Os equipamentos de pesca que nos chegam são produzidos do outro lado do mundo.
China e Japão competem entre si para apresentar as melhores soluções.
Podemos generalizar dizendo o seguinte: chegam-nos da China as soluções baratas, cópias de baixa qualidade; do Japão chegam-nos os originais, normalmente de melhor desempenho, a preços mais elevados.
Perde-se no tempo o conhecimento japonês sobre a pesca dos chocos e lulas e é de lá que podemos esperar inovação e inspiração.
Não convém esquecer que eles são grandes apreciadores de sushi e sashimi, feitos com estes cefalópodes, em fresco.
Lulas e chocos...interessam-lhes.
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| Emissão de UV`s |
Haverá milhões de pescadores japoneses especialistas no eggi, gente que se dedica apenas a esta técnica, sendo que o melhor pescador de todos, conhecido por ter dedicado toda a sua vida a estes cefalópodes, é alguém com quem já estive algumas vezes no Japão, EISUKE KAWAKAMI.
É reconhecido por todos como o melhor de sempre, embora pessoalmente não o admita, ou não fosse ele alguém cuja capacidade técnica ímpar, soberba, apenas rivaliza com a sua enorme modéstia.
Por serem os japoneses fabricantes proactivos de equipamentos de pesca para lulas e chocos, e por haver um mercado garantido, as lojas de pesca estão cheias de propostas de toneiras de alta qualidade.
Muitos clientes, muitos fabricantes, sucesso garantido. A sua reconhecida capacidade de produção de amostras faz o resto.
E vai daí, no sentido de potenciar ao máximo as capturas, os criadores de amostras eggi lançaram mão de toda a tecnologia disponível, e isso inclui dar-lhes destaque do meio envolvente.
A estratégia passa por aplicar tecidos de cobertura, ou utilizar os próprios plásticos em si, para conseguir emissão de brilhos/cores. E que brilhos são esses?
Basicamente existem dois princípios técnicos de toneiras: com ou sem brilho.
As amostras sem brilho recorrem ao colorido reflectivo da sua cobertura e são eficazes enquanto a luz solar penetrar na água.
Dependem inteiramente da reflexão da luz solar ambiente ou da imitação de cores naturais para a criação de uma silhueta atractiva ao choco.
Utilizam-se para pesca em águas claras, ou rasas, (condições diurnas de muita luminosidade, onde a luz solar penetra facilmente), onde os chocos aceitam depender quase em exclusivo da visão para caçar.
Têm as suas limitações. Embora de preço regularmente mais reduzido, não são indicadas para pescar em águas turvas, ou à noite, ou mesmo em condições de baixa luminosidade.
E existem as “outras”.
Falamos de ultravioletas, UV´s, e sistemas “glow”.
O contraste ganho por estas “esponjas de luz” ajuda de facto a destacar a amostra, mesmo em águas mais turvas, e os chocos pegam-lhe por isso.
Brilhar no escuro faz incidir sobre si as atenções daqueles que estão emboscados, à espera de uma vítima.
A natureza é impiedosa quanto a destaques....e neste caso o destaque é conseguido através de um “carregamento” de luz conseguido tanto de forma natural como artificial.
As toneiras que reagem a raios ultravioletas podem ser expostas a uma fonte de luz (como o sol, uma lanterna comum ou uma luz UV) para "carregarem" antes de serem lançadas.
Quando no fundo, libertam essa luminosidade de forma lenta, ao longo do tempo, sendo que ao fim de um determinado período, é forçoso trazê-las à superfície e “recarregar”.
A sua utilização pode e deve ser feita em situações difíceis, de águas profundas, céu nublado, águas turvas ou pesca noturna na escuridão total.
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| As ditas lanternas de UV´S, algo não muito utilizado por cá, mas corrente no Japão. Aqui numa versão que pretende transmitir brilho a uma amostra macia para peixe espada. |
Um outro sistema, conhecido por “glow”, apenas difere na forma como interage com a luz.
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| Emissão de brilho “glow”. Pode produzir-se um misto de ambos, ver segunda foto. |
A escolha é fácil de fazer, se soubermos analisar aquilo que o dia e hora de pesca nos traz.
Dias de sol, a meio do dia, com muita visibilidade, muita luz disponível: possibilidade de utilização de toneiras de cores naturais, sem qualquer perda de eficácia.
Toneiras sem brilhos parecem mais realistas, evitam assustar chocos já picados, mais cautelosos se em águas claras.
Dias com circunstâncias de baixa visibilidade, nebulados, escuros, inicio de dia sem muita luz, ou águas muito profundas: utilizar toneiras com “glow” ou brilhos UV´s.
Não tem de ser esta ou aquela, um modelo rigoroso e específico, tem sim de ser algo com acabamentos refletivos ou revestimentos reativos a UV para atrair a atenção dos chocos.
Esqueçam a obrigatoriedade de pescar com a toneira de marca tal, modelo tal: apenas interessa que possa refletir a pouca luz existente, criando uma silhueta.
O resto os chocos fazem.
Caso pretendam ter uma “cábula” para proceder à escolha, aqui vos passo uma elaborada por um amigo japonês:
Espero que esta série tenha sido útil.
Haja chocos!
Vítor Ganchinho
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