Analisámos anteriormente alguns detalhes relativos a canas de pesca para kohgas e Bin-Bins.
O foco foram as canas de casting, por serem as únicas utilizadas por quem criou a técnica: os japoneses.
Ainda assim, e prevendo a possibilidade de haver alguém por cá a pretender “inventar” uma alternativa, impõe-se uma palavra sobre a utilização de canas de ...spinning.
Somos dados a “safar”, a “desenrascar” as coisas de forma a não fazermos qualquer investimento em material específico para uma função. Por mais técnica que seja.
É verdade que podemos utilizar um vulgar conjunto de spinning, com carreto convencional, e não vem mal ao mundo por isso.
Já vi usar uma cana de surfcasting para pescar “pica-pica”...e não deve ser a última bizarria que me passa pelos olhos.
Da mesma forma podemos utilizar o piaçaba da sanita para escovar os dentes....embora a meu ver não seja a mesma coisa que utilizar o objecto indicado para a função.
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| José Rodrigues com um pargo do qual se pode orgulhar... capturado com um Bin-Bin da Jackall de 45 gr. |
Com uma cana de spinning, feita para lançar longe amostras de forma horizontal, teremos até a vantagem de poder explorar pesqueiros mais distantes.
Desde logo porque o carreto convencional permite lançar longe. Sim, com ele, podemos lançar.
Mas será o lançar longe algo importante ou indispensável a uma pesca essencialmente feita na vertical, uma técnica desenvolvida para pescador embarcado?
Afinal de contas qual o tipo de equipamento certo para este tipo de pesca? Qual o que permite obter melhores resultados?
Não será mais importante ter um controlo absoluto sobre os subtis toques verticais dos peixes do que lançar longe?
Provavelmente será.
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| Vejam como é simples convencer um pargo acima dos 9 kgs... |
A versão japonesa de pesca kohga tem uma variante que permite a pesca na deriva da corrente, com a amostra longe do barco, arrastada para longe pela força da água.
Os modelos “Dotera” da Shimano foram concebidos com esse fim. O peso tem propriedades hidrodinâmicas específicas, e um “pescoço” longo que possibilita a recolha de forma mais suave, mais fluída. A peça é esta:
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Trata-se de uma pesca feita preferencialmente com carreto desmultiplicador, de casting. E porquê?!
Os carretos de casting dispõem de um mecanismo que lhes permite regular a velocidade de saída de linha, através de um sistema de atrito.
Haverá vantagens ou não em o fazermos, consoante o estado do mar, mas é bom contarmos com essa possibilidade.
Em dias de ondulação mais forte, com vagas de vento, é bom contar com este sistema. Nos outros dias nem tanto, podemos optar por outra solução.
De qualquer forma, deixo o conselho de pescarem do lado de fora da saída da corrente. Não vale de muito pescar com a linha a passar por baixo do barco, pois vamos perder sensibilidade e ao mesmo tempo arriscaremos a possível passagem da linha pelo fundo áspero do barco, ou mesmo dos hélices.
Se pretendemos deixar cair para o fundo a linha o mais rapidamente possível, (pescar bem na vertical ajuda a não prendermos a montagem nas pedras), mas não queremos prisões no fundo, também o carreto de casting é mais fiável, mais seguro.
A razão tem a ver com a facilidade de armar o “pick-up”, automática ao menor movimento da manivela.
É de bom tom podermos alvorar a pesca ao primeiro contacto, até porque não estamos a tratar de uma pesca de insistência, de permanência fixa, de ser “melhor se ficar mais tempo no fundo”.
Pelo contrário, assim que o peso bate no fundo a ideia é mesmo recuperar de imediato, forçando o peixe a actuar, a atacar a presumível presa em fuga.
E que mordem eles?
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Certamente já repararam no vosso fornecedor de equipamentos de pesca que ele tem em stock algumas canas com passadores montados em espiral. Não é por acaso.
