Quem nunca sonhou em pescar num mar pleno de peixe?
Aqueles que a meio da noite acordam transpirados, sobressaltados com a brusca e vertiginosa saída de linha do carreto, estarão porventura a pescar peixes grandes no sul do nosso país.
São lugares de sonho, milagrosos, com uma fauna piscícola quase intacta, preservada à conta da distância aos grandes centros populacionais e dificuldade de colocação das embarcações na água.
Os nomes são conhecidos: Porto de pesca da Lapa das Pombas, (no Almograve), Portinho do Canal, (Vila Nova de Mil Fontes), Porto de pesca de Porto Covo, Porto de pesca da Entrada da Barca, Zambujeira do Mar, Porto de pesca da Azenha do Mar...
Quanto mais difíceis os acessos por terra mais peixe disponível haverá no mar que bordeja para sul e norte estes recônditos portos.
É verdade que os profissionais de pesca à rede batem toda a nossa costa. Haverá algum lugar que nunca tenha sido tapado por uma rede, que nunca tenha sofrido a erosão da actividade profissional?
Mas ainda assim esses barcos deixam sempre algo por ver, pedras que lhes são menos convenientes por provocarem prisões nas redes, por lhes atrasarem a faina.
O tempo ensina-os a evitar escolhos, pontas de rocha, ancoras afundadas, tudo o que possa significar longas horas a remendar as suas redes de emalhar.
Esses são os sítios onde os pescadores de linha podem investir algum tempo, entendendo a sonda, percebendo onde vale e onde não vale a pena arriscar um lance de amostra.
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| Do Cabo de Sines para sul, temos muitas milhas de pedra cheia de alimento para os mariscadores, e para quem os segue. |
Os grandes robalos, os pargos de sonho, mas também alguns meros atrevidos que se lançam sobre os jigs, esses encontram nestes remotos lugares um pouco de paz na sua existência.
As migrações verticais, perpendiculares à costa e feitas no sentido do afundamento, respondem a imperativos de ordem natural: águas ocasionalmente frias, tempestades feias que surgem e obrigam a procurar alguma protecção, etc. Falamos de fenómenos pontuais que forçam o peixe a algum afastamento da costa.
Mas a quantidade de alimento proporcionado por uma costa agreste, selvagem, dura, mas carregada de pedra e do seu inevitável mexilhão, perceves, cracas, lapas, etc, chamam os peixes para o alimento necessário de todos os dias.
É inevitável que o peixe encoste a terra, por força da necessidade de comer.
A cadeia alimentar equilibra-se por si e as grandes massas de peixes encontram nestas áreas boas razões para se fixarem.
Se aquilo que procuram são os sargos XXL, as corvinas, um ou outro atum, ....é tudo ali.
O recorte da costa impede em muitos desses locais a colocação de redes.
Não faz falta mais nada: segurança.
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| Quem vê a costa no mapa não consegue perceber o quanto, de Sines para sul até Sagres, ela é recartilhada, cheia de pedras altas e refúgios salvadores para peixes com tamanho e peso a condizer. |
De alguma forma, estes locais funcionam como uma reserva natural, permitindo aos reprodutores adultos cumprir a sua função de disseminadores de peixe por toda a nossa costa.
O resto é a natureza a trabalhar, a empurrar cardumes de pargos e robalos para sul ou norte, na sua interminável busca de alimento, seguindo a comedia, os bancos de caranguejo pilado, a sardinha petinga, as cavalinhas e carapaus de tenra idade, o biqueirão, a galeota, etc.
É bom saber que ainda existem lugares ....quase virgens.
Vítor Ganchinho
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