-lhe com força!!
Vitor