PESCAR ROBALOS NO MEIO DE GRANDES TORMENTAS - CAP II

Muitas pessoas dão tudo de si e arriscam as suas vidas para conseguir um só robalo.
Arriscam tudo! Os seus pertences, o seu barco, a sua vida.
Tudo por um peixe que se tornou ao longo dos anos um mito, um emblema de um tipo de pesca que se chama “Spinning”.
Na verdade, perdem-se nos tempos as pescas feitas com colheres rotativas, giratórias, as colheres que faziam o dito “spinning”.
Hoje são as amostras de plástico e os jigs de chumbo aqueles que matam os robalos, embora a designação da técnica tenha perdurado.

O robalo é um peixe que não tem dificuldades em permanecer por longos períodos onde a maior parte dos outros não ousam sequer estar alguns segundos. E isso torna-o ...perigoso.

Senhor de capacidades físicas remarcáveis, o robalo desafia as ondas e as correntes procurando comida em agueiros, canais de passagem rápida de águas, ressacas de ondas que embatem contra a rocha.
Lá onde a onda bate, onde se esmaga contra a pedra dura, é onde eles tiram mais vantagens das suas incríveis capacidades físicas. O seu corpo foi modelado ao longo de muitos milhões de anos para ser aquilo que é hoje: uma máquina perfeita para enfrentar tempestades.
Onde for possível tirar partido das suas condições atléticas de força, potência, velocidade e capacidade de manobra, é onde os robalos andam, oportunos, atacando presas que mal podem mover-se contra a fúria das águas quanto mais evitar serem capturadas por quem está talhado para esse tipo de trabalho.
Mau tempo é sinónimo de robalos na costa. E também de perigos acrescidos para aqueles que os querem pescar.


Poucas pessoas arriscam meter o barco no meio de recifes, de pontas de pedra que afloram a superfície, por saberem que a sua capacidade de manobra é reduzida, e que uma vaga mais desencontrada pode partir-lhes o casco e afundar o barco.
Se muitos destes lugares rochosos são inacessíveis a quem pesca embarcado, já um outro não o será tanto e todavia não deixa de ser menos perigoso: as praias com rebentação.
É aqui que a maior parte dos acidentes acontece!
As praias de areia são lugares que provocam mortes todos os anos, e não é por acaso.
Desde logo porque só são pescadas quando o tempo está ruim, quando há vagas altas e rebentação. É nesse momento que o robalo se avizinha delas e os pescadores sabem-no.
O que fazem os robalos ali? Caçam presas de pequena dimensão que, por falta de peso específico significativo, por não terem forças suficientes para manobrar o seu corpo contra a energia das correntes, acabam por ser alvos fáceis de quem ...”está na sua praia” no que a mobilidade diz respeito.


Todos os anos acontecem acidentes provocados por pescadores que arriscam tudo por um peixe. A presença de uma embarcação numa zona de ressaca é um perigo que não vale a pena a ninguém.
A sequência de ondas é entendida por quem pesca, parece ser suportável, e a seguir vem a grande, a que excede todas as outras. E essa é muitas vezes fatal.
Um barco que leva com uma onda dentro, tem muito poucas possibilidades de ser reorientado para sair dali. A onda seguinte mete-o no fundo e projecta os ocupantes para o reboliço da espuma.
Uns salvam-se, ...outros não.
Pescar na rebentação é algo que não deve ser feito sem uma estratégia muito precisa, um barco muito sólido e que dê escoamento ao vento, uma tripulação experiente, habituada a este tipo de atividade de risco extremo. Motores ligados, um elemento a supervisionar as ondas, e muita prudência.
As nossas vagas de vento atlânticas deslocam-se a uma velocidade de 12 nós. Qualquer barco com potência de motor inferior a este valor não tem a menor possibilidade de não ser alcançado e consequentemente irá ao fundo!

Há dias para ficar em casa...

Quando se trata de enfrentar ondas gigantes e ventos fortes, bastante comuns na pesca de mar, nunca há excesso de cuidados.
Segurança em primeiro lugar: em tempestades, é fundamental manter a calma, verificar equipamentos de segurança e, se necessário, retornar ao porto de abrigo.
Parar a pesca por completo e sair da zona não é um sinal de medo, é um sinal de inteligência.
Não ir pescar é sempre a decisão mais acertada porque a seguir a um dia de pesca vem sempre outro dia de pesca, para os que ficam vivos.
Vejo gente com “cascas de nozes” irem para o meio da “máquina de lavar” na esperança de poder ferrar um robalo. Essa gente coloca em perigo a sua vida e a dos que a seguir irão tentar salvá-los.


Saiu legislação que pode vir a ajudar a diminuir os acidentes de quem pesca ao robalo: finalmente há uma proibição oficial de pesca, embora que durante um tempo muito limitado, e que reza da seguinte forma:
A captura do robalo está sujeita a regras restritas: proibição total de 16 de janeiro a 15 de fevereiro e obrigatoriedade de reporte diário de capturas via aplicação RecFishing.
Não deixem de ler as directivas da DGRM sobre este assunto.
Boas pescas para todos ....em segurança!


Vítor Ganchinho


😀 A sua opinião conta! Clique abaixo se gostou (ou não) deste artigo e deixe o seu comentário.

Artigo Anterior Próximo Artigo

PUB

PUB

نموذج الاتصال