Nos dois números anteriores fizemos uma “revisão da matéria” de alguns detalhes genéricos relacionados com a pesca ao choco.
Aqui chegados, convém perder algum tempo na questão da produção de toneiras, e hoje concretamente as suas agulhas.
Sejamos práticos, não devemos ficar ofuscados com a beleza da toneira, escolher apenas por ser bonita.
Não perder nunca de vista uma questão absolutamente fulcral: aquilo que estamos a mandar para baixo é um engano armado de anzóis sem barbela!
Esqueçam as cores e os penachos, os brilhos e as lantejoulas: o espectáculo é pescar, não é exibir coisas coloridas no fundo do mar.
O foco não é esse!
Aquilo que queremos é que os chocos mordam, e que a seguir fiquem presos e ...não vão embora.
As agulhas devem ser bastante aguçadas, com um ângulo projetado para penetrar firmemente nos delicados tentáculos do choco, ou da lula.
Estamos a falar de pescar chocos, não de os massajar. Por isso, e por mais pena que tenhamos deles, falamos de agulhas metálicas, um objecto aguçado, penetrante, e que servimos em dose dupla, como abaixo:
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| É isto! Mais de metade do valor de uma toneira é a qualidade do seu armamento, as agulhas. |
Marcas como a BKK produzem agulhas de alta qualidade, mais caras, mas que se pagam a si próprias em mais chocos ou lulas. Perdem-se menos picadas.
É perfeitamente possível pescar com outras marcas, mas esta é a melhor. Nem sempre o pescador vai a tempo de cravar as agulhas nos tentáculos do choco, e por isso é conveniente que este se crave a si próprio, que exista alguma retenção.
Desde que não se afrouxe a linha, que se mantenha a tensão, os chocos ficam presos. Quanto mais não seja porque irão contrair os tentáculos sobre o anzol, apertando, ajudando à manutenção dessa prisão.
Os polvos também podem ser capturados com uma toneira, o processo é similar, embora para eles e porque os seus tamanhos podem atingir os 10 kgs de peso, seja mais frequente utilizar sistemas mais robustos.
De resto, em termos de técnica é a mesma coisa, a diferença é que as lulas e os chocos têm tentáculos, membros lisos, com ventosas na ponta, os polvos não têm tentáculos, têm braços, membros armados de ventosas ao longo de todo o seu comprimento.
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| Este é um barco de madeira utilizado pelos pescadores do Tejo |
Um outro detalhe relacionado com as agulhas e que aparentemente é inóquo, é o seu peso.
Convém ter presente que aquilo que estamos a tentar imitar é a deslocação lenta de um camarão pelo fundo.
Para quem já mergulhou é mais fácil entender. Os camarões deslocam-se por esticões, um salto forte, violento e um planar, lento, até pousarem.
A seguir repetem, se sentirem necessidade de sair dali para outro sítio. Esse movimento é altamente apelativo para um choco, ou uma lula.
Daí a necessidade de os fabricantes de toneiras introduzirem a quantidade certa de ar no seu interior, para provocarem dessa forma uma queda controlada, lenta, que imite a descida suave de um camarão. Pretende-se um posicionamento natural, horizontal, logo o tamanho da peça conta.
A sua flutuabilidade e estabilidade na coluna de água depende do ar interno, e do peso compensatório do chumbo.
Mas também aqui as agulhas desempenham um papel fundamental já que são elas que podem, com o seu excesso de peso, chegar a desvirtuar o posicionamento e queda suave da amostra. E a contribuir para uma descida mais rápida e por isso menos interessante.
Mais leves mas muito resistentes, é isso que se pede a um conjunto de agulhas. Até à data, este efeito é conseguido através do fabrico de agulhas em aço carbono.
Quando me falam de toneiras a custar cêntimos, .....a pergunta que se faz é esta: esse valor paga o quê?
No próximo número vamos ver a questão dos brilhos das toneiras, a emissão de luz “glow” e os ultra-violetas.
Vítor Ganchinho
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Olá Vitor, boa tarde.
ResponderEliminarVou partilhar uma ocorrência que achei interessante, que relaciona as cores dos palhaços.
Uma das minha primeiras pescas ao choco no Sado, quase em frente à praia da Rasca, e ao fim de muito tempo sem grandes resultados, prendi o meu estralho numa emaranhado de linhas onde estava uma toneira de dorso azul e barriga rosa, muito suja de lodo. Basicamente tinha já uma cor roxa muito baça com laivos de rosa por baixo. Usei essa toneira e comecei a pescá-los uns atrás dos outros. Percebi que tinha uma outra quase nas mesmas condições e foram as duas as minhas matadoras nesse dia.
Hoje uso com frequencia essas cores (roxos e azuis escuros). No inicio da época uso dimensões menores.
Abraço
PS: Este ano juntei as CLIFF ao staff, com sucesso.
EliminarPaulo Fernandes, a pesca do choco não tem como ser complicada.
EliminarÉ de resto uma pesca muito básica, e tem como principais fundamentos haver boas condições de tempo, e ...chocos.
Em locais muito frequentados, massacrados por dezenas de embarcações, é mais difícil conseguir bons chocos. Mas há sempre uma porção de terreno que escapa às passagens dos barcos e aí os chocos ficam calmos durante alguns dias.
A predisposição que estes moluscos têm para atacar as toneiras leva-os à perdição.
Há gente a fazer 40 kgs de chocos num dia....
As toneiras Van Cliff são um resumo muito apertado de uma seleção feita por grandes especialistas da pesca ao choco.
Por isso resultam na maior parte dos dias, na maior parte das condições de mar.
Tenho amigos, especialistas nesse tipo de pesca, que me ajudam a definir detalhes, e quando encomendo, é pela certa.
Esta semana resolvi escrever algo sobre chocos porque o tema tem interesse para uma larga fatia de pescadores no nosso país, e já á algum tempo que não saía nada.
A seguir voltamos aos pargos....
Abraço
Vitor
Boas. Alguém consegue dizer como mudar as agulhas das toneiras ou palhaços? Obrigado! Este post está como anónimo mas não percebo porquê. O meu nome é Rui, grato pela atenção.
ResponderEliminarBom dia Rui
EliminarNão sei se vale a pena apostar nesse trabalho, porque leva tempo e exige paciência.
Eu não faria, mas aí vai:
Como as toneiras para chocos e lulas utilizam uma coroa de agulhas dupla, colada e bem firme, na maior parte dos casos a substituição das pontas danificadas exige trocar toda a coroa da cauda.
Há um trabalho a fazer, o de perfurar e colar hastes de reposição ( agulhas) individuais e isso deve ser feito com alicates, ou fica com os dedos todos picados.
Geralmente, a coroa da cauda é colada diretamente no corpo da amostra, sem materiais intermédios.
Para substituir a coroa completa, siga estes passos:
Remova a coroa antiga: Aqueça a cauda com um isqueiro ou soprador térmico para amolecer a cola.
Use um alicate para girar e puxar a coroa danificada para fora do corpo de plástico.
Limpe o orifício: Use um palito ou uma broca pequena para remover restos de cola ou fragmentos de agulhas antigas partidas na parte traseira da toneira e introduza resina epóxi ou Loctite Gel no orifício. Aquilo a que chama de super cola 3...
Insira o conjunto da nova coroa e pressione com firmeza até que a cola seque.
E tem uma toneira nova.
A trabalheira que isto dá, ....não justifica o trabalho.
Vai ter de gastar dinheiro nas agulhas, e na cola. No fim, custar-lhe-ia menos adquirir uma toneira nova, que custa 7 euros.
A não ser que seja algo de estimação....
Abraço
Vitor