SER GRANDE ENTRE OS GRANDES...

Pode haver quem nunca tenha ouvido falar no nome de Luís Ramos. 
A ser pescador, estará esse alguém ainda na Idade da Pedra, passeia por aí despido, ou vestido com peles de animais, nunca ouviu falar da invenção da roda e estará a milhares de anos luz de saber que 
existem canas de pesca e carretos. E jigs. 
Sim, jigs, os estranhos e coloridos objectos que o Luís utiliza para içar das profundezas garoupas gigantes de muitas dezenas de quilos.  
E que muitos dos que pescam por cá com iscos orgânicos serão capazes de garantir não ser possível capturar um único peixe com eles. 



O seminário “Jigging Avançado” brilhantemente organizado pela C. M. Setúbal, (e exemplarmente coordenado pelo nosso colega de pesca Ernesto Lima, a quem mando daqui um abraço e uma saudação amiga), decorreu da única forma que podia ter decorrido: com classe e extrema qualidade. 
Excelente a divulgação, a preparação do evento, a disponibilidade permanente do Ernesto para ajudar todos os que necessitaram de algum tipo de apoio. 


Luís Ramos é um pescador português que dispensa apresentações.
Quando fala devemos escutar atentamente, e foi isso que fizeram as cerca de 60 pessoas presentes. 
Sendo um pescador que eleva bem alto o nome do nosso país, conhecido e reconhecido entre pares nos quatro cantos do mundo, trata-se de alguém que é respeitado pelo seu elevado nível de conhecimentos técnicos. 
Os melhores pescadores japoneses sabem perfeitamente quem ele é e respeitam os seus resultados. 
A sua opinião é tida em conta e apreciada por muitos fabricantes de material de pesca, os quais produzem a partir das suas directrizes.


Edgar Morin defendia que os sistemas complexos não podem ser entendidos recorrendo apenas à soma das suas partes. 
O valor de um sistema de pesca depende sobretudo das relações que se estabelecem entre os seus diversos elementos: barco, pescador, cana, carreto, linhas, jigs e anzóis. 
Tentar entender aquilo que o Luís Ramos faz a partir da soma dos materiais que usa para pescar é uma inutilidade. Não adianta adquirir apenas o seu equipamento de pesca.
Nem adianta estar no sitio onde ele pesca. Continua a faltar algo.  
É preciso ir mais além, vê-lo em acção, tentar perceber o que faz e porquê, em suma penetrar na mente de um dos nossos mais brilhantes pescadores de sempre, se não o maior deles. E aprender. 


Não é fácil ser Luís Ramos. 
Eu, que tenho a honra e privilégio de com ele ter pescado algumas semanas, posso garantir que o Luís é ele, os seus equipamentos, e algo mais: um infindável leque de conhecimentos sobre as espécies pescadas, a sua biologia, as suas deslocações no meio ambiente marinho.
A tudo isso ele junta o controle absoluto sobre a informação da sonda e GPS, e uma resistência física e psíquica absolutamente espantosa. 
Trabalha debaixo de um calor abrasador, com humidade relativa que mata, e pesca peixes que fazem  com que os ditos melhores do mundo, os japoneses e os americanos, abram a sua boca de espanto. 
Repito: não é fácil ser Luís Ramos... 


De uma modéstia remarcável, sendo porventura detentor de um dos melhores, se não o melhor lote de peixes troféu conseguidos a nível global, garoupas e corvinas de cortar a respiração a quem tem o privilégio de ter acesso ao seu “portfólio de capturas”, o Luís não apresentou neste encontro um único peixe. 

Não precisa. 


Ele pode dispensar isso, mas nós queremos saber o que faz, e, contrariando os seus desejos de se manter como uma pessoa “low-profile”, discreta, atrevo-me a publicitar algumas fotos. 
Apresento-vos aqui esta sequência de registos, poucas fotos de muitas centenas ou milhares de capturas, para que possam ter uma ideia do nível altíssimo a que chegou. 
É impressionante que se possa fazer isto tendo nas mãos uma cana, um carreto, linha e um jig!!


O Luís sabe muito, é português, é nosso, e nós temos muito orgulho nele!
Tudo isso ficou espelhado neste seminário, numa intervenção segura, clara, e muito elucidativa, a repetir assim que possível.  
Luís, ...Queremos mais!!

Vítor Ganchinho


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4 Comentários

  1. Luis Ramos25 julho, 2026

    Não tenho palavras para agradecer a consideração e amizade que tem por mim e acredite que é recíproca. É e será sempre um prazer enorme poder estar e pescar com o Vitor e poder passar momentos fantásticos a rir das peripécias da vida e dos monstros que nos continuam a iludir. O meu profundo agradecimento e vemos-nos no incrível para o tour de 2027 😄. Um forte abraço e até já

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    Respostas
    1. Luís, eu tenho aí uma garoupa enorme que desespera pela minha chegada....

      Tenho a certeza que o bicho está desaustinado porque eu não apareço, mas a vida é isto, deste lado há compromissos. Mas em 2027 aí estarei a lançar os meus jigs para o fundo.
      Seria bom levar comprimidos Palasil, os que os epiléticos colocam debaixo da língua para acalmar os ataques de nervos, porque após todo este tempo a minha garoupa deve estar do tamanho de um submarino. Daqueles submarinos de 50 kgs...

      Já tenho dois carretos Daiwa Saltiga 35 L, super fortes, com linha PE4 para "rebocar" o animal até à superfície.
      Vamos ver.

      Com sorte posso tentar escrever um artigo bom e conseguir alguns 2 likes....


      Abraço!!
      Vitor

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  2. Luis Ramos28 julho, 2026

    Ela cá o espera em 2027 para o deixar de rastos e um homem feliz..lol
    Felizmente a qualidade dos seus textos e relatos não depende de algo tão pobre quanto likes mas sim apenas de si e de quem sente e viaja no que escreve.
    Um enorme abraço e até breve amigo

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    Respostas
    1. Luís, aqueles que fazem o favor de ler os meus textos dão-me carinho e atenção e isso é tudo aquilo que quem escreve necessita para continuar firme.
      O acto de sentar em frente a um ecrã vazio, uma folha em branco, é em si algo que exige alguma coragem. Só não percebe quem nunca o tentou fazer.
      Sexta feira passada, por exemplo, alguém não gostou de um artigo e resolveu premiar-me com um polegar a vermelho.
      Aceito, com a humildade daqueles que escrevem para um público muito vasto e sabem que não podem agradar a todos.

      O que acho que essa pessoa devia ter feito era sair da cobardia do anonimato, devia ter-se identificado, e dito do que não gostou e porquê.
      E já agora, porque certamente poderá fazer muito melhor que eu, podia enviar para publicação no blog um texto seu, para todos nós lermos e ficarmos extasiados.
      Um texto identificado, claro!


      Faz parte....


      Grande abraço!
      Vitor

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