Na pesca quase nada sai perfeito. A ninguém.
Estamos constantemente a encontrar caminhos que não conhecemos, caminhos nunca pisados.
Infelizmente não recebemos um aviso a informar que estamos errados, que não é por ali.
Só temos uma forma de saber se estamos a pescar bem ou mal: seguir em frente e analisar os resultados. Pescamos ou não?
Para mim, nunca serei suficientemente perfeito porque ainda me acontece ter dúvidas. E ainda perco um ou outro peixe.
A pesca perfeita, para mim, está a, pelo menos, dois anos de distância. E sempre estará.
Vejo pessoas que se acomodam, que acham que por conseguirem meia dúzia de peixes já sabem tudo e não vale a pena ir mais longe.
Pessoas que se consideram a si próprias “eruditos” da pesca, da técnica, quando confrontados com peixes de comportamento instável, chegam sempre e por fim à mesma conclusão: sabem afinal pouco ou nada e têm de recomeçar de novo um caminho sem fim.
Porque a pesca é um processo, algo em que evoluímos continuamente.
Façamos um exercício simples: vamos fechar ambas as mãos em punho e virar os dois polegares para nós. Agora juntamos ambas as mãos à nossa frente.
Isso é o tamanho e feitio do nosso cérebro. Esse pequeno volume encarquilhado é o responsável por tudo o que fazemos.
Representa cerca de 1.5 kgs de massa cinzenta e tem a “potência “ de oitenta e cinco milhões de neurónios.
Nem é muito nem pouco, é o que é.
Dificilmente dois cérebros poderão ter experiências de vida iguais e por isso somos tão diferentes. Vemos as coisas de formas diferentes.
E querer que duas pessoas diferentes pesquem da mesma forma é um absurdo!
Teremos sempre maneiras diferentes de ver o fenómeno da pesca e interpretar o mar.
Faz sentido então querer ensinar alguém a fazer igual a nós? O que é isso de ensinar?
O que podemos fazer para ajudar alguém a progredir na pesca, a obter melhores resultados, é retirar da equação todas as formas que claramente não funcionam. Apenas isso.
Retiramos do enorme leque de possibilidades tudo aquilo que não funciona bem para ninguém em nenhuma situação.
A seguir vamos ter de afirmar algo que não convém a muitas pessoas: há mesmo quem não tenha características nem um mínimo de instinto para pescador!
Jeitinho nenhum!
Será uma pessoa admirável a fazer outras coisas mas não a pescar.
Há pessoas que não conseguem pescar porque pura e simplesmente não entendem o que estão a fazer no mar, não entendem a sua linguagem. Não o sabem ler.
Para que isso aconteça há que começar por pegar numa cana e querer muito ser capaz de enganar um peixe…
Ter algum talento ajuda, e de que maneira.
E logicamente não é um processo que se cumpra num dia, constrói-se ao longo de anos e anos. Chama-se experiência de pesca a isso.
Depois há quem apresente melhores resultados de pesca porque presta mais atenção aos pormenores, consegue ser mais consistente ao nível da concentração, e porventura dedica mais horas ao fenómeno.
Mas ….alguém que consegue resultados de excepção na pesca pode ser de uma incapacidade gritante a fazer qualquer outra coisa.
Ser bom pescador é ser só isso e felizmente a vida é muito mais.
Vítor Ganchinho
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