O movimento que imprimimos à Kogha é relativamente lento, e pressupõe sensibilidade máxima na ponteira. As canas de jigging comuns têm os passadores aplicados em linha no eixo superior, no enfiamento do carreto, que trabalha em cima, onde o podemos ver e manusear. Não o poderíamos fazer se colocado na parte inferior da cana, note-se.
Com a linha fina ( PE1.2 a PE1.5...) a passar por cima dos passadores, o controle desta seria mais difícil.
Dizem-me os engenheiros da Shimano o seguinte: “Vitor, em pescas de sensibilidade como esta, devemos evitar que a linha “escorregue”, que balance de um para o outro lado do anel de ponteira, que emita vibrações, no fundo que dê informação ao peixe de que algo está errado”.
Numa cana com passadores em linha, a saída do PE é feita no tramo superior, e por isso basta que haja um pouco de vento, e tem tendência para cair para um dos lados do passador de ponteira.
Quando se pesca com uma cana de guia fios em espiral, isso não acontece pois os últimos passadores encontram-se já virados para baixo.
O efeito é o de termos a linha fixa, na sua posição natural, a de procurar exactamente o centro do ponto de gravidade da ponteira.
Percebo que isto seja de tal forma técnico que possa escandalizar os mais susceptíveis. Mas os japoneses inventaram a técnica, utilizam-na com convicção diariamente, tanta quanto a que dedicamos à nossa pesca com isca orgânica.
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E como se pesca?
Trata-se de uma pesca essencialmente feita na vertical, ou próximo disso.
Não sei se já repararam que, sempre que o nosso barco se desloca a alguma velocidade, de cada vez que levantamos a pesca, ao deixá-la cair o ângulo que a nossa linha faz relativamente ao plano de superfície é mais aberto.
Levantamos a pesca, e ao cair de novo para o fundo, algum tempo passou e o barco fica mais longe dela. Chamamos a isso na gíria “pesca espiada”.
Não é necessariamente mau, se soubermos pescar dessa forma. Uma das vantagens que tem é que a amostra, o Bin-Bin ou a Kogha, ficam na zona de ataque (a dita strike zone) mais tempo.
É fácil perceber isso: a pescar na vertical se levantarmos a amostra, em poucos metros ela ficará longe do fundo. E há que repetir a operação, deixando cair de novo.
Já se a pesca estiver muito oblíqua, irá passar mais tempo junto ao fundo, até subir e ficar fora da zona de ataque dos peixes.
Tem no entanto a desvantagem de nos retirar sensibilidade, passamos a sentir menos os toques.
Provavelmente no meio estará a virtude, e cabe-nos procurar a forma como podemos obter melhores resultados nesse dia.
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| Há peixes bonitos por aí, e muito interessados em morder artificiais. |
A técnica é simples...demais.
Em bom rigor, aquilo que se faz é apenas deixar cair o peso e a seguir enrolar a linha.
Cabe-nos descobrir qual a velocidade certa de recuperação da amostra, e isso é feito em função da corrente, da deslocação do nosso barco, da profundidade, da altura da maré, etc.
A partir daí, a recuperação de linha é feita com uma cadência certa, passando a amostra de chumbo (ou tungsténio) pela zona de ataque, a dita zona de “stryke”, o local junto ao fundo em que os peixes procuram alimento.
Pode acontecer que uma pequena variação de velocidade seja o suficiente para conseguirmos excitar os peixes e passarmos a ter toques.
O factor atrativo advém do movimento da fita de silicone, a qual, se tiverem a curiosidade de ver passando a amostra junto ao barco, imita na perfeição a saia ondulante de um choco, ou os tentáculos de um pequeno polvo em movimento.
Os peixes grandes estão saturados de tentativas de pesca tradicionais, mas ainda não estão “escaldados” com estas novas propostas.
Vejam o filme de uma capt8ura feita a bordo do meu barco anterior. Divirtam-se...
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Vítor Ganchinho
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