Menos de 5% das pessoas que habitualmente leem o blog se incomodam em dar a sua opinião através de um comentário, ou sequer em colocar um like.
E todavia, essa é a única forma que têm de manifestar o seu agrado, ou desagrado, pelo trabalho feito por alguém que o faz com muito boa vontade e de forma gratuita.
Vivemos dias em que a ingratidão humana roça o ofensivo.
Tenho 63 anos e sou do tempo em que as pessoas pediam uma informação e a seguir, depois de a terem, diziam: “obrigado”.
O blog dá, gratuitamente, informação sobre pesca.
Caminhamos alegremente para um tipo de relacionamento impessoal, desprovido de emoções. Aceitamos ser comandados por um ecrã táctil, frio, e nem todos o percebemos.
Recuperar o verdadeiro significado de um abraço amigo, até de princípios de boa educação, é um desafio porventura já demasiado pesado para muitos de nós.
As pessoas recusam-se a pensar.
De facto, pensar dá trabalho. Quem escreve o blog faz isso quando se senta a um computador e escreve a partir de uma folha em branco.
Temos um cérebro prodigioso, capaz de produzir verdadeiros milagres psíquicos, e não o queremos utilizar. Um dia iremos querer e não seremos capazes...
Posso ajudar-vos a fazer um curto exercício mental que é muito curioso, porque nos indica qual é a área do nosso cérebro a responsável por ler e obter informação técnica e qual a que disponibiliza conhecimento prático em acção de pesca, aquela que nos torna capazes de reagir ao que o peixe está a fazer nesse dia e nessa hora.
Imaginem que eu escrevo: “o palheiro é importante porque o pano estava rasgado”.
Dificilmente alguém que leia a frase acima a pode entender.
A informação linguística é fácil de captar, todos sabemos ler palavras, estas palavras, até porque são todas comuns. “Pano”, “importante”, “palheiro”, tudo isso é conhecido.
Mas ainda assim isto é totalmente desconexo, a seguir faz-nos falta entender o significado. E aí tudo se complica: “o palheiro é importante porque o pano estava rasgado”.
Agora vejamos, eu vou adicionar um detalhe: isto é uma história sobre um paraquedista.
Bem, assim, aos poucos, já conseguimos imaginar que talvez alguém tenha saltado de um avião, que o seu paraquedas rasgou e por fim a pessoa terá caído num palheiro. Tudo começa a encaixar-se.
De uma primeira ideia absurda, sem sentido, o nosso cérebro ligou vários pontos e aos poucos já somos capazes de entender como tudo terá funcionado.
Até podemos conjecturar que a pessoa se salvou, embora eu não o tenha dito. Mas faz sentido que assim tenha sido, certo? Ou o palheiro não seria importante.
Saber ler nas entrelinhas é tudo!
A pesca também é isso!
Saber interpretar aquilo que estamos a ver, o que está diante dos nossos olhos.
Só temos de ler bem, e a seguir entender, visualizar, descodificar o que está escrito.
Isso é feito utilizando as duas metades do cérebro: a esquerda, que lê, que capta informação no mar, e a direita que lhe atribui significado visual e tem a responsabilidade de construir o cenário de pesca.
No fundo, atribuir sentido material ao que estamos a ver.
Muita gente não é capaz de o fazer.
Para essa gente, os peixes são bichos estranhos, com comportamentos estranhos.
Os melhores pescadores são aqueles que olham para o mar, que o leem, e a seguir conseguem atribuir significado ao que os seus olhos estão a ver.
Faço-me entender?…
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Quem escreve aqui no blog precisa de um pouco mais que isso para vos dar informação.
Vítor Ganchinho
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